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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ainda se lembra de...Dennis Bergkamp

No início de mais uma semana relembra-mos um dos mais fantásticos médios da história do futebol mundial e holandês, que deixava sempre todos de boca aberta com a "magia" que saía dos seus pés e com muitos golos de variadíssimas formas.


A escola do Ajax

Dennis Nicolas Bergkamp nasceu a 10 de Maio de 1969, em Amesterdão e foi lá que aos 12 anos entrou para a escola de formação do Ajax. Depois de ter jogado em todos os escalões, a chegada aos seniores deu-se a 14 de Dezembro de 1986 pela mão de Johan Cruyff, tendo jogado por quatorze ocasiões, uma das quais entrando a meio da final da Taça das Taças em 1987, ganha pelo Ajax por 1-0 frente ao Lokomotiv de Leipzig. Três anos depois Berkgamp era já um titular indiscutível da equipa e o título de campeão holandês chegaria no fim da temporada, para dois anos depois vencer a Taça UEFA. No seu último ano ao serviço do Ajax, Bergkamp conquistaria também a Taça da Holanda, marcando um total de 122 golos em 239 jogos, nesta altura os colossos europeus já o seguiam e o médio sabia que não ficaria por muito mais tempo em Amesterdão.


Curta passagem por Milão

Estávamos no verão de 1993, quando Dennis Bergkamp se mudou para Milão para jogar pelo Inter, o clube tinha pago ao Ajax 12 milhões de liras, sendo a segunda transferência mais cara da altura e só superada pelos 13 milhões dados pelo rival AC Milan ao Torino por Gianluigi Lentini. O percurso do jogador holandês não foi o melhor e nem uma nova conquista da Taça UEFA em 1995, fez melhorar as coisas. Bergkamp teve alguns problemas físicos e foi incapaz de se adaptar ao estilo de jogo italiano, a juntar a isso o conflito com colegas de equipa e principalmente com a imprensa transalpina, fizeram do holandês um mal amado em Milão, ao ponto da comunicação social, que semanalmente atribuía o prémio de "Burro da Semana", para o pior jogador da jornada, fizesse uma alteração no nome para "Bergkamp da Semana". Não foi por isso de estranhar que o jogador tivesse acabado por mudar de rumo.


Sucesso em Inglaterra

Em 1995 Dennis Bergkamp chegava a Londres para jogar ao serviço do Arsenal, a estreia deu-se a 19 de Agosto frente ao Middlesbrough e o primeiro golo surgiu sete jogos depois contra o Southampton. Aos poucos Bergkamp foi-se adaptando ao estilo de jogo britânico e cimentou o seu lugar na equipa ao fazer uma dupla de ataque com o inglês Ian Wright. Na temporada seguinte o holandês começou a mostrar todo o seu futebol, muito graças à chegada de Arsene Wenger a Highbury Park. As primeiras conquistas internas aconteceram um ano depois, com as vitórias na Taça da Liga e de Inglaterra, embora Bergkamp não tenha jogado a final da última devido a lesão e a mais importante de todas o campeonato inglês, no qual o médio apontou 16 golos. Surgiu depois um período de maior afastamento por parte do clube dos títulos, embora o médio holandês continuasse a demonstrar toda a sua classe, isso não foi suficiente para que em 2000 o Arsenal não fosse derrotado na final da Taça UEFA pelo Galatasaray, jogada em Istambul depois do 0-0 nos 120 minutos a partida seria resolvida a favor dos turcos por 1-4 nas grandes penalidades. Bergkamp que nunca escondeu o facto de ter medo de andar de avião, foi sozinho de comboio até à Turquia. No entanto a época de 2001-2022 voltaria a ser o ano de afirmação dos gunners, o título foi de novo para Highbury Park e Bergkamp esteve ao seu melhor nível, a temporada não terminaria sem a conquista da Taça de Inglaterra e a Supertaça. Em 2005 e já depois de conquistado mais um campeonato e outras tantas taças a nível interno, surgiram rumores de que o Arsenal não estaria disposto a renovar o contracto com o jogador e de que este poderia deixar os relvados e nem mesmo a vitória por 5-4 nos penalties frente ao Manchester United na Taça de Inglaterra, aliada ao interesse do Ajax em querer trazer Bergkamp de volta, pareciam fazer com que os gunners aceitassem novo vínculo com o jogador. Foi então que Arsene Wenger criou um contracto personalizado para jogadores acima dos 30 anos, para que dessa forma o holandês pudesse permanecer mais um época em Londres. A 16 de Abril de 2006, o velhinho Highbury Park esgotou para assistir ao último jogo da equipa e de Dennis Bergkamp naquele relvado, o adversário foi o West Bromwich Albion e o resultado final uma vitória por 3-1 do Arsenal, com o terceiro golo a ser apontado por Berkgkamp, acabava assim uma carreira de 20 anos de futebol. Essa época não terminaria sem que o clube londrino marcasse presença na final da Liga dos Campeões, onde seria derrotado pelo Barcelona por 2-1, numa partida disputada em Paris, Bergkamp voltou a viajar sozinho, desta vez de carro, enquanto o resto da equipa foi de avião.


