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sexta-feira, 9 de maio de 2014

‘Small is beautiful’: Repensar o futebol português


Muito se fala no número de equipas que devem atuar na nossa I Liga. Haverá um alargamento de dezasseis para dezoito clubes, e até há quem defenda ainda que se deveria estender a vinte, como nos principais campeonatos europeus.

A fórmula do sucesso e da competitividade, não se restringe, como é óbvio, ao número de emblemas no primeiro escalão. Questões financeiras, sociais e geográficas desses países são impossíveis de replicar no nosso país, pobre, pequeno e na periferia europeia, em que apenas três clubes têm um número significativo de adeptos.

O Ranking da UEFA acaba por nos iludir. As boas prestações de algumas das nossas equipas têm excedido as expetativas e, juntas, conseguiram colocar Portugal em 4º lugar, mas isso não significa que tenhamos o quarto melhor campeonato. Temos, aliás, um campeonato oligarca, em que há um fosso enorme das equipas que dão pontos ao nosso país para as restantes.

O FC Porto, antes desta dececionante temporada, fora do normal, tinha perdido apenas uma vez nos últimos três campeonatos. O Benfica leva, para já, uma derrota em cada época, contando apenas com esta e a última. Até o Sporting, no ano do seu renascimento, apenas perdeu para dragões e águias.

Mérito dos grandes? Também. Mas essencialmente muito demérito da segunda (e terceira) linha de clubes, que já não consegue fazer dos seus campos as chamadas «deslocações tradicionalmente complicadas».

Nas últimas cinco temporadas, apenas tivemos três equipas diferentes na fase de grupos da Liga dos Campeões: FC Porto, Benfica e Braga. Muito abaixo de Espanha (oito), Alemanha (sete), França (sete), Inglaterra (seis) e Itália (seis), e ainda com um registo inferior a Roménia, Rússia e Turquia (todas com quatro). Estamos empatados com Bélgica e Holanda no 9º lugar.

Temos uma oligarquia implantada no nosso campeonato, e que mesmo tendo constantemente duas vagas diretas para a fase de grupos da Champions e ainda outra para o Play-Off, temos sido superados por ligas com menor número de vagas.

A competitividade é pouca, e isso deve-se a uma fraca segunda linha de clubes, como o Paços de Ferreira – que foi goleado por duas vezes contra o Zenit esta época -, e como outras que nunca conseguiram passar da fase de grupos da Liga Europa, e acabam por ser superadas por modestas formações de campeonatos que muitos consideram inferiores ao nosso.

Essa segunda linha do futebol português, que constitui o núcleo duro de candidatos às competições europeias, necessita de ser fortalecida. Para tal, a solução pode passar pela redução e não pelo alargamento da I Liga. Doze seria o número ideal.

Para um país de reduzidos recursos e dimensões geográficas, poder concentrar num menor número de equipas os melhores jogadores e treinadores fortaleceria esses tais emblemas secundários. O talento, em vez de distribuído por dezasseis ou dezoito clubes, estaria em doze.

Temos demasiados clubes há muito tempo na I Liga, completamente estáveis, mas sem causar grandes sobressaltos no primeiro terço da classificação. Quase sempre também são os mesmos a lutar pela despromoção. É preciso reequilibrar as contas.

Esta ideia das doze equipas seguiria o modelo da extinta III Divisão: Duas voltas e posteriormente, dois Play-Offs, um para apurar campeão e a composição da zona europeia (entre os seis primeiros), e outro para decidir quem se mantém no primeiro escalão (entre os seis últimos).

Este Play-Off visiva também combater o precário número de espetadores do nosso campeonato. É verdade que existem dificuldades financeiras na população, mas é igualmente verdade que as massas aderem aos jogos importantes. Esta segunda fase possibilitaria que os três grandes se voltassem a defrontar, em casa e fora, sem que os clássicos saíssem banalizados, já que todos, pelo reduzido número de equipas nesse Play-Off, teriam um caráter decisivo.

Poder enfrentar durante mais dez jornadas apenas as melhores equipas da Liga permitiria, ao futebolista, estar presente, semana sim, semana sim, em confrontos intensos e tornar-se mais competitivo.

A fórmula aqui sugerida tem semelhanças com a que tem sido praticada na Bélgica, nos últimos anos, e curiosamente, aí têm emergido recentemente futebolistas muito competitivos e de grande qualidade recentemente.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Erros de "casting"

Todos os anos, chegam a Portugal centenas de novos futebolistas, provenientes um pouco por todo o mundo, principalmente do Brasil (quase todas as equipas profissionais lusas, se não mesmo todas, têm brasileiros no plantel). Poucos ficam e têm sucesso, singrando no nosso futebol; muitos, pelo contrário, fracassam, revelando um nível exibicional muito aquém das expetativas e, consequentemente, voltam para o país de origem (caso cada vez mais recorrente).


Estas análises, usualmente, são feitas quando finda a temporada desportiva, lá para meados de maio. Porém, no início de setembro, dois nomes, após somente dois meses a servirem o seu novo clube, já revelaram ser verdadeiros erros de "casting": Welder e Bruno Cortez.

Bruno Cortez nasceu no Rio de Janeiro, a 11 de março de 1987, começando a jogar futebol em clubes modestos da sua área. Assim continuou (passou, inclusivamente, pelo Qatar) até 2011, quando o Botafogo, da primeira divisão brasileira, o resgatou aos secundários do Nova Iguaçu (por este emblema, havia brilhado no campeonato carioca). Na sua temporada de estreia na elite, o defesa-esquerdo surpreendeu o Brasil, com exibições muito bem conseguidas, revelando uma grande propensão ofensiva, dando profundidade ao corredor "canhoto" do "fogão". Perante isto, foi sem contestação que foi eleito para o onze ideal do Brasileirão sendo, ainda, considerado como a revelação da prova. Como resultado destas proezas, foi contratado, em 2012, pelo São Paulo (custou 3,3 M€), uma das hostes mais conceituados de toda a América e, no seu primeiro ano, não comprometeu sendo, inclusivamente, um dos mais utilizados no "tricolor", logrando a sua primeira internacionalização. Com tais registos, "choveram" críticas positivas de todas as direções, ao ponto dos ucranianos do Metalist terem efetuado uma proposta de compra do seu passe a rondar os 6 M€, instantaneamente rejeitada. Na época a seguir, todavia, o jogador de 26 anos voltaria "à Terra" já que, após exibições infelizes, foi, a par de companheiros seus, colocado à margem da equipa principal do São Paulo, após derrota num jogo a contar para a Taça dos Libertadores (competição muito prezada por aquelas bandas). Sem margem de manobra em território brasileiro, Bruno Cortez viu-se, nesta janela de transferências, obrigado a emigrar, surgindo o Benfica no horizonte, para o receber. Na Luz, tem dado seguimento aos erros cometidos anteriormente, tendo defraudado as expectativas dos dirigentes encarnados que, depois de apenas três partidas oficiais, tiveram necessidade de regressar ao mercado, para se reforçarem com um novo defesa-esquerdo (Guilherme Siqueira).

Já em relação a Welder, nasceu a 16 de janeiro de 1991 em Franca, São Paulo. Depois de boas temporadas nos juniores do Paulista, chega aos seniores em 2010 sendo, nessa época, figura importante (completou 37 jogos, apontando ainda 6 golos). Com 20 anos, muda-se para o Corinthians e, na sua estreia no "timão", sagra-se campeão brasileiro. Porém, não se conseguiu assumir como titular (era suplente) pelo que "deu um passo atrás" na tentativa de "dar dois em frente", rumando à segunda divisão brasileira, para debutar pelo Palmeiras. Todavia, o "fado" continuou, com Welder a ser constantemente preterido do onze inicial do "verdão". Novamente insatisfeito, o lateral direito abraçaria um novo projeto, endereçado pelo Sporting, onde chegou este verão, por empréstimo do clube antigamente treinado por Luiz Felipe Scolari. Contudo, bastaram apenas cerca de dois meses ao serviço dos "leões" para se transformar num autêntico "flop", com a agravante de não ter chegado a alinhar pelas hostes lisboetas. Perante a deceção que se tornou o jovem de 22 anos, a direção comandada por Bruno de Carvalho teve necessidade de, nas últimas horas do mercado, contratar o também defesa-direito Iván Piris, por empréstimo dos paraguaios do Atlético Maldonado.

Dois jogadores semelhantes (um joga pela direita e outro pela esquerda) revelam pouca qualidade defensiva (mesmo a atacar são muito limitados) e já são erros de "casting" (o que se comprova pelas apostas das direções dos rivais da segunda circular em outros elementos), mesmo que o espaço temporal entre o momento da sua transação e a atualidade seja bastante reduzido (pouco mais de dois meses, quanto muito). E, há que admitir, causa alguma estranheza os plantéis de dois dos três "grandes" de Portugal só terem fechado o plantel perto do final do mercado (em teoria, tudo deveria estar decidido antes da reta final da janela de transferências). 

