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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ainda se lembra de...Dennis Bergkamp

No início de mais uma semana relembra-mos um dos mais fantásticos médios da história do futebol mundial e holandês, que deixava sempre todos de boca aberta com a "magia" que saía dos seus pés e com muitos golos de variadíssimas formas.


A escola do Ajax

Dennis Nicolas Bergkamp nasceu a 10 de Maio de 1969, em Amesterdão e foi lá que aos 12 anos entrou para a escola de formação do Ajax. Depois de ter jogado em todos os escalões, a chegada aos seniores deu-se a 14 de Dezembro de 1986 pela mão de Johan Cruyff, tendo jogado por quatorze ocasiões, uma das quais entrando a meio da final da Taça das Taças em 1987, ganha pelo Ajax por 1-0 frente ao Lokomotiv de Leipzig. Três anos depois Berkgamp era já um titular indiscutível da equipa e o título de campeão holandês chegaria no fim da temporada, para dois anos depois vencer a Taça UEFA. No seu último ano ao serviço do Ajax, Bergkamp conquistaria também a Taça da Holanda, marcando um total de 122 golos em 239 jogos, nesta altura os colossos europeus já o seguiam e o médio sabia que não ficaria por muito mais tempo em Amesterdão.


Curta passagem por Milão

Estávamos no verão de 1993, quando Dennis Bergkamp se mudou para Milão para jogar pelo Inter, o clube tinha pago ao Ajax 12 milhões de liras, sendo a segunda transferência mais cara da altura e só superada pelos 13 milhões dados pelo rival AC Milan ao Torino por Gianluigi Lentini. O percurso do jogador holandês não foi o melhor e nem uma nova conquista da Taça UEFA em 1995, fez melhorar as coisas. Bergkamp teve alguns problemas físicos e foi incapaz de se adaptar ao estilo de jogo italiano, a juntar a isso o conflito com colegas de equipa e principalmente com a imprensa transalpina, fizeram do holandês um mal amado em Milão, ao ponto da comunicação social, que semanalmente atribuía o prémio de "Burro da Semana", para o pior jogador da jornada, fizesse uma alteração no nome para "Bergkamp da Semana". Não foi por isso de estranhar que o jogador tivesse acabado por mudar de rumo.


Sucesso em Inglaterra

Em 1995 Dennis Bergkamp chegava a Londres para jogar ao serviço do Arsenal, a estreia deu-se a 19 de Agosto frente ao Middlesbrough e o primeiro golo surgiu sete jogos depois contra o Southampton. Aos poucos Bergkamp foi-se adaptando ao estilo de jogo britânico e cimentou o seu lugar na equipa ao fazer uma dupla de ataque com o inglês Ian Wright. Na temporada seguinte o holandês começou a mostrar todo o seu futebol, muito graças à chegada de Arsene Wenger a Highbury Park. As primeiras conquistas internas aconteceram um ano depois, com as vitórias na Taça da Liga e de Inglaterra, embora Bergkamp não tenha jogado a final da última devido a lesão e a mais importante de todas o campeonato inglês, no qual o médio apontou 16 golos. Surgiu depois um período de maior afastamento por parte do clube dos títulos, embora o médio holandês continuasse a demonstrar toda a sua classe, isso não foi suficiente para que em 2000 o Arsenal não fosse derrotado na final da Taça UEFA pelo Galatasaray, jogada em Istambul depois do 0-0 nos 120 minutos a partida seria resolvida a favor dos turcos por 1-4 nas grandes penalidades. Bergkamp que nunca escondeu o facto de ter medo de andar de avião, foi sozinho de comboio até à Turquia. No entanto a época de 2001-2022 voltaria a ser o ano de afirmação dos gunners, o título foi de novo para Highbury Park e Bergkamp esteve ao seu melhor nível, a temporada não terminaria sem a conquista da Taça de Inglaterra e a Supertaça. Em 2005 e já depois de conquistado mais um campeonato e outras tantas taças a nível interno, surgiram rumores de que o Arsenal não estaria disposto a renovar o contracto com o jogador e de que este poderia deixar os relvados e nem mesmo a vitória por 5-4 nos penalties frente ao Manchester United na Taça de Inglaterra, aliada ao interesse do Ajax em querer trazer Bergkamp de volta, pareciam fazer com que os gunners aceitassem novo vínculo com o jogador. Foi então que Arsene Wenger criou um contracto personalizado para jogadores acima dos 30 anos, para que dessa forma o holandês pudesse permanecer mais um época em Londres. A 16 de Abril de 2006, o velhinho Highbury Park esgotou para assistir ao último jogo da equipa e de Dennis Bergkamp naquele relvado, o adversário foi o West Bromwich Albion e o resultado final uma vitória por 3-1 do Arsenal, com o terceiro golo a ser apontado por Berkgkamp, acabava assim uma carreira de 20 anos de futebol. Essa época não terminaria sem que o clube londrino marcasse presença na final da Liga dos Campeões, onde seria derrotado pelo Barcelona por 2-1, numa partida disputada em Paris, Bergkamp voltou a viajar sozinho, desta vez de carro, enquanto o resto da equipa foi de avião.