Veja os melhores golos de Dennis Bergkamp




Ao serviço da Holanda

Dennis Bergkamp chegou à selecção principal holandesa a 26 de Setembro de 1990, contra a Itália. O primeiro grande torneio aconteceu no Euro 92, onde a Holanda cairia nas meias-finais frente à futura campeã Dinamarca nas grandes penalidades. O Mundial de 94 mostrou uma Holanda ao melhor nível só superada pelo Brasil nos quartos-de-final por 3-2, com Bergkamp a marcar um dos golos. O europeu de 96 foi um autêntico desastre para a selecção laranja, as muitas divergências entre jogadores levaram a nova eliminação nos quartos-de-final desta vez contra a anfitriã Inglaterra. Foi no Mundial de 98 em França que Bergkamp voltou a mostrar todo o seu futebol. Nos quartos-de-final contra a Argentina e quando todos já esperavam o prolongamento, um passe de 60 metros de Frank de Boer, levou a bola a ficar colada no pé direito do médio, que com o mesmo pé desviou o esférico de Ayala e com o ângulo já apertado sempre com o pé direito fez a bola entrar no poste mais distante da baliza argentina. A Holanda seria depois eliminada novamente pelo Brazil nas meias-finais por 4-2, após grandes penalidades. Chegou depois o Euro 2000, em que a Bélgica e Holanda dividiam as hospitalidades, Bergkamp mesmo não marcando qualquer golo, levou a equipa até nova meia final, onde voltaria a ser derrotada nos penalties, aos pés da Itália. Foi então que depois de terminada a partida, Dennis Bergkamp anunciou a sua renúncia à selecção.


Actualmente e Palmarés

Depois de se retirar dos relvados, Bergkamp recusou desde logo assumir um cargo como treinador de futebol, preferindo dedicar o seu tempo à familia, no entanto em 2008 e depois de tirar um curso de treinador em Londres, juntamente com Arsene Wenger, o ex-jogador regressou ao Ajax na função de técnico estagiário nas camadas mais jovens, por forma a ganhar experiência no banco. Ao longo da sua carreira como futebolista, Bergkamp fez um total de 661 encontros, tendo apontado 201 golos, conquistou 16 títulos pelos clubes onde actuou e 21 a nível individual, onde se destacam os de melhor jogador do ano na Holanda em 1991 e 1992, Inglaterra em 1998, bem como os de melhor marcador da Liga holandesa em 1991, 1992 e 1993 e da Taça UEFA em 1994.




sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ainda se lembra...de Ian Wright

Terminamos a semana recordando um dos melhores marcadores da década de 90, a sua capacidade física e finalização apurada fizeram dele o "terror" das balizas adversárias.


Um verdadeiro achado

Ian Edward Wright nasceu a 3 de Novembro de 1963, foi descoberto para o futebol por Peter Prentice, olheiro do Crystal Palace, que viu nele características de um grande avançado. Aprovado nos testes Ian Wright assinou contrato com o clube em 1985 três meses antes de completar 22 anos, a primeira época rendeu nove golos e uma parceria com o outro atacante, Marc Brighton levaram o Palace rumo à Premier League em 1989. Na segunda temporada no escalão máximo, Wright já contava com cem golos ao serviço do clube e a sua tremenda habilidade com a bola faziam dele um jogador temível, exemplo disso foi o penúltimo encontro do campeonato onde, Ian fez um hat-trick em dezoito minutos na partida com o Wimbledon. Ao todo foram 117 golos em 253 jogos e com este um currículo obviamente que a saída de Wright do Crystal Palace era uma questão de tempo, os colossos da liga inglesa cobiçavam-no.