No entanto, estes não serão casos virgens pois, até ao fim da época, muitas mais surpresas desagradáveis surgiram, haverá mais erros de "casting" mas, seguramente e infelizmente, os clubes não aprenderão com os erros cometidos (pensava-se que não apareceria um "novo" Emerson no Benfica e veja-se o que sucedeu...).


segunda-feira, 10 de junho de 2013

OPINIÃO: Passagem de testemunho


A saída de Vítor Pereira do comando técnico do FC Porto já era expectável desde Dezembro passado (ou se calhar antes). A verdade é que, apesar das conquistas, o futebol de posse que o treinador implementou no clube e lhe valeu dois títulos nacionais e apenas uma derrota em dois anos, nunca chegou para convencer os exigentes adeptos portistas que, em boa verdade, tão depressa se sentiam empolgados com as maravilhosas exibições de um FC Porto vs Málaga CF como de repente passavam meses de cabeça apoiada nas mãos, aborrecidos na bancada a assistir a uma posse de bola (com valores a rondar os 80%) que se traduzia em passes para o lado e para trás. Mesmo conseguindo ser campeão, houve dois pontos em que Vítor Pereira falhou sempre e a partir dos quais foi assinando o seu adeus ao clube: a gestão da equipa e a comunicação. A forma como o treinador geriu a equipa antes e durante os jogos nunca foi, na minha opinião, a mais correcta e isso custou ao FC Porto prestações fracas e saídas precoces em competições como a UEFA Champions League e a Taça de Portugal (ainda hoje os adeptos não perdoam a "queda" aos pés de Málaga CF e SC Braga, respectivamente). Também a comunicação do espinhense deixou muito a desejar e o seu discurso, principalmente nos momentos mais difíceis, passou, muitas vezes, por sacudir as culpas para terceiros, defendendo até ao limite os seus próprios erros sem nunca ter a capacidade para os assimilar e corrigir. Apesar de, contra todas as expectativas, ter chegado ao título nacional, nunca tive dúvidas de que Vítor Pereira não seria o treinador do FC Porto 2013/2014 e, facto curioso, no último jogo da época, aquando do abraço entre o treinador vencedor e Paulo Fonseca dei por mim a pensar na frase: "Passagem de testemunho". Quem diria?

Com a contratação de Paulo Fonseca, o FC Porto ganha, ou pelo menos pretende, juventude, irreverência e sangue novo. O antigo treinador do FC Paços de Ferreira é um homem de ideias novas, conceitos mais frescos e um amante do futebol espectáculo que empolga os adeptos mas atinge resultados (foi assim que pautou a sua passagem pela primeira liga). A equipa da capital do móvel encarou todos os oponentes olhos nos olhos independentemente do seu estatuto e valia, sem medos, sem se submeter ao poder de adversários teoricamente mais fortes (nunca usou o vulgar autocarro), com um futebol de grande qualidade e acima de tudo com objectivos cumpridos. O seu FC Paços de Ferreira apenas perdeu com os "monstros" FC Porto e SL Benfica, conseguindo uma histórica qualificação para a pré-eliminatória da UEFA Champions League. O jovem treinador foi capaz de colocar uma das equipas de orçamento mais baixo da liga (mas também uma das estruturas mais organizadas e competentes) no terceiro lugar do campeonato atrás dos crónicos candidatos ao título e à frente de equipas poderosas como SC Braga e Sporting CP. Mas o trabalho de Paulo Fonseca não se fica apenas pelos resultados desportivos e a forma como se dedica ao treino e aos seus jogadores é já uma imagem de marca e um factor de aproximação entre treinador e atletas. A recuperação de talentos "quase" perdidos foi um dos seus grandes méritos durante a temporada, com o caso de Josué a tornar-se no mais mediático. O miúdo formado no FC Porto, conhecido como jovem rebelde e indisciplinado, tornou-se de repente um jogador de equipa, capaz de aliar as suas enormes capacidades técnicas a uma postura digna de profissional. Foi uma mudança radical num dos maiores talentos do futebol português, que agora acompanhará o treinador a caminho do Dragão. 

Paulo Fonseca foi sem dúvida a grande revelação da época. Mas será que isso chega para triunfar no FC Porto? Só o tempo dirá. 

Esta é mais uma aposta de risco de Jorge Nuno Pinto da Costa, num treinador jovem, de grande qualidade, com novas ideias, novas formas de pensar o jogo, ambicioso e de discurso inteligente. Paulo Fonseca tem tudo para vencer no FC Porto mas ao mesmo tempo tem tudo para perder. O seu futuro vai depender de si próprio, da sua adaptação a uma realidade muito distinta, da sua adaptação a uma nova casa com obrigações e objectivos muito bem definidos, da sua capacidade para lidar com o enorme ego de jogadores de classe mundial e com a pressão e exigência dos adeptos. Treinar o FC Porto não é, nem de perto nem de longe, a mesma coisa que treinar o FC Paços de Ferreira e Paulo Fonseca, como homem inteligente que é, deve ser o primeiro a perceber isso. Esse será, sem dúvida alguma, o primeiro passo para atingir o sucesso. 

terça-feira, 4 de junho de 2013

OPINIÃO: Dupla pouco improvável



A renovação de Jorge Jesus era a melhor decisão que a direcção do SL Benfica poderia tomar. Apesar dos poucos títulos conquistados e do elevado salário que aufere, não me parece que os encarnados tivessem nada a ganhar com a saída do treinador. Seria verdadeiramente difícil conseguir encontrar alguém capaz de encaixar tão bem na estrutura do SL Benfica e no projecto liderado por Luis Filipe Vieira. Por essa mesma razão, creio que a renovação de Jorge Jesus pelo SL Benfica era totalmente expectável. Aliás, depois daquilo que foram (e representaram) as palavras de Luis Filipe Vieira após a derrota na final da Europa League, era mesmo a única solução. Mas não há bela sem senão.

Se a renovação já era esperada por todos e desejada por muitos, não é menos verdade que o timing da mesma foi completamente atabalhoado, para não dizer descabido. A meu ver, Luis Filipe Vieira tinha duas soluções que passariam por renovar antes de todas as decisões da época e mostrar que confiava no seu treinador fosse qual fosse o desfecho ou então guardar-se para o final, fazer um balanço e aí decidir o futuro de Jorge Jesus e do futebol benfiquista. A partir do momento em que, após a final europeia perdida com o Chelsea FC, diz publicamente que Jorge Jesus é o seu treinador e vai continuar no comando da equipa, o presidente encarnado comprometeu-se de forma completamente escusada. Note-se que, uma semana depois, o SL Benfica voltou a perder uma final (desta vez a Taça de Portugal) e o treinador português rapidamente passou de idolatrado a mal amado por grande parte da nação benfiquista. As notícias e especulações começaram a multiplicar-se nas páginas dos jornais e as opiniões dos "entendidos" começaram a exercer alguma pressão nas decisões do presidente. A verdade é que se Luis Filipe Vieira não tivesse assumido a renovação na altura errada (como fez) teria depois, no final da época, uma margem de manobra bem mais interessante para negociar com um treinador que, pese embora as grandes exibições da época, acabou por perder tudo. O que aconteceu foi o contrário e o treinador ficou com a faca e o queijo na mão para facilmente levar os seus desejos avante e fazer o contrato que, do seu ponto de vista, seria mais atraente. 

A renovação de Jorge Jesus é a melhor solução para o SL Benfica, mas a forma como o processo foi tratado deu origem a uma novela desnecessária que foi desesperando os adeptos do clube da Luz e fragilizando os profissionais envolvidos (presidente e treinador). O presidente, a acreditar no que a imprensa foi escrevendo, foi o único homem a segurar Jorge Jesus no seu projecto e acaba assim por colocar (talvez sem querer) o seu futuro nas mãos do treinador. Pode parecer exagero da minha parte, mas parece-me que o futuro e sucesso de um vai depender do futuro e sucesso do outro. Jorge Jesus vai entrar na próxima época mais vulnerável por tudo o que aconteceu nos últimos tempos e se as coisas começarem a correr mal, haverá repercussões nefastas na estrutura do SL Benfica a começar pelo presidente. Por outro lado, um início de época forte elevará o presidente encarnado a herói juntamente om o seu treinador, mesmo do ponto de vista daqueles que só têm por hábito aparecer nas horas más e que agora o vão atacando. Contudo, convém não esquecer que nunca foi dado a um treinador do SL Benfica tantas condições para vencer como a Jorge Jesus. Tudo vai depender de resultados porque no fundo é isso que os adeptos mais desejam... o futebol é mesmo assim!


terça-feira, 30 de abril de 2013

OPINIÃO: Paradigma Alemão




 As meias finais da Champions são sempre um acontecimento especial para quem vibra com o desporto-rei (aliás, toda a prova é), estão lá as quatro melhores equipa do mundo e o espetáculo é sempre garantido. Confesso que pensei para mim, "para a elite futebolística estar toda ali concentrada só é necessário trocar o Borussia pelo M. United", a práctica mostrou que me enganei redondamente.