Veja os melhores golos de Dennis Bergkamp




Ao serviço da Holanda

Dennis Bergkamp chegou à selecção principal holandesa a 26 de Setembro de 1990, contra a Itália. O primeiro grande torneio aconteceu no Euro 92, onde a Holanda cairia nas meias-finais frente à futura campeã Dinamarca nas grandes penalidades. O Mundial de 94 mostrou uma Holanda ao melhor nível só superada pelo Brasil nos quartos-de-final por 3-2, com Bergkamp a marcar um dos golos. O europeu de 96 foi um autêntico desastre para a selecção laranja, as muitas divergências entre jogadores levaram a nova eliminação nos quartos-de-final desta vez contra a anfitriã Inglaterra. Foi no Mundial de 98 em França que Bergkamp voltou a mostrar todo o seu futebol. Nos quartos-de-final contra a Argentina e quando todos já esperavam o prolongamento, um passe de 60 metros de Frank de Boer, levou a bola a ficar colada no pé direito do médio, que com o mesmo pé desviou o esférico de Ayala e com o ângulo já apertado sempre com o pé direito fez a bola entrar no poste mais distante da baliza argentina. A Holanda seria depois eliminada novamente pelo Brazil nas meias-finais por 4-2, após grandes penalidades. Chegou depois o Euro 2000, em que a Bélgica e Holanda dividiam as hospitalidades, Bergkamp mesmo não marcando qualquer golo, levou a equipa até nova meia final, onde voltaria a ser derrotada nos penalties, aos pés da Itália. Foi então que depois de terminada a partida, Dennis Bergkamp anunciou a sua renúncia à selecção.


Actualmente e Palmarés

Depois de se retirar dos relvados, Bergkamp recusou desde logo assumir um cargo como treinador de futebol, preferindo dedicar o seu tempo à familia, no entanto em 2008 e depois de tirar um curso de treinador em Londres, juntamente com Arsene Wenger, o ex-jogador regressou ao Ajax na função de técnico estagiário nas camadas mais jovens, por forma a ganhar experiência no banco. Ao longo da sua carreira como futebolista, Bergkamp fez um total de 661 encontros, tendo apontado 201 golos, conquistou 16 títulos pelos clubes onde actuou e 21 a nível individual, onde se destacam os de melhor jogador do ano na Holanda em 1991 e 1992, Inglaterra em 1998, bem como os de melhor marcador da Liga holandesa em 1991, 1992 e 1993 e da Taça UEFA em 1994.




segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ainda se lembra...de Gary Lineker

No início de mais uma semana recordamos um dos mais fantásticos avançados da história do futebol, que deixou a sua marca por todos os relvados onde jogou com os seus inúmeros golos e grande espírito desportivo.