Rei dos Gunners

Em 1991 Ian Wright dava o pulo para o Arsenal por um valor de 2,5 milhões de euros, o que na altura era um recorde do clube. A estreia não podia ter sido melhor, um golo frente ao Leicester para a Taça da Liga e um hat-trick contra o Southampton no primeiro jogo do campeonato, foram o prenúncio dos 29 tentos que lhe deram a bota de ouro no final da época. Nos seis anos que permaneceu em Londres, Ian Wright foi sempre o melhor marcador da equipa, que ajudou a levantar as Taças de Inglaterra e da Liga em 1993, fazendo o gosto ao pé em ambas as finais. Em 1994, o Arsenal ficava em quarto lugar no campeonato, mas via o esforço recompensado com o triunfo da extinta Taça das Taças, mesmo sem Wright que estava suspenso os gunners venceram o Parma por 1-0. Os dias de infortúnio estavam para chegar com a vinda de Bruce Rioch, que se incompatibilizou com o avançado, que chegou mesmo a entregar um pedido para se transferir, porém a vinda de Dennis Bergkamp, fez renascer por breves instantes o bom ambiente no clube. 1996 marcou o início da Era Wenger e Wright mesmo com 33 anos continuava a somar golos atrás de golos, com mais uma Taça da Liga. No ano de 98 o avançado tinha como objectivo levantar o troféu pela terceira vez consecutiva algo até aí inédito, só que depois de vencer o West Ham nos quartos de final, Ian Wright não pôde dar o seu contributo e o Arsenal foi eliminado pelo Chelsea. Em Julho desse ano o jogador anunciava a sua saída de Highbury Park.


Fim de carreira

Ian Wright mudou-se depois para o West Ham, mas o ano e meio ao serviço dos hammers não correu da melhor maneira. Os golos já escasseavam e o facto de ter sido acusado de vandalizar o balneário, após ter sido expulso num jogo frente ao Leeds, foram apenas os propulsores para deixar o clube. Foi já em 2000 e depois de curtas passagens por Nottingham Forest, Celtic e Burnley, que Ian Wright decidiu colocar um ponto final na sua carreira.


Selecção inglesa

A estreia de Ian Wright pela Inglaterra aconteceu em Fevereiro de 1991, com o técnico Graham Taylor, na vitória por 2-0 contra os Camarões no apuramento para o Euro92. No entanto o seleccionador apostou pouco no avançado e a chegada de Terry Venables depois do Itália 90, também não trouxe melhorias quanto à sua utilização, apesar de ter jogado quatro dos primeiros cinco jogos com o novo técnico. A "machadada" final deu-se quando Wright ficou fora dos eleitos do europeu de Inglaterra em 1996, mas a eliminação da equipa nas meias finais contra a Alemanha precipitou a saída de Venables. Chegava ao cargo Glenn Hoddle, que voltou a convocar o jogador quase dois anos depois da sua última chamada, o avançado marcaria quatro dos seus nove golos enquanto internacional sob a alçada de Hoddle. Ian Wright fazia agora parte do grupo que levou a Inglaterra ao França 98, marcando dois golos no triunfo por 4-0 contra a Moldávia. Depois do mundial, o avançado só voltaria a jogar pela selecção por duas ocasiões, a última das quais em Novembro de 2000 já com 37 anos, num amigável frente à República Checa.


Veja os melhores golos de Ian Wright




Palmarés

Ian Wright fez 501 jogos em toda a sua carreira, marcando 313 golos no somatório de todas as provas onde participou, a nível de clubes venceu uma Liga Inglesa, uma Taça das Taças, uma Taça de Inglaterra e duas da Liga. Enquanto individualmente conquistou duas botas de ouro e foi eleito em dois anos, 1993 e 1997 para o melhor onze do campeonato inglês.


Actualmente

Nos dias de hoje Ian Wright dedica-se a fazer comentários para várias rádios e estações televisivas inglesas, escrevendo também artigos relacionados com futebol.