 Quem assistiu aos dois jogos desfrutou de três horas de futebol a sério, que fez jus à melhor competição do mundo. Viu-se um autentico recital futebolístico vindo da Alemanha, ajudando a Srª Merkel a mostrar quem manda na Europa; os dois (teoricamente) melhores clubes do mundo saíram da sua viagem ao centro do continente completamente humilhados, tal como o seu governo no último ano. Foi demasiada Alemanha para uma paupérrima Espanha, e a inédita final germânica está ai à porta.

 Duas equipas habituadas a golear tudo e todos não conseguiram criar mais que duas oportunidades, os dois melhores jogadores do mundo estiveram totalmente off da partida e os dois quartetos defensivos foram uma autêntica passadeira vermelha para os opositores. Já se faziam contas e apostas sobre o vencedor da final espanhola, final essa que só vai ser possível (salvo qualquer grande imprevisto) nos jogos de Fifa e Pes.

 Os alemães mostraram que a Bundesliga merece se acompanhada com outros olhos - e a partir de agora com certeza que vai ser. É magnífico ver a Allianz Arena e o Westfalenstadion a rebentar pelas costuras com um público incansável os noventa minutos. Ao contrário das poderosas equipas germânicas do passado, tanto Bayern como Borussia têm grande qualidade técnica no seu onze, o futebol que praticam não é a monotonia e a brutalidade do passado, há uma aliança entre futebol espetáculo e a eficácia e dureza típica alemã. No mesmo onze misturam-se os típicos germânicos Schweinsteiger, Gómez e Lahm, com os mágicos Robben e Ribery; e artistas como Gotze ou Réus de alemães só tem o BI.

 O grande segredo para este emergir germânico está na abertura que a Bundesliga tem tido a jogadores de todo o mundo, com as mais diversas características, que têm enriquecido muito a prova. Para além de que a nova escola alemã está muito mais refinada que no passado (Ozil e Gotze são disso exemplos) resultando numa forma de jogar bastante mais atrativa.

 Posto isto, é com curiosidade que na próxima época acompanharei o que Guardiola fará na super equipa bávara, e como reagirá o Borussia às perdas de Lewandowski e Gotze..

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Espanha: passado, presente e futuro

É indiscutível que a Espanha é a grande potência mundial da atualidade. Dois Campeonatos da Europa e um do Mundo conquistados de forma consecutiva nos últimos seis anos chegam para o justificar sem mais argumentos. Mas há muito mais a dizer sobre o futebol de 'nuestros hermanos'.

Se por um lado pode pensar-se que esta seleção está esgotada, uma vez que Arbeloa, Puyol, Xavi, Xabi Alonso e David Villa já passaram a casa dos trinta anos, e Iniesta e Fernando Torres estão à porta, por outro lado, há uma nova geração a surgir com nomes firmados: De Gea (Man Utd), Thiago Alcântara e Tello (Barcelona), Muniain (Atl. Bilbau), Isco (Málaga) ou Rodrigo (Benfica) são os primeiros nomes que ocorrem. Recorde-se que a Espanha é campeã em título de sub-21 (2011) e irá disputar a fase final deste ano, depois de se apurar no play-off de acesso com um resultado global de 8-1 frente à Dinamarca. A estes, podemos juntar atletas até aos 27 anos que brilharam no último campeonato da Europa (2012) como é o caso Piqué, Sérgio Ramos, Jordi Alba, Fabregas, Silva ou Sérgio Busquets e, ainda, outros jogadores de renome que marcaram presença na referida competição e não tiverem muito tempo de jogo, onde destaco os nomes de Javi Martínez, Pedro Rodríguez e Juan Mata.
Deixo aqui o exemplo de um onze formado por atletas abaixo dos 30 anos: De Gea; Sérgio Ramos, Piqué, Javi Martinez e Jordi Alba; Sérgio Busquets, Iniesta e Cesc Fabregas; Pedro Rodriguez, Fernando Torres e David Silva. No banco, o selecionador teria ainda como opções: Azpilicueta, Albiol, Nacho Monreal, Javi Garcia, Cazorla, Thiago, Navas, Mata, Isco, Llorente, Negredo ou Soldado.
Tudo isto somado, há razões mais do que suficientes para acreditar que a Espanha tem passado, presente e futuro. Nada garante que irão continuar a ganhar as grandes competições internacionais, até porque uma nova geração alemã ameaça o trono do futebol mundial, mas que continuam com argumentos de peso, disso ninguém duvide.

Por RENATO MAIA

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Seleção portuguesa made in … Portugal


A grande maioria dos atletas que representam a Seleção Nacional Portuguesa jogam além-fronteiras. Do onze base, apenas Rui Patrício (Sporting) e João Moutinho (FC Porto) atuam no principal campeonato nacional. Depois de longa pesquisa, imaginámos como seria uma convocatória da equipa das quinas que utilizasse apenas jogadores a atuar entre portas.
Guarda Redes: Rui Patrício (Sporting), Quim (Braga) e Ricardo (Académica)
Defesas: Cédric, Miguel Lopes e Joãozinho (Sporting), Nuno André Coelho (Braga), Tiago Valente (Paços de Ferreira), Nuno Reis (Olhanense), Steven Vitória (Estoril) e Rúben Ferreira (Marítimo) 
Médios: Moutinho (FC Porto), Carlos Martins (Benfica), Ruben Amorim, Custódio, Hugo Viana e Ruben Micael (Braga)
Avançados: Varela (FC Porto), Éder, afastado dos relvados até final da época por lesão, e Hélder Barbosa (Braga), Licá (Estoril), Wilson e Edinho (Académica), e Baldé (Guimarães)
Analisando estas escolhas, o meio campo é claramente o sector mais forte. Os seis atletas referidos já fizeram ou fazem parte das habituais escolhas de Paulo Bento. Na defesa são poucos os internacionais A chamados com regularidade, assim como no sector mais ofensivo. Varela é exceção. Na baliza, o habitual titular Rui Patrício teria boa companhia. Quim e Ricardo seriam alternativas credíveis para ter no banco de suplentes. É de referir que, nesta hipotética escolha, Sporting de Braga seria o clube mais representado com oito atletas.

Convocados da seleção portuguesa para atuar nas finais das competições internacionais a jogar no Campeonato Nacional

Euro 2004: Ricardo, Rui Jorge e Beto (Sporting); Moreira, Miguel, Petit, Tiago, Simão e Nuno Gomes (Benfica); Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha, Maniche e Deco (FC Porto); Quim (Braga); Total: 16 (70%)

Mundial 2006: Quim, Petit, Simão e Nuno Gomes (Benfica); Ricardo e Caneira (Sporting); Ricardo Costa (FC Porto); Paulo Santos (Braga); Total: 8 (35%)

Euro 2008: Nuno, Bruno Alves, Bosingwa, Raul Meireles e Quaresma (FC Porto); Rui Patrício, João Moutinho e Miguel Veloso (Sporting); Petit e Nuno Gomes (Benfica); Jorge Ribeiro (Boavista); Total: 11 (48%)

Mundial 2010: Beto, Rolando e Raul Meireles (FC Porto); Pedro Mendes, Miguel Veloso e Liedson (Sporting); Fábio Coentrão e Ruben Amorim (Benfica); Eduardo (Braga); Total: 9 (39%)

Recorde-se que Ruben Amorim foi chamado de emergência para substituir o lesionado Nani (Man Utd).
Euro 2012: Rolando, João Moutinho e Varela (FC Porto); Miguel Lopes, Custódio e Hugo Viana (Braga); Rui Patrício e João Pereira (Sporting); Eduardo (Benfica); Total: 9 (39%)