Começo no clube do coração

Gary Winston Lineker nasceu a 30 de Novembro de 1960, em Leicester e foi no clube da terra que começou a jogar futebol em 1977, após deixar os estudos. A sua primeira grande conquista aconteceu três anos depois, quando levou a equipa a chegar à divisão máxima do futebol inglês, no entanto voltaria a descer, mas em 1983 o Leicester voltaria ao convívio dos grandes. E foi nessa temporada que Lineker se destacou ao ser o melhor marcador do campeonato com 24 golos, a cobiça de emblemas maiores aparecia e a sua permanência na cidade que o viu nascer começava a ser uma miragem. Em 1985 uma proposta de 800 mil euros por parte do Everton, levaram Lineker para a equipa de Liverpool e a estreia não podia ser melhor, já que na primeira época o avançado seria de novo o goleador principal da liga, desta feita com 30 golos que levaram o Everton ao segundo lugar. Nesse mesmo ano perdeu a final da Taça de Inglaterra para o rival Liverpool (que já havia conquistado o campeonato), por 3-1 com Lineker a dar vantagem à equipa. Com uma época ninguém todos esperavam que as seguintes fossem de afirmação para o Everton e que Lineker pudesse conquistar ainda mais títulos, no entanto o cenário seria bem diferente.


A mudança para Barcelona

Os "tubarões" da Europa seguiram as prestações de Lineker e o Barcelona acabaria por o contratar ao Everton por 2,200 mil euros. Habituado a fazer grandes inícios de época, Lineker não decepcionaria os seus adeptos blaugranas e marcaria 21 golos na sua primeira temporada, entre os quais um hat-trick na vitória por 3-2 frente ao Real Madrid. Em 1988 o barça conquistou a Taça do Rei, para no ano seguinte erguer a Taça das Taças e foi aqui que as coisas mudaram. Johan Cruyff passou Gary Lineker para o lado direito do ataque, deixando Mark Hughes a ponta de lança, ora o inglês não se adaptou e como tal foi perdendo o seu lugar na equipa o que levaria a regressar a Inglaterra.


Chegada ao Tottenham

Gary Lineker voltava a Inglaterra e o primeiro clube a querer contratá-lo foi o Manchester United, Alex Ferguson tinha levado Mark Hughes para o clube e queria juntar novamente os dois avançados, só que Lineker rejeitou a oferta acabando por assinar por três temporadas pelo Tottenham. Como de costume na primeira época foi o melhor marcador com 24 golos e a conquista da Taça de Inglaterra, que voltaria a vencer no ano seguinte. No último ano ao serviço dos spurs, Lineker apontou 28 golos, ficando apenas a um de Ian Wright, mas apesar da boa prestação a equipa londrina acabaria o campeonato numa modesta 15ª posição.


Encerrar de carreira no Japão

Em 1992 Gary Lineker mudava-se para o outro lado do mundo, para o Japão onde actuaria pelo Nagoya Grampus Eight. O avançado faria somente 23 encontros, já que uma lesão o levaria a colocar um ponto final na carreira no Outono de 1994.


Ao serviço da selecção

Gary Lineker fez a sua primeira internacionalização em 1984, num jogo frente à Escócia. O Mundial de 86 deu ao inglês o título de melhor marcador com seis golos em cinco jogos, entre os quais um hat-trick frente à selecção da Polónia. A Inglaterra seria eliminada nos quartos de final, pela Argentina e a "mão de Deus" de Diego Maradona. No Euro88 Lineker ficaria a zero em golos e falharia os jogos da fase de grupo, por sofrer de uma hepatite, deixando para o Itália 90 a sua melhor prestação com a equipa. Com quatro golos, o avançado inglês ajudou a Inglaterra a chegar às meias finais e depois de estar a perder por 1-0 frente à Alemanha, Lineker empataria o jogo, levando-o para as grandes penalidades onde os alemães seriam mais felizes. Mais tarde o avançado inglês proferiu uma frase que ainda hoje se ouve, "o futebol é um jogo simples, 22 homens correm atrás da bola durante 90 minutos e no fim ganha a Alemanha", a sua última prestação ao serviço da Inglaterra aconteceu no europeu de 92. Gary Lineker é dos poucos jogadores mundiais que se pode gabar de nunca ter levado um cartão amarelo ou vermelho em encontros pela selecção.


