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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Época Nova, Treinador Novo: História de um Ciclo Vicioso!

No nosso campeonato é prática comum mudar frequentemente de técnico, especialmente após uma época menos conseguida. Não se privilegia os projectos a longo prazo, nem se aposta na estabilidade dos planteis. Olha-se apenas para o instante presente, para a classificação... e esquece-se os benefícios que a continuidade pode trazer.
A primeira época num clube consiste sempre num período de adaptação que, conforme a personalidade do treinador, o seu conhecimento à cerca do campeonato, os apoios da direcção… , pode ser mais ou menos positivo. Um resultado negativo (isto é, falhar os objectivos tidos como principais no inicio da temporada) logo na primeira época não pode ser considerado desde logo como um sinal de incompetência do treinador. Não é motivo para, ainda antes do final do campeonato, lhe retirar o apoio e partir para um novo “projecto incompleto” que acabará por apresentar os mesmos resultados. Se o problema estivesse inerente ao treinador, não seria necessário realizar tantas renovações todas as épocas, pois a certa altura haveria de surgir alguém capaz de guiar a equipa às vitórias. A ideia de que “a culpa é sempre do Mister” não é mais que um velho dogma que permite camuflar a origem do problema.
Já pensaram alguma vez que o problema poderia vir da direcção e não do “banco”?
Um exemplo vivo de que os maus começos nem sempre ditam insucesso é Sir Alex Fergusson, treinador do Manchester United. É importante relembrar que até alcançar a sua primeira vitória na Premier League, o escocês esperou sete anos (de 1986 a 1992). Contudo, hoje é visto como um dos melhores treinadores do mundo! A aposta da direcção do clube inglês, aparentemente fracassada perante os resultados iniciais, acabou por se revelar uma verdadeira vitória. E não foi só ao nível da equipa técnica, mas também ao nível do plantel que se tornou coeso e adoptou uma postura vencedora e própria; adquiriu uma personalidade característica que reflecte os ideais do treinador.
É obvio que a construção de um plantel personalizado e estável requer a manutenção de um treinador por mais de uma época. Para que os atletas sejam capazes de compreender, aceitar e interiorizar os princípios do treinador como se fossem seus, é preciso tempo!
Por outro lado, as contínuas trocas de treinador retiram a confiança dos jogadores na figura do técnico e dificultam a “aprendizagem” acima referida. Surge uma mentalidade baseada no facilitismo, pois os jogadores sabem que no final da época tudo mudará novamente e que aquilo que lhes é pedido de momento, não o será certamente solicitado na temporada seguinte.
Sei que quando um clube contrata um treinador, espera que este consiga manter ou elevar a prestação do mesmo a nível competitivo, mas se as coisas nas fluírem como deviam, então, antes de se partir para o extremo, deve-se avaliar as causas do insucesso e concluir se realmente a culpa é do treinador, se vale ou não a pena mantê-lo e se este tem condições para continuar. Esta na altura de se trocar a saída mais fácil, por uma verdadeira tentativa de resolver o problema.
Enquanto os clubes e adeptos acreditarem na espontaneidade das vitórias e tiverem memória curta (sim, porque na "hora da despedida" só os defeitos são assinalados), os resultados e os títulos continuaram a fugir a um ritmo cada vez maior, naquilo a que se pode chamar um verdadeiro ciclo vicioso!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Vingada na calha para substituir Cajuda

Depois da rescisão com Manuel Cajuda, o Vitória de Guimarães está no mercado à procura de um novo comandante para as suas tropas. Nelo Vingada é apontado como forte hipótese para o lugar, após ter abandonado recentemente o Al-Ahly (onde tinha substituído Manuel José há apenas uma semana), por motivos pessoais.

Domingos é o novo treinador do Sp.Braga

Domingos Paciência foi ontem apresentado como sucessor de Jorge Jesus no Sp. Braga. O técnico, que terminou no final desta época um ciclo de duas temporadas na Briosa, chega ao Minho cheio de vontade de tentar bater o 5º lugar alcançado pelos arsenalistas na época passada.
António Salvador, presidente do clube minhoto, justificou esta escolha dizendo que Domingos é um treinador: «à imagem do clube por estar associado a situações de pressão e a ganhar». O responsável máximo dos bracarenses afirmou ainda que o técnico de 40 anos: «foi sempre a primeira opção».
Domingos, por seu lado, afirmou-se motivado para este desafio dizendo que: «Estou num clube que se enquadra entre os quatro grandes, com mentalidade ganhadora. Venho com vontade de fazer melhor do que na época passada, ou seja, ficar acima do quinto lugar e fazer melhor na Liga Europa».
Veremos se Domingos será capaz de fazer esquecer o seu antecessor e se o Braga conseguirá intrometer-se na luta pelo titulo, algo que, só por si, significaria desde logo uma edição 2009/2010 de campeonato bem mais apetecível.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Adepto: uma arma essencial para alcançar o sucesso!