Por Renato Maia

sexta-feira, 22 de março de 2013

OPINIÃO: Mar de Talentos


A 27 de Maio de 1987, já lá vão quase 26 anos, o Futebol Clube do Porto subia ao relvado do Estádio do Prater, em Viena, para disputar a sua primeira final da Taça dos Campeões Europeus. No onze inicial, escolhido por Artur Jorge, estavam dois vila-condenses: André e Quim; no banco, outro jogador da mesma localidade: Festas. De fora, devido a lesão, ficou o defesa-central poveiro Lima Pereira, pilar defensivo da equipa portista na final da Taça das Taças, três anos antes, frente à Juventus, e da Seleção Nacional que brilhou ao mais alto nível no Europeu de 1984, em França.
Desde então tem sido assídua a presença de jogadores provenientes desta zona do país nos grandes palcos europeus, quer ao serviço da Seleção Nacional quer de clubes nacionais e estrangeiros: Alfredo (ex. Boavista), Paulinho Santos (ex. FC Porto) e, mais recentemente, Postiga (atualmente no Zaragoza), Bruno Alves (Zenit) ou Fábio Coentrão (Real Madrid).
Vila do Conde e Póvoa de Varzim são dois concelhos vizinhos, situados na região litoral norte, com forte ligação ao mar e à pesca, que têm no Rio Ave e Varzim os seus maiores emblemas em termos desportivos. Nos escalões de formação destes dois clubes cresceram e crescem muitas das principais figuras do futebol nacional. Alguns destes jogadores não chegam à idade sénior sem antes dar o «salto» para clubes de maior dimensão, como o FC Porto.
No onze base da Seleção portuguesa estão três futebolistas que provêm desta região: Bruno Alves, Fábio Coentrão e Hélder Postiga. A estes junta-se Luís Neto, neste momento presença assídua nas convocatórias de Paulo Bento, que também já deu sinais de ter debaixo de olho Ricardo, guarda-redes da Académica e igualmente um produto das escolas do Varzim.
Na verdade, são dezenas os futebolistas profissionais que nasceram para o futebol nestes dois clubes, casos de Pedrinho (Lorient, França), Geraldo Alves (FC Petrolul Ploiesti, Roménia) Milhazes (ENP, Chipre), Miguelito (Apollon Limassol, Chipre), Tiago Terroso (Olhanense), Vítor Gomes e André Vilas Boas (Rio Ave), Salvador Agra (Siena, Itália), André (Vitória de Guimarães) ou Yazalde (Beira Mar); e num passado recente Alexandre (ex. Varzim), Emanuel (ex. Rio Ave e Boavista), Formoso (ex. Braga e Boavista) ou Mozer (ex. Braga e Rio Ave).
Com tudo isto somado, é caso para dizer: aqui há ouro!

Por Renato Maia

quinta-feira, 21 de março de 2013

Estaremos no Mundial




 Depois de Paulo Bento ter anunciado os convocados para o duplo confronto em que a Portugal jogará cartadas importantes na corrida ao apuramento para 2014, os portugueses voltaram a recordar-se que a sua realidade futebolística não é só Benfica, Porto, Sporting ou Real Madrid; há também uma seleção que representa o seu pais e que está com alguma dificuldades na caminhada para a maior competição futebolística do mundo.

 Não passa pela cabeça de nenhum habitante desta nação a sua seleção não marcar presença no país irmão daqui a pouco mais de um ano, as contas do grupo tiveram uns imprevistos mas a situação está a longe de ser irreversível, e os jogos dos próximos dias serão importantes para reestabelecer a ordem natural de forças do grupo - neste aspeto o confronto com Israel assume uma especial importância, pois trata-se de uma deslocação ao terreno de uma equipa que até agora tem sido um adversário direto pelo apuramento.

 Com a campainha do alarme já ativada não vale a pena fazê-la soar de forma demasiado estridente. Vai ser difícil, mas não impossível, tirar os Russos do comando, e existe um plano B que já foi utilizado nas duas últimas grandes competições. Os vice-campeões de cada grupo (apenas o pior medalha de prata fica de fora) podem-se apurar através de um playoff, e entram na prova com o mesmo status dos primeiros classificados.

 Nós como praticantes de futebol temos muitos problemas a nível de mentalidade, irrita qualquer adepto ver exibições completamente displicentes como a contra a Irlanda do Norte, em que os jogadores nacionais entram em campo com um completo complexo de superioridade resultando em exibições paupérrimas, enquanto o adversário, com um décimo da qualidade, joga os 90 minutos em alta rotação e é premiado por isso. O português não se dá bem a jogar com o favoritismo do seu lado  quando a coisa é (teoricamente) demasiado fácil a concentração desce abruptamente.

 Contudo a moeda também pode ser virada ao contrário aparecendo uma nova perspetiva, em que os elogios são muitos. Depois da descontração costuma vir o "acordar para a vida", e quando acordam os  jogadores não desiludem. Chegado o momento da verdade os nossos representantes ganham asas e é dificil parar esta seleção; basta a partida requerer grande emergência ou mediatismo para os atletas passarem os seus niveis de concentração do 8 para o 80.

 O típico "tuga" tem a mania de deixar as tarefas para a última da hora, mas quando chega a altura de fazê-las, já super pressionado, até alcança resultados positivos. Como um belo retrato do seu povo a nossa seleção sofre das mesmas doenças e virtudes, é por isso que não duvido que esta "equipa de todos nós" estará no Brasil para fazer história 500 anos depois. Nós não fomos feitos para ter bons resultados em apuramentos e amigáveis, os grandes palcos é que seduzem as nossas estrelas.



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Llorente e a satisfação das necessidades colectivas


A Juventus assegurou esta semana a contratação de Fernando Llorente, a custo zero, para a temporada 2013\2014. Um reforço que vem colmatar a única lacuna existente na fantástica era de Conte: ausência de um matador.
Matri, Vucinic, Quagliarella... todos eles com características utéis em certos períodos de jogo mas distantes das necessidades colectivas, sobretudo a dinâmica de um avançado-centro em 3-5-2. Matri é o que mais se assemelha. Possante, faz golos, trabalha bem de costas, acrescenta metros e ganha espaço para movimentos verticais de médios-interiores. Falta-lhe qualidade técnica e melhor definição no último terço para ser, de facto, um avançado de excelência. No entanto, Conte sabe que precisa de alguém assim quando encontra blocos fechados, para inventar espaço mesmo com alguma atrapalhação. Embora, com um estatura parecida à do italiano, Llorente vem acrescentar características diferentes a uma equipa que ameaça tornar-se ainda mais forte com a sua presença. Primeiro, pela sua inteligência posicional e qualidade técnica. Ganha muito bem a frente aos centrais, tem a excelente capacidade de no acto da recepção conseguir enquadrar-se com a baliza e depois finalizar com qualidade. Corresponde bem aos cruzamentos(a Juve tem um jogo exterior fortíssimo, os laterais cruzam muito e bem) fruto do seu poderoso jogo aéreo, implementa uma profundidade quase obrigatória de tal modo que arrasta dois jogadores consigo e concede espaço a quem vem de trás para finalizar em zonas privilegiadas. É detentor de movimentações curtas e felinas na área, muitas vezes a finalizar num só toque, que vão conferir maior tranquilidade\eficácia na hora de concluir o processo ofensivo desenvolvido. Ganha também Giovinco que respira maior liberdade na primeira linha ofensiva (Vucinic e Quagliarella tem tendência a baixar muito) e passa a poder servir alguém com maior frequência quando ganha a linha de fundo com dribles em tom de craque.
Llorente é sobretudo alguém que vem trazer melhor relação com a bola no último terço e satisfazer as necessidades de uma equipa que cria infinitas ocasiões de golo.


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O "apagão" chamado Rodrigo




 Contratado em 2010 ao Real Madrid, Rodrigo rodou uma época no futebol inglês até fazer definitivamente parte do plantel encarnado.

 O valor que os responsáveis benfiquistas pagaram por ele (seis milhões de euros) demonstrou grande confiança no seu potencial, e os seus vinte anos de idade eram a altura certa para Jesus intervir e lapidar mais um diamante. Tudo correu mais rápido que o previsto, e a temporada 2011/2012 passou de temporada de adaptação para temporada de explosão, com o jovem espanhol a conseguir ser decisivo em vários jogos, incluindo na Champions.

 Depois de quatorze golos marcados, chegou o embate em São Petersburgo, frente ao Zenit, na primeira mão dos oitavos-de-final da Champions. Aí, a famosa entrada ríspida de Bruno Alves sobre o avançado, "afetou-o" até aos dias de hoje.

 O jogador nunca mais foi o mesmo, os golos começaram a escassear, o poder de explosão diminuiu, a velocidade não é a mesma, e todo o seu processo evolutivo parece que estagnou. É recorrente, tanto pela imprensa como pela generalidade dos adeptos, justificar este "apagão" com a falta violentíssima de Bruno Alves, como se o internacional português tivesse cometido uma infração de tamanha gravidade que afetou até ao presente a perna do espanhol. Bruno Alves tinha de ser bastante engenhoso para lesionar o seu adversário, de maneira a que ele continuasse a jogar e ao mesmo tempo ainda esteja a sofrer as consequências do tal "carrinho".