Veja os melhores golos de Lineker pela Inglaterra




Actualmente e Palmarés

Terminada a sua carreira futebolística, Gary Lineker é hoje um dos comentadores desportivos da BBC. Em 2002 teve um gesto da maior nobreza ao pagar do seu próprio bolso e em conjunto com uma angariação de fundos, salvou o seu clube do coração, o Leicester da falência. Nos relvados Gary Lineker fez um total de 466 jogos a nível de clubes tendo marcado 243 golos, enquanto pela selecção inglesa foi internacional por 80 ocasiões tendo feito o gosto ao pé 48 vezes. Individualmente foi o melhor marcador da Liga Inglesa em três anos e recebeu o prémio de futebolista mundial da época em 1985-1986 e 1991-1992.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ainda se lembra...de Guillermo Amor

Mais uma semana de futebol está a começar e com ela relembra-mos um jogador, que fazia a posição do chamado "carregador de piano", mas não foi por isso que não deixou saudades pelos relvados onde actuou.


Catalão de coração

Guillermo Amor Martinez nasceu a 4 de Dezembro, de 1967 em Benidorm, Espanha. Começou a jogar futebol nas camadas jovens do Barcelona, o médio que era apanha bolas do clube entretinha-se a dar toques com a bola e foi numa dessas ocasiões, que Johan Cruyff, na altura técnico dos catalães reparou nele. Depois de uma temporada no Barcelona B, onde jogou 49 jogos, marcando dez golos, a chegada à equipa principal aconteceu em 1988 e rapidamente pegou de estaca no onze do treinador holandês. A temporada terminou com a conquista da Taça das Taças, derrotando na final a Sampdória por 2-0. O começo da década de 90 foi de ouro para Amor, que conquistaria quatro campeonatos seguidos e uma Liga dos Campeões em 92. O espanhol acabaria por permanecer em Camp Nou até 1997, com a chegada do novo treinador Louis Van Gaal.



Passagem por Itália antes do fim da carreira

Amor viajou depois para a Florença, onde jogou por duas épocas ao serviço da Fiorentina, mas nunca se conseguiu impor na equipa titular, jogando apenas 29 encontros. Esse factor fez com que em 2000, regressa-se a Espanha para vestir a camisola do Villarreal, que tinha acabado de subir há 1ª divisão. O fim da carreira aconteceu em 2003, ao serviço do Livingston da Escócia, tendo realizado somente três partidas, sendo a melhor a de estreia com uma vitória por 3-1 contra o Lions, evitando a descida de divisão.



Ao serviço da La Roja

Guillermo Amor foi internacional espanhol por 37 vezes e marcou quatro golos, a estreia deu-se a 14 de Novembro de 1990, na derrota espanhola por 3-2 contra a antiga Checoslováquia. Amor faria parte das escolhas para o Europeu de 96, onde a 18 de Junho marcaria o tento decisivo na vitória da Espanha por 2-1 frente à Roménia, apurando a selecção para os quartos de final. Estaria também presente no Mundial de 98 e seria nesse ano, que a 5 de Setembro Amor actuaria pela última vez com a camisola roja, em nova derrota por 3-2 desta com a congénere cipriota, num jogo de qualificação para o Euro 2000.


Golo de amor ao Real Madrid que valeu o título ao Barcelona




Actualmente

Guillermo Amor fez 458 jogos, tendo marcado 58 golos. Depois de abandonar os relvados, esteve durante quatro anos, até 2003 como responsável das camadas jovens do Barcelona, acabando por sair com a chegada do novo presidente Joan Laporta e curiosamente com a saída do mesmo, Amor regressou este ano ao clube do coração para ser o director técnico da formação catalã.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ainda se lembra...de Dejan Savicevic

No começo de uma nova semana trazemos em memória, um dos jogadores que marcou o futebol sérvio não apenas nos últimos anos, como em toda a sua história e que criou momentos que jamais serão esquecidos.