O sucesso de uma equipa passa também, como todos devem imaginar, pelo apoio concedido ao plantel por parte dos adeptos. Se os adeptos estão satisfeitos e aplaudem os feitos dos atletas, estes galvanizam e tornam-se cada vez mais confiantes, sentindo-se capazes de superar (quase) todos os desafios. Contudo, se a massa associativa se sentir revoltada e “virar as costas” à equipa, irá contagiar os jogadores com desânimo, insegurança e indignação, situação que conduzirá o grupo a resultados cada vez menos positivos, numa espécie de ciclo vicioso que culmina quase sempre com a troca de treinador.
Quando se chega a este ponto, grande parte daqueles que se encontram relacionados com o clube enchem-se de esperança e procuram o seu lugar no “novo começo”. Fruto desta euforia e do aparecimento de uma oportunidade para provar ao “recém-chegado” mister o seu valor, as exibições da equipa nos jogos imediatamente após a mudança melhoram e podem até surgir os tão desejados resultados. No entanto, este efeito (designado por chicotada psicológica) verifica-se a curto prazo e, por isso, quando a equipa regressa à rotina ”normal”, deixando para trás os “ventos de mudança”, voltam a aparecer as dificuldades e os maus resultados.
Ao contrário daquilo que a maioria das pessoas assume, a mudança de treinador no decorrer da temporada não é benéfica, pois contribui para destabilizar e perturbar cada vez mais, a longo prazo, o plantel. Tal como já foi referido, esta alteração apenas permite uma melhoria a curto prazo.
É certo que por vezes os treinadores não conseguem integrar-se no seio do grupo, gerando insatisfação e mal-estar no plantel, o que prejudica a qualidade exibicional. No entanto, mesmo neste caso, o despedimento nunca deve ser a primeira medida a ser aplicada. É fundamental que a direcção acompanhe o trabalho do treinador e que dialogue com o mesmo quando considerar que este não está a dar tudo pela equipa. Da mesma maneira, o mister deve estar atento e esforçar-se por dar a volta à situação. Só quando o dialogo falha é que se deve partir para o despedimento do mesmo. Este não deve ser um comportamento normal e rotineiro, mas antes o “último recurso”.
Através de tudo o que foi apresentado facilmente se conclui que é fundamental que os adeptos apoiem a equipa, não só nos bons, mas também nos maus momentos, demonstrando paciência e procurando criticar de forma reflectida e contextualizada. Devem ter em conta que os seus protestos efusivos e pouco razoáveis em nada contribuem para estabilizar a equipa, conduzindo-a antes para um beco sem saída. Quando a massa associativa não consegue adoptar esta postura e começa a danificar seriamente o trabalho produzido pelo treinador, a este não resta mais senão deslocar a equipa separando-a da confusão. Esta foi a situação verificada no Vitória de Guimarães e que levou Mister Cajuda a solicitar junto da direcção que a equipa se preparasse para o encontro com o Sporting de Braga em Quiaios, na Figueira da Foz. Longe do tumulto que os adeptos do clube têm proporcionado e num ambiente neutro, Cajuda procura reforçar os laços entre o grupo e ao mesmo tempo transmitir-lhes tranquilidade, aumentando assim a concentração do plantel nos desafios que se seguem.
Como se pode verificar, a acção da massa associativa sobre o conjunto “por quem sofrem” é essencial na obtenção de estabilidade e força psicológica que permitam alcançar resultados positivos. Assim sendo, está na altura dos adeptos moderarem os seus comportamentos, aprenderem a realizar juízos de valor contextualizados e críticos e a protestarem de forma correcta e coerente. Ser adepto não é “bater palmas” quando tudo corre bem e gritar insultos quando as dificuldades aparecem! Ser adepto é muito mais que isso: é saber proporcionar à equipa um ambiente positivo e ajudá-los a sentirem o símbolo e a mística do clube!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Manutenção do Treinador: uma arma para o sucesso!

Cada treinador é caracterizado por certos métodos, princípios e um modelo de jogo. Pode-se mesmo afirmar que não existem dois técnicos iguais. Por esse motivo, a manutenção do "Mister" no clube torna-se um factor essencial para alcançar o sucesso.
Formar um colectivo coeso, consistente e capaz de evoluir, adaptando-se a novas situações e ultrapassando os obstáculos, exige trabalho, dedicação, paciência e tempo. Se mudarmos de treinador assim que a equipa soma um resultado negativo ou no final de cada época, nunca conseguiremos obter um plantel maduro e vencedor. Isto porque, e tal como já foi referido, com a chegada de um novo técnico tudo se altera: as rotinas, a constituição do plantel, a estrutura dos treinos... Para além do espírito de grupo ser abalado. É, por isso, fundamental ser tolerante e paciente em relação ao trabalho do técnico, apoiando-o!
Um exemplo claro do sucesso que pode advir da manutenção do "Mister" é o caso do Manchester United. Sir Alex Ferguson é técnico do clube há cerca de 22 anos, tendo já passado por momentos menos felizes ao seu serviço: chegou ao clube em 1986 e apenas conseguiu conquistar a sua primeira vitória na Premier League em 1992. Apesar da demora em alcançar o topo, a direcção apostou na conservação do Escocês. Boa escolha, tendo em conta os 10 Campeonatos, 5 FA cups, 8 Super Taças de Inglaterra, 2 Taças da Liga, 2 Ligas dos Campeões, 1 Taça das Taças, 1 Super Taça Europeia, 1 Taça Intercontinental e 1 Mundial de Clubes que já levou o Man United a conquistar.
É certo que existem circunstâncias em que a manutenção do treinador não faz sentido, pois acaba por prejudicar a equipa. Importa, por isso, realçar que a ligação entre "Mister" e clube deve ser mantida apenas enquanto o técnico se sentir realizado e satisfeito no seio da equipa, defendendo os seus interesses sempre com a mesma convicção! O importante não é "manter por manter", mas fazê-lo enquanto a colaboração entre ambos os lados se demonstra produtiva!
Enfim, nem o melhor treinador do mundo seria capaz de criar a equipa perfeita em apenas uma época, sem sofrer derrotas ou empates. Falhar faz parte do percurso de qualquer equipa em crescimento. Afinal, é com os erros que se aprende! Acima de tudo, é preciso compreender que o processo "educativo" do plantel não é instantâneo, dando tempo e apoio ao "Mister" para fazer o seu trabalho!