 O futebol português (desde a imprensa, dirigentes, jogadores e adeptos) tem a particularidade de justificar os assuntos, de maneira irracional e muito pouco coerente, não pensando realmente se algumas justificações fazem sentido. A imprensa precisa de vender jornais e os adeptos de um bode expiatório, e por isso nada melhor que o "falteiro" do defesa que era capitão do grande rival, para réu deste julgamento. Junta-se o útil ao agradável.

 Curioso é verificar a transformação que sucede quando representa a seleção sub-21 espanhola. O apagado vira máquina e o resultado são golos atrás de golos, tanto que está muito perto de ser o goleador recordista deste escalão espanhol. Se há uma mudança de rendimento tão grande entre clube e seleção, qual é então o verdadeiro problema de Rodrigo no Benfica? Obviamente que o fator mental está a pesar bastante. Depois da explosão no clube, o jovem não aguentou a pressão de ser uma das estrelas encarnadas, e isso afetou bastante o seu rendimento, os golos foram desaparecendo e os níveis de confiança desceram abruptamente, uma vez que a tenra idade do avançado é propícia a sensações extremas: quando as coisas correm bem sente-se o melhor do mundo, quando correm mal (que tem sido o caso), sente-se o pior do mundo. Depois das férias e da pré-época, onde as coisas pareciam estar reestabelecidas e os tentos voltaram a aparecer, chegou um homem chamado Lima, que se impôs rapidamente no onze principal e delegou o espanhol para segundo plano, afetando uma vez mais o seu rendimento e, consequentemente, os seus níveis de confiança.

 A qualidade técnica continua lá, mas Rodrigo só irá chegar ao patamar de excelência quando conseguir suportar toda a pressão a que um craque (principalmente de um clube grande como o Benfica) está sujeito. É aqui que entra Jorge Jesus. Cabe ao técnico português trabalhar os índices psicológicos do jogador, planificando bem a sua utilização, e fazê-lo crescer , pois nessa altura terá definitivamente dado o salto.


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

FUTMANIA: Por Terras de Sua Majestade



E pronto! Chegámos ao momento da época em que as qualificações substituem os campeonatos, tal como a selecções os clubes. Com mais de um quinto de época jogado é interessante verificar como anda a tabela classificativa nas principais ligas europeias. Fruto desta fase ainda inicial é difícil assumir quantos candidatos se mostrarão à altura destas longas travessias com perto de 40 paragens. Apenas em Inglaterra os intervenientes do percurso estão claramente identificados, um mora em Londres, dois em Manchester - para efeitos da expectativa sobre quem serão os candidatos ao título da Liga Espanhola, pelos motivos que se sabem, não entra neste leque.

Se no defeso era bastante previsível uma luta bicéfala pelo trono da Premier League, com 7 partidas efectuadas o Chelsea tem mostrado o porquê de mais uma vez o seu presidente ter gasto milhões em reforços. Di Matteo está a conseguir aliar  a consistência defensiva do final da época passada, com uma maior largura no campo. Os Blues defendem de forma eximia e têm um meio campo fortíssimo  - Óscar e (principalmente) Hazard vieram ajudar muito - funcionando como o coração de toda a máquina azul, principalmente na vertente atacante já que compensa de forma exemplar as debilidades dos pontas de lança do clube.

O que os londrinos têm a menos os seus rivais possuem a mais. Tanto o United como o City têm frentes de ataque fabulosas. Ter Rooney e Van Persie, ou Aguero e Dzeko na mesma equipa, inveja qualquer um. Contudo, para este ataque impressionante está uma defesa algo permissiva, juntamente com um "miolo" do meio campo com algumas brechas, que por vezes desequilibra o futebol dos dois gigantes ingleses.

A palavra chave tem sido consistência - capacidade das equipas em cometerem poucos erros e serem objectivas - é com (ou sem) ela que o Chelsea ainda não perdeu pontos e que os Manchester Clubs  têm tido alguns acidentes de percurso. No entanto, com mais de 30 partidas para efectuar ainda muito vai acontecer, veremos quem conseguirá encontrar o melhor equilíbrio defesa/ataque.

domingo, 24 de junho de 2012

BOLA AO MEIO: Duelo ibérico



Meia-final do Europeu 2012, 27 de Junho, 19:45, Paulo Bento contra Vicente Del Bosque, Portugal contra Espanha. Serão estas as palavras que correrão o Mundo nos próximos dias.
Lado a lado, duas das melhores Selecções da actualidade. Portugal procura o seu primeiro título oficial e para isso conta com jogadores de grande qualidade, em especial, com o seu capitão, Cristiano Ronaldo, para muitos considerado o melhor jogador do Mundo. Do outro lado do campo estará a poderosa Espanha que conta com 4 títulos oficiais. Actual campeã europeia e mundial junta a estes dois títulos outro Campeonato da Europa vencido em 1964, em Espanha, batendo por 2-1, na final, a União Soviética e uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, com Guardiola na equipa titular que na final bateu a Polónia por 3-2.
De ambos os lados a dúvida reside nos pontas-de-lanças. Espanha poderá alinhar com um falso ‘9’ e nesse caso o escolhido será Fàbregas que em vez de estar no espaço irá procurar espaços. Um pouco diferente de Fernando Torres, já que o jogador do Chelsea serviria mais para ser a referência da ‘Roja’. Para trás, o jogo seria pensado da mesma forma, a única variável seria o homem mais adiantado. Fàbregas oferece outra dinâmica que Torres não presenteia e pode trabalhar os espaços para jogadores com Silva e Iniesta aparecerem em zonas de finalização.
Com lesão de Postiga, muito se tem falado nos últimos dias sobre quem é que renderá o avançado oriundo de Vila do Conde. A aposta de Paulo Bento durante o embate frente à República da Checa recaiu sobre Hugo Almeida mas existe Nélson Oliveira, dois bons jogadores mas com funções em campo completamente diferentes.
Se pensarmos numa fórmula mágica para anular esta Espanha, em primeiro devemos pensar na saída de bola espanhola e circulação da mesma. O processo ofensivo dos espanhóis começa, desde logo, em Casillas passando posteriormente por Piqué e Sergio Ramos, ou seja, Espanha incorpora todos os seus jogadores no seu processo ofensivo ao contrário de grande parte das equipas. O jogo começa a ser pensado a partir da defesa e é nesse sentido que uma aposta no avançado do Benfica seria vista com bons olhos. Nélson Oliveira teria a capacidade para pressionar a saída de bola e obrigaria os centrais a pensarem e a jogaram rápido, algo que poderia ser bastante benéfico para Portugal se depois soubesse tirar partido através de transições rápidas. Outra das ideias, passaria pela colocação de Hugo Almeida como referência portuguesa, de forma a prender os centrais e a linha defensiva, fazendo com que estes não subissem tanto no terreno e não encurtassem os espaços, isto é, Espanha teria que jogar com mais largura e não iria apresentar um bloco compacto.  
Como podem ver, existem opções válidas para qualquer das alternativas. Nélson Oliveira conduziria a que Piqué e Ramos jogassem mais rápido e poderia provocar erros, Hugo Almeida obrigaria a que a Selecção Espanhola não jogasse tão junta e Portugal poderia depois, aproveitar os espaços que seriam deixados nas entrelinhas para explorar os contra-ataques.
Paulo Bento terá este primeiro dilema para resolver, já que esta temática afigura-se como essencial para o encontro que se avizinha.
Outro dos problemas com que Portugal se irá deparar na quarta-feira, será a ocupação de espaços, nomeadamente, no meio-campo. Veloso, Moutinho e Meireles terão um trabalho desgastante mas, no entanto, bastante útil. Terão pouca bola, é certo, e por isso deverão saber ocupar bem os espaços com especial atenção para Veloso que deverá saber anular as diagonais interiores que os espanhóis fazem muitas das vezes em busca de espaços. Existia ainda a possibilidade de Portugal apresentar-se com Veloso e Custódio como duplos-pivots mas, nesse caso, Moutinho seria o único jogador do meio-campo capaz de progredir com a bola e criar situações de contra-ataque. Muito curto para uma Selecção que do outro lado conta com Xavi, Xabi Alonso e Busquets.
Paulo Bento não deverá fazer muitas alterações, para não quebrar com o entrosamento já alcançado por estes elementos. O técnico luso deverá, sim, alterar a filosofia de jogo. Portugal terá poucas vezes a bola mas quando a tiver, será importante ter uma boa qualidade da posse de bola e sermos criteriosos na definição de jogadas. Um passe errado pode deitar tudo a perder.
A solução passa por apresentar o mesmo esquema táctico, mas com um bloco mais compacto de forma a não proporcionar espaços vazios à ‘Roja’, caso contrário, eles não perdoarão. Em suma, bloco junto, pressão, intensidade, concentração, ocupação de espaços e muita garra. Serão estes os ingredientes para bater Espanha. Assim que Portugal recuperar a bola terá de ter capacidade para sair pelas laterais e aproveitar as subidas, em falso, de Arbeloa e Jordi Alba para depois Ronaldo e Nani apoiados por Coentrão e João Pereira desequilibrarem e levarem Portugal à final.
Quarta-feira, dia 27 de Junho, pelas 19:45, Paulo Bento já terá dito a todos os jogadores que iremos ganhar o jogo e iremos elevar bem alto o nome desta nação. O último confronto entre estas duas Selecções, teve um desfecho de 4-0 para a equipa das quinas que numa grande demonstração de carácter, atitude e demonstração de garra, Portugal mostrou que era possível bater esta Espanha.
Esperamos todos nós, que o desfecho seja idêntico ao do último jogo!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Último Reduto: Tão grandes como os maiores da Europa