Uma estrela em ascensão

Dejan Savicevic nasceu a 15 de Setembro de 1966, Titograd, Montenegro na antiga Jugoslávia e desde cedo mostrou ter uma grande afinidade para a arte do futebol. Aos 15 anos começou a jogar na equipa da sua terra natal, mudando-se depois para o Buducnost da Primeira Liga e por lá jogou seis temporadas, marcando 35 golos em 131 jogos. Ora esses números levaram a que, com 21 anos Savicevic se transferi-se para um dos mais poderosos clubes do país, o Estrela Vermelha, decorria o ano de 1988. A primeira temporada não correu da melhor forma, já que foi obrigado a cumprir o serviço militar, tendo apenas ordem para jogar nos jogos das competições europeias ou da selecção nacional. Savicevic fez a sua primeira apiração pela equipa de Belgrado em Setembro, na partida inaugural da Liga dos Campeões, frente ao Dundalk da Irlanda e a estreia não podia ter sido melhor, vitória por 3-0, com o avançado a marcar um dos golos. Viriam depois os jogos a eliminar e Savicevic apareceu para defrontar o AC Milan, após uma igualdade a um nos dois jogos, a partida foi resolvida na Jugoslávia na marcação de grandes penalidade, com os italianos a levarem a melhor por 4-2, com Savicevic a falhar um dos castigos máximos. Porém as temporadas seguintes seriam de consagração para Dejan, que ajudaria o Estrela Vermelha a vencer três campeonatos consecutivos, 89/90, 90/91 e 91/92, além de duas Taças Jugoslavas e uma Liga dos Campeões.



Entre a luz e o ofuscar de Itália

Consagrado na Jugoslávia, chegava a hora de Savicevic mudar de ares e rumar até Itália, para aqueles que viriam ser mais anos de conquistas e glória. Em 1992, o AC Milan pagou ao Estrela Vermelha 9,4 milhões de euros pelo passe do jugoslavo, para o juntar a um plantel, que também via chegar Jean-Pierre Papin, Zvonimir Boban, Gianluigi Lentini e Stefano Eranio. A estreia na Seríe A, aconteceu a 13 de Setembro, dois dias antes de fazer 26 anos, com Fábio Capello ao comando, o Milan renovaria o título de campeão, mas com Savicevic a passar em segundo plano jogando apenas dez e jogos e apontando quatro golos. Dejan não se conseguia impôr na equipa rossoneri, já que naquela época imperava a lei da UEFA de só poderem actuar três estrangeiros no onze inicial e com Van Basten, Gullit, Rijkaard, Papin, Boban, o médio ofensivo via o seu espaço reduzido. A relação entre Capello e Savicevic não era das melhores e o ponto de ruptura aconteceu, quando o jogador ficou fora dos convocados para a final da Liga dos Campeões de 1993, frente ao Marselha, em Munique. Mas eis que a na época seguinte as coisas mudariam a favor de Savicevic, já que Van Basten, Rijkaard e Gullit abandonavam San Siro, deixando o trio de estrangeiros entregue a Boban, Papin e Savicevic. Embora não fosse ainda um titular indiscutível e mesmo sem marcar qualquer golo nos vinte encontros em que participou na Serie A, a grande visão de jogo e técnica do médio criativo, levaram o Milan ao scudetto e a mais uma conquista da Liga dos Campeões, coroando a sua exibição com um chapéu fantástico a Zubizarreta na vitória por 4-0 frente ao Barcelona de Johan Cruijff. Ainda assim a sua relação com Capello permanecia inalterável, valendo a Savicevic um excelente entendimento que tinha com o presidente Sílvio Berlusconi, que o apelidaria de Il Genio. A temporada de 94/95, deixou o AC Milan a meio da tabela no campeonato, mas a nível europeu a equipa chegaria pelo terceiro ano consecutivo à final da Liga dos Campeões, antes nas meias finais Savicevic marcou dois dos três golos, com que o clube eliminou o Paris Saint-Germain, mas falharia a final por lesão, embora o médio tivesse insistido que estava em condições de jogar. No jogo decisivo o Milan acabaria por cair ao pés do Ajax e de um golo de Patrick Kluivert a cinco minutos do fim. Dejan Savicevic abandonaria Itália em 1998, levando consigo 144 jogos e 34 golos, mais sete títulos, entre os quais três campeonatos, uma Liga dos Campeões e uma Supertaça Europeia. Apesar de toda a sua técnica, visão de jogo e dedicação ao clube, a imprensa transalpina acusou sempre o médio de nunca se esforçar em encontros contra equipas mais fracas e de querer apenas sobressair nos grandes encontros.




Fins de carreira

Dejan Savicevic teria uma nova passagem muito rápida pelo Estrela Vermelha em 1999, jogando somente três jogos, mudando-se logo a seguir para Viena onde actuaria ao serviço do Rapid por duas épocas, não tendo conquistado qualquer título, marcando 25 golos nos 44 jogos disputados e foi em Maio 2001, que decidiu pendurar as botas para seguir carreira como treinador. O seu primeiro cargo foi nada mais nada menos, do que comandar a selecção da já Sérvia e Montenegro, nas poucas esperanças de ainda estar presente no Mundial de 2002. A selecção precisava de vencer na Rússia para ainda lutar pelo segundo lugar no grupo, mas o empate 1-1 comprometia ainda mais o apuramento. Seguiram-se depois três triunfos, até ao jogo decisivo frente à Eslovénia, o triunfo era imperial, mas mesmo a jogar em casa os sérvios não foram além de nova igualdade a um golo, ficando assim fora do Campeonato do Mundo. Savicevic colocou então o lugar à disposição o que não foi aceite pelos membros da Federação, que o convenceram a liderar a selecção rumo ao Euro 2004. Só que após uma derrota embaraçosa por 1-2 frente ao Azerbeijão, o ex-futebolista acabaria mesmo por abandonar o cargo, com um registo de quatro vitórias, onze derrotas e dois empates.




As melhores jogadas, os golos e fintas de Savicevic






Ao serviço da selecção

Savicevic fez a sua estreia pela antiga Jugoslávia a 26 de Outubro de 1986, quando ainda jogava no Buducnost, num jogo do apuramento para o Euro 88 frente à Turquia, marcando o quarto golo na vitória por 4-0. No entanto o técnico Ivica Osim, com que teve uma relação conturbada não o convocaria para o importante jogo diante da Inglaterra, que acabaria com o triunfo inglês por 2-0. O jogador teria de esperar um ano para voltar a ser chamado à selecção, num jogo frente à Irlanda do Norte, com vitória jugoslava por 3-0. Tudo isto deixava para Belgrado novo encontro marcado frente aos ingleses, para decidirem qual deles estaria presente no europeu. Savicevic voltou a não ser chamado e a Inglaterra goleou por 1-4. Seguiu-se depois a qualificação para o Itália 90, com Savicevic a cumprir o serviço militar a sua chamada à selecção chegou apenas no jogo frente à França, entrando na segunda parte para dar a volta ao jogo. A perder por 1-2 Savicevic pegou na bola e fez duas assistências para Susic e Stojkovic darem o triunfo à equipa. Esta exibição deixou por momentos o técnico Osim rendido ao médio, que já havia cumprido o serviço militar, coroando o seu regresso com hat-trick na goleada por 4-0 ao Chipre. Só que nos encontros da segunda volta Savicevic voltaria a não ser convocado, mas isso não impediu a Jugoslávia de se qualificar para o Mundial, já que a vitória no último jogo por 1-0 frente aos norugueses, aliada ao surpreendente triunfo da Escócia em Paris por 0-3, deu aos jugoslavos o primeiro lugar no grupo. O Itália 90 porém não trouxe melhoras no que à participação de Savicevic na equipa diz respeito, no jogo inaugural a Jugoslávia sofria uma pesada derrota por 4-0 frente à futura campeã Alemanha, mas os triunfos sobre a Colômbia e Emirados Árabes Unidos deram a passagem para a fase a eliminar, tudo isto com Savicevic a jogar apenas a jogar no encontro frente aos germânicos. Nos oitavos de final a Jugoslávia defrontava a Espanha, com Savicevic a ser suplente utilizado e a sofrer a falta, sobre a qual Stojkovic marcaria o golo da vitória por 1-2 no prolongamento. Apesar do seu bom desempenho, o médio foi novamente suplente no jogo dos quartos de final frente à Argentina, entrando apenas na segunda parte, com o resultado empatado a zero e a jogar com menos um, a Jugoslávia conseguiu levar o jogo para as grandes penalidades, perdendo por 3-2.