Com a fase de grupos prestes a terminar, os melhores equipas deste EURO começam a ocupar os seus lugares no quadro dos quartos-de-final. Fantástico torneio na indefinição de quem passa e quem vai embora, com muita emoção e muitos golos à mistura. Nada de selecções em branco, nada de jogos empatados a zero. E a esse nível, estaremos a assistir a um dos melhores Europeus de sempre.

Dessa indefinição foi exemplo máximo o Grupo A, onde a favorita Rússia ficou pelo caminho, depois de aplicar uma goleada na primeira jornada. Uma vez mais – e sempre ligada a Portugal – a Grécia qualificou-se de fininho para a fase a eliminar, apostando na reedição do estilo de jogo que valeu o título em 2004. Em primeiro postou-se a República Checa para defrontar Portugal, que ontem se afirmou como uma grande equipa.

Que gozo deu ver jogar a Selecção! Indesmentível o querer e a competência destes jogadores quando encostados às cordas, do esteio Pepe aos inspirados laterais ofensivos, passando pela imponência de Veloso e pela omnipresença de Moutinho, culminando na pura classe de Nani e de Ronaldo. Um jogo colectivo impressionante que deu em vitória categórica – pena que, uma vez mais, a finalização esteja por afinar, caso contrário a Holanda regressaria a casa sem pontos e com uma goleada no saco.

Muita da culpa pela exibição de ontem pertence ao cartório de um extra-terrestre que com algum atraso aterrou na Ucrânia. Nestas coisas evita-se o absoluto, mas desafio-vos a lembrarem um jogo melhor de Ronaldo com as quinas ao peito. Dois golos, duas bolas no ferro, e mais duas ou três boas ocasiões para marcar, para além de momentos de classe como aquela recepção-finta que fica na retina de todos. A melhor exibição individual da fase de grupos deste EURO pertence ao melhor dos jogadores europeus, afundando as críticas que se levantaram nos últimos dias.

Ainda a tempo de ser o melhor. Ainda a tempo de nos fazer levantar do sofá. Quinta-feira não há cá chapeladas, é rumo às meias.

BOLA AO MEIO: Hoje houve Portugal!



Segurança, dinâmica e velocidade. São estes os três adjectivos que caracterizam a melhor exibição que Portugal fez neste Europeu e coloca-nos nos quartos-de-final onde iremos defrontar a República Checa.

A armada lusitana entrou contida no jogo e toda a expectativa inicial transformou-se numa situação complicada uma vez que a laranja mecânica mostrou desde logo para o que ia, tinham de vencer para se apurarem e entraram num 4x1x3x2. Os holandeses carregaram e chegaram mesmo ao golo inaugural por intermédio de Van der Vaart onde a equipa das quinas mostrou grande dificuldade em suster a pressão inicial dos holandeses. Portugal reagiu da melhor maneira e chegou ao empate depois de uma grande jogada de entendimento entre Nani, Moutinho e João Pereira onde o lateral-direito soube aproveitar o facto de Postiga ter arrastado a marcação consigo e ver Ronaldo a entrar nas costas da linha defensiva que através de um passe de morte colocou Cristiano na cara de Stekelemburg para fazer o empate. 

A equipa capitaneada por Ronaldo conseguiu ter o boost de confiança que tanto necessitava e a partir dos 28 minutos tomou conta do jogo e esteve sempre por cima dos holandeses. Contudo, antes do golo do empate foram várias as oportunidades para Portugal empatar com o capitão da equipa lusa a enviar uma bola ao poste, assim com Postiga e Meireles a desperdiçarem boas oportunidades. Um golo surge sempre em boa altura mas este golo catapultou a equipa para uma exibição mais sólida e confiante que permitiu encarar o jogo de outra forma e partir para a vitória e a exibição de gala.

Portugal procurava explorar, essencialmente as laterais com as subidas de Coentrão e João Pereira para apoiarem Ronaldo e Nani, respectivamente. Futebol de alta rotação com transições fortes e rápidas.

Veio o intervalo com o 1-1 no marcador, com a combinação de resultados do Portugal - Holanda e do Dinamarca - Alemanha que também se encontrava empatado a uma bola, Alemanha e Portugal estariam apurados para os quartos-de-final. Holanda tinha mais posse de bola mas Portugal era quem tinha qualidade da posse de bola como comprovam as inúmeras oportunidades criadas ao longo da 1ª parte.

Sem mexidas ao intervalo, foi assim que Paulo Bento decidiu abordar a 2ª parte do encontro. Com oportunidades de parte a parte, sendo as mais clamorosas para Portugal, foi assim que se iniciou o que viriam a ser os últimos 45 minutos no Europeu 2012 da actual vice-campeã Mundial. Uma grande inter-ajuda e solidariedade defensiva permitiu a Portugal agarrar o empate e sonhar em algo mais. A identidade de jogo manteve-se e Portugal continuou a criar boas ocasiões através das transições rápidas. A Holanda tentou encontrar todos os caminhos para a baliza defendida por Rui Patrício mas deparavam-se sempre com o mesmo problema, Pepe, imperial nos processos defensivos da equipa e não só!

Aos 64 minutos, Paulo Bento decidiu refrescar o ataque dando nova oportunidade ao jovem Nélson Oliveira que viria para servir de referência de ataque numa altura em que a Holanda carregava mais e que Portugal podia aproveitar num contra-ataque para matar o jogo. O sacrificado foi Hélder Postiga que saiu de rastos muito pelo trabalho invisível que teve ao abrir espaços para Ronaldo e Nani poderem aparecer em zonas de finalização.

Com a subida no terreno por parte dos holandeses e com a lesão e fadiga de Meireles, Paulo Bento apresentou a primeira alteração táctica nesta partida, ao lançar em campo Custódio. O triângulo do meio-campo acabou por ser invertido com Miguel Veloso e Custódio na frente da defesa e Moutinho com mais liberdade para definir as jogadas e integrar o ataque. 

Ao minuto 74, Pepe (sempre o mesmo) interceptou um passe à entrada da grande área portuguesa e lançou rápido o contra-ataque para Ronaldo que deu curto a Moutinho para este lateralizar o jogo para Nani que virou tudo para Ronaldo que novamente na cara do guarda-redes holandês ainda teve tempo para sentar Van der Wiel e fazer o 2-1. 

Até ao fim, quando se avizinhava que a Holanda subisse no terreno e pressionasse ainda mais criando ocasiões de golo foi exactamente ao contrário. Até ao final do encontro, Portugal teve nos pés de Nani e na cabeça de Nélson Oliveira a oportunidade bem merecida, por sinal, de ampliar a vantagem, algo que acabou por não se verificar.

O resultado final foi de 2-1 para Portugal que mostrou grande concentração e solidez defensiva, uma boa dinâmica e fluidez na saída de bola por parte do meio-campo e velocidade na execução e pensamento por parte dos homens mais adiantados.

Há motivos para acreditar nesta selecção que com humildade e união terá reunidas todas as condições para bater a República Checa. Uma selecção sem grandes individualidades, à excepção de uma ou outra elemento mas com grande espírito de sacrifício e bons tacticamente.

Depois da desgraça surgem sinais muito positivos daquilo que Portugal poderá vir a fazer este Europeu. Não se pode pedir uma equipa de controle de tempos e espaços mas sim uma equipa de rápidas transições fruto de ter Ronaldo e Nani nas alas que podem decidir um jogo a qualquer momento.