Actualmente e Palmarés

Em 2004 Dejan Savicevic assumiu a liderança da Associação de Futebol de Montenegro, cargo que ocupa nos dias de hoje. Ao longo da sua carreira de jogador, fez 394 jogos, marcou 117 golos e foi internacional por 56 ocasiões tendo apontado 19 golos. Conquistou quatorze títulos a nível de clubes, destacando-se as duas Liga dos Campeões e ficou no segundo lugar na corrida à Bola de Ouro em 1991, tendo no mesmo ano sido eleito o melhor jogador da Jugoslávia.

sábado, 23 de outubro de 2010

Ainda se lembra...de David Ginola

Na rubrica de hoje relembramos aquele a que se pode chamar um homem não dos sete mas dos três oficios, já que juntou a excelente de carreira de futebolista com a sétima arte e moda.

Os primeiros toques


David Karl Ginola nasceu a 25 de Janeiro de 1967 em Gassin, França e foi precisamente em terras francesas que começou a dar os pontapés na bola. Em 1985, com 18 anos faz a sua estreia como sénior no Sporting Toulon, onde alinhou três épocas actuando em 82 jogos e marcando quatro golos. Seguiu-se depois o Racing Club Paris e o Brest, até que em 92 chega a um grande do campeonato, o Paris Saint-Germain. Aí foi campeão por uma vez, conquistou duas Taças de França e uma Taça da Liga. Estava então na altura de mudar de ares e voar para Inglaterra.



Uma carreira inglesa


Em 1995, David Ginola chegava ao Newcastle por 2,5 milhões de euros, no momento em que o técnico Kevin Keagan tinha o apoio da direcção, para contratar vários jogadores de renome internacional, de forma a levar o clube a patamares mais elevados. Ginola depressa se integrou na equipa, e juntos conduziram os 'magpies' ao segundo lugar da Premier League em 96, ficando no entanto um sabor amargo, já que ficariam quatro pontos atrás do Manchester United, quando em Janeiro o Newcastle liderava com mais dez que os 'red devils'. O Barcelona apareceu então com uma proposta para levar Ginola, que o clube recusou e mais tarde o francês viria a lamentar o facto de nunca ter jogado num grande clube europeu. Os 'magpies' voltaram a apostar forte na nova época, batendo o recorde de transferências, quando pagaram 15 milhões de euros pelos serviços de Alan Shearer. Contudo, apesar do investimento, o Newcastle seria novamente segundo classificado, novamente atrás do Man. United. Sem que nada o fizesse prever a meio dessa temporada de 97, Kevin Keagan abandonava os comandos da equipa, sendo substituído por Kenny Dalglish. O técnico inglês nunca se compatibilizou com Ginola e o médio acabaria por sair para o Tottenham.


O único título e mudança de clube


A chegada ao Tottenham por 2,5 milhões de euros deu a Ginola o seu único troféu por terras britânicas. Aconteceu em 1999, quando os 'spurs' derrotaram na final de Wembley o Leicester City por 1-0, levantando a Taça da Liga Inglesa. O jogador francês havia brilhado nas meias-finais ao marcar um dos três golos, com que o Tottenham venceu o Manchester United. Os adeptos viam em David um jogador de referência do clube e tinham por ele um enorme respeito e admiração, que viria a ser premiado, a 11 de Dezembro de 2008, aquando das comemorações dos 125 anos do Tottenham, Ginola foi introduzido no Hall of Fame. Depois de 100 jogos realizados pelos 'spurs' e treze golos marcados, o médio seria vendido por três milhões de euros ao Aston Villa. A notícia foi descrita como uma "bomba pelo próprio jogador, que se mostrou surpreendido por o Tottenham ter aceite a proposta do Villa. Com 33 anos, David Ginola tinha sido desafiado pelo presidente John Gregory a mostrar que ainda podia dar mais na Premier League, mas o facto é que a velocidade e técnica já não estavam iguais e Ginola faria apenas trinta e dois jogos pelo clube. Em 2002, depois de uma entrada dura sobre um adversário, foi suspenso por dois jogos e pagou uma multa de 22 mil euros, por ter uma acesa discussão com o quarto árbitro.


O fim da carreira no futebol


Nesse mesmo ano de 2002, David Ginola mudava-se para Everton, onde efectuaria somente cinco encontros, decidindo colocar um ponto final na carreira de jogador, após a chegada do ainda actual técnico David Moyes. Ginola marcou o seu futebol pela grande qualidade de passe e toque de bola, conseguindo fazer golos de várias zonas do relvado. Todos estes atributos levaram Johan Cruijff a considerar o médio o melhor jogador do mundo em 1999.



Pouco utilizado nos 'bleus'

Embora fosse considerado um dos grandes talentos franceses, David Ginola actuou apenas por dezassete vezes, tendo facturado por três ocasiões na selecção gaulesa. Um dos momentos que marcou a sua passagem pelos 'bleus', deu-se na partida de qualificação para o mundial de 94, quando num jogo em França frente à Bulgária e com o resultado empatado a um resultado que servia aos franceses, já perto do final uma bola perdida por Ginola deu a oportunidade de um contra ataque búlgaro, concluído em golo por Kostadinov. O técnico na altura Gerard Houllier atribuiu as culpas do desaire a Ginola, que passaria a ser mal visto pelos adeptos, sendo um dos factores que levou a sua mudança para Inglaterra. O novo seleccionador Aimé Jacquet, nunca levou o médio a qualquer fase final de um europeu ou mundial, tendo Ginola feito o seu último jogo pelo seu país em 1995.



Veja os melhores golos e jogadas de David Ginola






Moda, cinema e vinhos

Durante os anos em que actuou nos relvados, Ginola passeava também pelos desfiles de moda e muitos dizem que esse factor o envolveu em vários conflitos com os seus treinadores. Desde que deixou de jogar, o médio, para além dos desfiles, participou em dois filmes de cinema, sendo o último em 2005, de seu nome A Última Gota, um filme de guerra. Quando estava em Inglaterra, Ginola fez várias participações em publicidades de produtos para o cabelo, imagem que o jogador sempre cultivou e também de automóveis, além de ter ainda apresentado o primeiro euro milhões inglês. Em 2008, David Ginola recebeu a medalha de prata por um vinho produzido na sua herdade em Provence, na Taça Internacional de Vinhos. David Ginola é hoje promotor de memórias USB da empresa Kingston Digital Europe.



Palmarés


David Ginola fez 503 jogos e apontou 81 golos, tendo vencido quatro títulos colectivos e três a nível individual, todos na sua passagem por Inglaterra - melhor jogador da Liga Inglesa em 99 e de jogador do ano do clube em 98.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Cruyff está de regresso

O treinador holandês, Johan Cruyff, está de regresso à Catalunha, mas, desta feita, para treinar a selecção local. Cruyff treinou o Barcelona desde 1988 a 1996 e não mais voltou a assumir as rédeas de qualquer outra formação. Agora, após uma ausência de 13 anos, aquele que foi um dos melhores futebolistas de todos os tempos decidiu regressar a uma região onde foi muito feliz para dirigir a Selecção da Catalunha.
A Catalunha é uma comunidade autónoma de Espanha - da qual faz parte a cidade de Barcelona - que tem uma forte tradição independentista, tal como o Pais Basco. Recentemente foi efectuado um referendo em toda a região da Catalunha que expressou claramente a imensa vontade que a maioria dos naturais daquela região têm em separar-se da nação espanhola. Existem, inclusivamente, alguns jogadores catalães que sempre afirmaram que não queriam representar 'La roja' por não se sentirem espanhóis. Um dos exemplos mais mediáticos disso mesmo é Oleguer, atleta formado nas escolas dos 'blaugrana' e que actualmente representa o Ajax.
A Federação Catalã de Futebol já anunciou a contratação do timoneiro holandês que, assim, substitui Pere Gratàcos no cargo.