Hoje houve Ronaldo, houve Portugal, houve festa em Kharkiv! Muito Portugal para pouca Holanda. A selecção comandada por Marwijk acabou por ser a desilusão deste Europeu ao ir para casa mais cedo sem qualquer ponto.

domingo, 10 de junho de 2012

Opinião: Não fomos inferiores


Depois de ver o jogo de ontem da nossa seleção, fiquei com a sensação que podíamos ter empatado ou até mesmo ter ganho e em nada fomos inferior aos alemães, mas como é hábito dentro do campo retraímo-nos e demos a iniciativa ao adversário que nos respeitava (e muito) a nossa seleção. Esse respeito que nós não sabemos tirar proveito, retraímo-nos, damos a iniciativa de jogo a equipa adversaria que ontem foi a Alemanha que se apresentou sem ideias, lenta nos processos de transição de defesa ataque e abusou dos cruzamentos para a área o que viria a dar resultado com alguma sorte mas eficaz. Uma primeira parte onde Portugal cumpriu a sua estratégia por inteiro, mas depois de sofrer o golo Portugal agigantou-se perante uma Alemanha nervosa que depois de se apanhar em vantagem abdicou de atacar e defendeu como pôde. Arrisco-me a dizer que na unica situação em que Portugal falhou defensivamente a Alemanha fez o golo, mas também por culpa do desvio que a bola sofreu ao embater em João Moutinho apanhado assim Pepe de surpresa.

No jogo de ontem Portugal apresentou níveis de concentração altíssimos que falharam no jogo da Turquia em jogadores importantes na tarefa defensiva no caso de Miguel Veloso uma boa exibição do medio do Génova muito concentrado nas suas tarefas defensivas e a soltar a bola rápido para o ataque, rápido a fechar o flanco esquerdo nas subidas de Fábio Coentrão que mais uma vez mostrou ser um dos melhores defesas esquerdos da europa. Defende bem com garra e concentração e parte para o ataque sempre pelo seguro criando várias situações de 2 para 1 com Cristiano Ronaldo ou até mesmo aparece livre na área. No lado oposto encontrava-se João Pereira com um trabalho mais difícil pela frente encontrava Podolski um jogador rápido poderoso fisicamente mas que ontem não apareceu inspirado também por culpa do lateral português que não deu muito espaço ao jogador alemão.

No eixo da defesa dois grandes centrais que se entendem as mil maravilhas o único erro deu golo porque de resto foram soberbos, mas destaque para Pepe sempre seguro ganhando muitos duelos com os avançados alemães. No meio campo já destaquei Miguel Veloso, mas Raúl Meireles e João Moutinho deram continuação ao bom trabalho de Veloso. Muita concentração do tridente do meio campo português a  jogar sempre pelo seguro e raramente falharam um passe, rápidos a fazerem as transições de bola jogando sempre a bola nos dois extremos de Portugal, mas fisicamente estão muito abaixo dos médios alemães e perderam alguns duelos físicos. Nas alas Portugal só aproveitou bem as subidas dos laterais alemães quando já se encontrava a perder criando varias oportunidades de golo tanto por Nani, Cristiano Ronaldo e depois Varela que entrou "mexido" e isso notou-se nas varias oportunidades de golo que teve, uma dor de cabeça para Lahm e Boateng na parte final do encontro, o segundo então perdeu vários duelos com Cristiano Ronaldo. Penso que é aqui que Portugal que peca no homem mais avançado no terreno Hélder Postiga esteve mal não ganhou nenhuma bola na frente de ataque, não segurou nenhuma bola a espera dos colegas a única situação em que foi visível a sua presença foi numa falta desnecessária que lhe valeu o cartão amarelo. O estreante Nelson Oliveira entrou bem segurou algumas bolas uma delas podia ter dado golo lutou mais que Postiga e penso que merecia uma oportunidade no próximo jogo. Rui Patrício seguro e sem culpas no golo.

No encontro seguinte com a Dinamarca temos que conseguir uma vitória para manter a esperança de continuar na prova, mas a equipa do norte da europa entrou a ganhar com uma vitória surpreendente sobre a Holanda favorita a sair triunfante desta competição.

E por fim cuidado com a Rússia e apresenta um futebol objetivo e eficaz.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

BOLA AO MEIO: Avançado perfeito




Na passada quarta-feira dia 9 de Maio, assistimos a um duelo espanhol para determinar o vencedor da Liga Europa da edição 2011/2012. Frente a frente estavam os dois Atléticos, um de Madrid e outro de Bilbao, sendo que os madrilenos levaram a melhor sobre os bascos ao vencerem por 3-0 com um bis de Falcao e com Diego a fechar as contas finais.

Quando falamos no Atlético de Madrid, vem-nos à memória uma palavra que nos foi bastante familiar na época passada, Falcao. Depois de no ano passado ter levado o Porto às costas na Liga Europa, desta vez, decidiu fazer o mesmo com os 'colchoneros'. Na época passada vimos o colombiano a festejar por 17 vezes e este ano marcou por 12 vezes. São números que tornam possível que Falcao tenha sido pelo segundo ano consecutivo o melhor marcador da Liga Europa. É, portanto, inegável que estamos perante um dos melhores avançados do mundo, se não mesmo o melhor.

Como o próprio nome indica é um rapinador dentro e fora da área e isso é visível pela forma como voa até aos golos. El Tigre, como é conhecido pelo seu espírito felino, dentro da área consegue afigurar-se como a principal referência do Atlético de Madrid e ser visto como um tradicional número 9. Tal, só é possível por ser um exímio cabeceador e inteligente na forma como ocupa os espaços. A sua astúcia também o permite vir atrás jogar e encarar a defesa de frente, abrindo desta forma espaços para outros colegas penetrarem em zonas de finalização. Esta sua capacidade de metamorfose torna Radamel Falcao num avançado bastante completo que faz as delícias de todos nós.

Muito se especula sobre o futuro do colombiano, mas falar do futuro de Falcao é falar do futuro do Atlético. Qualquer que seja o panorama da próxima época que não seja a permanência de Falcao em Madrid colocará em causa as aspirações dos 'colchoneros'.

Nas últimas épocas os dirigentes do Atlético têm feito uma aposta significativa na equipa, contudo as expectativas não têm sido correspondidas a nível interno. Nas últimas três épocas o melhor resultado foi obtido nesta presente temporada com um modesto 5º lugar, com Falcao a apontar 24 tentos em apenas 34 jogos, apenas ultrapassado por Ronaldo e Messi. Este cenário é o que mais preocupa os adeptos e dirigentes do Atlético numa altura em que se fala de Falcao para suceder Drogba. Em terras vizinhas, apenas admitiam o acesso à Champions como o cenário único para a permanência de El Tigre. Contudo, isso não se veio a verificar o que faz com que os dados estejam lançados em cima da mesa à espera do início do mercado para se definir não só o futuro de Falcao como também o futuro do Atlético de Madrid.

domingo, 20 de maio de 2012

Bola ao Meio


Sistema vs Filosofia



Hoje (mais do que nunca) muito se fala destas duas nomenclaturas de jogo. Contudo é importante referir que se trata de dois conceitos distintos.

Vamos por partes, um sistema de jogo é apenas uma representação geométrica da equipa dentro de campo, isto é, um sistema de jogo não passa de uma esquematização mental que um treinador idealiza para a sua equipa. Os jogadores são dispostos em campos pelas suas diversas posições como se tratassem de figuras geométricas desenhadas a rigor com esquadro e compasso.

4-4-2, 4-3-3 e 4-5-1 são alguns dos exemplos que mais frequentemente ouvimos falar quando se aborda esta temática.

Pensar em filosofia é pensar no modo como a equipa encara o jogo. Pegando no caso do Barcelona podemos ver que a formação ‘blaugrana’ entra em campo muitas das vezes num sistema de jogo designado por 4-3-3, já no que toca à sua filosofia o Barcelona é uma equipa que desde os seus escalões de formação incute uma mentalidade ganhadora onde os seus jogadores lutam permanentemente pela posse de bola através de um pressing ofensivo não dando espaço aos adversários para pensar e muito menos executar. Ou seja, a filosofia de jogo associada ao Barcelona é uma filosofia de jogo apoiada num futebol de posse e controlo de tempos de jogo, é isso que o Barcelona faz e continuará a fazer, fruto do trabalho que tem vindo a desenvolver nos últimos anos o que faz com que no caso do clube catalão seja já uma política do clube.

Existem um caso específico de um sistema que se tornou numa filosofia como é o exemplo do ‘Catenaccio’ que significa em italiano ‘porta trancada’. Originalmente este sistema táctico era desenhado num 4-3-3 que colocava 7 homens a defender para proporcionar à equipa solidez defensiva para posteriormente tentarem procurar uma transição-rápida, leia-se contra-ataque, através de futebol directo para os homens da frente. Este sistema deu muitos frutos em Itália e hoje em dia deixou de ser visto como um sistema para ser visto como uma filosofia, o sistema pouco importa desde que esteja enraizado na mentalidade de cada um que o importante é defender e depois tentar através do contra-ataque matar os jogos.

A Grécia ergueu o Europeu em 2004 a jogar com esta filosofia o que fez com que a táctica grega tenha sido considerado uma das melhores de sempre. O meio-campo helénico era composto maioritariamente por Katsouranis, Karagounis, Basinas e Zagorakis que procuravam dar estabilidade defensiva à equipa para depois servirem através de passes longos o seu homem de referência, Charisteas que tinha uma estatura física invejável (1,91m). Este era ainda auxiliado na frente por Vryzas. A Grécia apontou 7 golos em toda a competição e apenas sofreu 4, de realçar ainda o facto de só ter experimentado o sabor da derrota num jogo frente à Rússia onde quis jogar olhos nos olhos e acabou por perder 2-1, fora essa excepção os gregos optaram sempre pela filosofia designada por ‘Catenaccio’ onde entregavam o domínio de jogo aos adversários para depois saírem em contra-ataque e matarem os jogos. Na final foi exactamente isso que se sucedeu, onde o primeiro canto para a formação da Grécia apareceu aos 57 minutos e resultou precisamente no único tento da partida.

sábado, 19 de maio de 2012

Nossos 23



Na semana que marca o início da preparação para o campeonato europeu da selecção nacional, é inevitável falar dos nomes que compõem o lote dos eleitos de Paulo Bento.

A base da lista estava há muito definida, pese embora nomes como Sílvio (At.Madrid) ou Danny (Zenit) fossem baixas certas para a competição. Rui Patricio, Eduardo, João Pereira, Pepe, Bruno Alves, Rolando, Coentrão, Veloso, Meireles, Martins, Moutinho, Ronaldo, Quaresma, Nani, Postiga e Hugo Almeida, formavam uma base que orientou as ultimas convocatórias da selecção, nos jogos decisivos da conturbada fase de classificação. Entre este primeiro lote, há que destacar o regresso de Moutinho e Quaresma às grandes competições, esquecidos na convocatória para a Africa do Sul por Carlos Queiroz, embora por razões diferentes.

De Joâo Moutinho alías, espera-se o grande momento de afirmação internacional, depois de ter crescido exibicionalmente ao longo das ultímas temporadas ao serviço do Futebol Clube do Porto. Será um dos jogadores portugueses sobre os quais os holofotes irão insidir. Para Moutinho, este é o momento de provar a sua condição como um dos melhores médios de futebol europeu. No meio-campo da selecção, terá em principio funções de organização ofensiva as quais nem sempre assumiu ao longo da carreira, tanto no Porto como no Sporting, deixando os equilibrios defensivos como missão essencial de Raul Meireles.
Ainda no miolo, muito se fala da questão da ausencia do "10", depois das saídas de Deco e Rui Costa da cena internacional. Com um 4x3x3 que explora desiquilíbrios pelas alas e entrada dos médios-interiores nas imediações da área, a necessidade de um verdadeiro organizador de jogo em termos ofensivos pode ser mitigada pelo dinamismo de Moutinho e Meireles, vindos de trás, com capacidade para manter a equipa unida nos vários momentos, mas também gerir o jogo em posse ou lançamentos mais longos para os alas. Do banco, Carlos Martins reforça a ideia da necessidade de chegada à área adversária dos interiores, embora sem nunca assumir o papel de "10".
Outra das grandes questões, talvés mesmo a mais importante entre os 11 que formaram a primeira equipa, prende-se com o papel de Miguel Veloso. O futebol italiano parece ter tornado o ex-Sporting mais agressivo defensivamente, dando-lhe uma intensidade que o limitava em Portugal. O seu jogo vive em muito da capacidade para fazer lançamentos longos, assumindo o jogo com bola como pivot. Com Moutinho e Meireles, tem a protecção defensiva necessária para fazer circular a bola. Com o melhor Miguel Veloso, a selecção pode encontrar um "regista recuado", bem diferente da opção de Carlos Queiroz na África do Sul. O segredo do jogo português poderá passar por aqui: capacidade de recuperação, de saída com bola, e sobretudo potencial para jogar tanto apoiado como em lançamentos mais longos.
Para o meio-campo ainda, Rúben Micael surge como outsider na luta por um lugar. Será sobretudo opção quando a equipa precisar de defender mais atrás, optando por saídas rápidas e individualizadas, onde Micael se destaca desde os tempos de Nacional. Salta à vista a ausencia de Manuel Fernandes e Hugo Viana, depois de excelentes épocas ao nível dos clubes. Quanto a Custódio, será opção como médio-defensivo no sentido mais clássico, embora partindo do banco.

Num outro sector, destaque para as escolas de Miguel Lopes e Ricardo Costa para fechar a defesa. O primeiro esteve em equação até vésperas do mundial africano, depois de uma excelente temporada no Rio Ave. Hoje, parece um jogador mais maduro, depois de algum tempo sem jogar, encontrou em Braga o espaço certo para crescer. Ricardo Costa vale pela polivalencia, sendo que será certamente ultima opção para o eixo, contando também para as contas nas laterais. Cumpre.

Na frente, Ronaldo e Nani assumem-se como provavelmente a melhor dupla de extremos presente na competição. Importante será no entanto, perceber que as suas exibições irão depender em muito do rendimento colectivo. Por isso destaque anteriormente o papel e funções dos médios. Quanto mais próximo da área adversária, sobretudo Ronaldo mas também Nani ou Quaresma, tiverem a bola, mais perigosa será a selecção. Pedir que assumam o jogo desde o meio-campo em condução, será erro crasso que tem limitado o rendimento da nossa selecção nos últímos anos. Do banco, Varela surge como jogador mais vertical, um opção diferente mas com utilidade, até mesmo para um sistema alternativo de 4x4x2 clássico, com Ronaldo mais próximo do ponta-de-lança.
Por últímo, Postiga, Almeida e Nélson Oliveira assumem a responsabilidade na frente. Postiga será, em principio, a opção natural para o jogo de abertura contra a Holanda, pela forma como recua e permite um jogo mais apoiado. Hugo Almeida, é pelas suas características físicas um jogador mais deslocado da realidade da equipa, mas que pode ser importante até porque é, de entre os 3, o homem que mais golos faz. Quanto a Nélson Oliveira, terá de saber lutar pelo seu espaço, tendo de aproveitar os jogos de preparação para mostrar que irá lutar pelo máximo de minutos. Tem potencial para ser um grande avançado, precisa de jogar.

Os dados estão lançados, resta agora esperar por cada uma das três finais que Portugal irá ter de disputar desde o inicio do Euro.










sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Para onde vai o Sporting?

Hoje, mais do que nunca, vivem-se tempos de incerteza ali para os lados de Alvalade. Após a atitude vergonhosa da administração Godinho Lopes para com Domingos, que era, muito provavelmente, o menos culpado de toda a crise leonina, agora o paradigma é outro. Um treinador inexperiente, com um passado futebolista exemplar, se excetuarmos as suas exibições de pugilato: Ricardo Sá Pinto.

Esta quinta-feira, 16, o Sporting fez uma exibição um pouco melhor do que tem feito nos últimos tempos. Mas é exclusivamente fruto da mudança. O festejo de André Santos após aquele brilhante golo é representativo. A raiva, a raça e a vontade de vencer estavam nele espelhados.

Ainda assim, isto não significa absolutamente nada. A chegada de um novo treinador traz motivação ao balneário, mas um clube não pode mudar de técnico de seis em seis meses. É precisa estabilidade. É necessário um grupo unido que não venha abaixo porque uma série de resultados não é boa. E, acima de tudo, é preciso haver um investimento forte na equipa.

O Sporting é (ainda) uma equipa fragilizada pela ausência de um banco que responda às dificuldades do onze. Mas isso faz-se ao longo do tempo. Veja-se o Benfica. Jesus é treinador há mais de três anos. Já teve algumas derrotas comprometedoras. Já teve graves problemas na equipa. Comprou um guarda-redes incapaz de segurar um objecto mais redondo que uma caixa de sapatos, e só por causa disso não lutou mais pela vitória na Liga. E, ainda assim, foi campeão uma vez e caminha a passos largos para o segundo título. E de quem é o mérito de tudo isto? Três nomes: Luís. Filipe. Vieira.

Post scriptum, ao cuidado do Dr. Godinho Lopes: aprenda com os seus inimigos.