quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Erros de "casting"

Todos os anos, chegam a Portugal centenas de novos futebolistas, provenientes um pouco por todo o mundo, principalmente do Brasil (quase todas as equipas profissionais lusas, se não mesmo todas, têm brasileiros no plantel). Poucos ficam e têm sucesso, singrando no nosso futebol; muitos, pelo contrário, fracassam, revelando um nível exibicional muito aquém das expetativas e, consequentemente, voltam para o país de origem (caso cada vez mais recorrente).


Estas análises, usualmente, são feitas quando finda a temporada desportiva, lá para meados de maio. Porém, no início de setembro, dois nomes, após somente dois meses a servirem o seu novo clube, já revelaram ser verdadeiros erros de "casting": Welder e Bruno Cortez.

Bruno Cortez nasceu no Rio de Janeiro, a 11 de março de 1987, começando a jogar futebol em clubes modestos da sua área. Assim continuou (passou, inclusivamente, pelo Qatar) até 2011, quando o Botafogo, da primeira divisão brasileira, o resgatou aos secundários do Nova Iguaçu (por este emblema, havia brilhado no campeonato carioca). Na sua temporada de estreia na elite, o defesa-esquerdo surpreendeu o Brasil, com exibições muito bem conseguidas, revelando uma grande propensão ofensiva, dando profundidade ao corredor "canhoto" do "fogão". Perante isto, foi sem contestação que foi eleito para o onze ideal do Brasileirão sendo, ainda, considerado como a revelação da prova. Como resultado destas proezas, foi contratado, em 2012, pelo São Paulo (custou 3,3 M€), uma das hostes mais conceituados de toda a América e, no seu primeiro ano, não comprometeu sendo, inclusivamente, um dos mais utilizados no "tricolor", logrando a sua primeira internacionalização. Com tais registos, "choveram" críticas positivas de todas as direções, ao ponto dos ucranianos do Metalist terem efetuado uma proposta de compra do seu passe a rondar os 6 M€, instantaneamente rejeitada. Na época a seguir, todavia, o jogador de 26 anos voltaria "à Terra" já que, após exibições infelizes, foi, a par de companheiros seus, colocado à margem da equipa principal do São Paulo, após derrota num jogo a contar para a Taça dos Libertadores (competição muito prezada por aquelas bandas). Sem margem de manobra em território brasileiro, Bruno Cortez viu-se, nesta janela de transferências, obrigado a emigrar, surgindo o Benfica no horizonte, para o receber. Na Luz, tem dado seguimento aos erros cometidos anteriormente, tendo defraudado as expectativas dos dirigentes encarnados que, depois de apenas três partidas oficiais, tiveram necessidade de regressar ao mercado, para se reforçarem com um novo defesa-esquerdo (Guilherme Siqueira).

Já em relação a Welder, nasceu a 16 de janeiro de 1991 em Franca, São Paulo. Depois de boas temporadas nos juniores do Paulista, chega aos seniores em 2010 sendo, nessa época, figura importante (completou 37 jogos, apontando ainda 6 golos). Com 20 anos, muda-se para o Corinthians e, na sua estreia no "timão", sagra-se campeão brasileiro. Porém, não se conseguiu assumir como titular (era suplente) pelo que "deu um passo atrás" na tentativa de "dar dois em frente", rumando à segunda divisão brasileira, para debutar pelo Palmeiras. Todavia, o "fado" continuou, com Welder a ser constantemente preterido do onze inicial do "verdão". Novamente insatisfeito, o lateral direito abraçaria um novo projeto, endereçado pelo Sporting, onde chegou este verão, por empréstimo do clube antigamente treinado por Luiz Felipe Scolari. Contudo, bastaram apenas cerca de dois meses ao serviço dos "leões" para se transformar num autêntico "flop", com a agravante de não ter chegado a alinhar pelas hostes lisboetas. Perante a deceção que se tornou o jovem de 22 anos, a direção comandada por Bruno de Carvalho teve necessidade de, nas últimas horas do mercado, contratar o também defesa-direito Iván Piris, por empréstimo dos paraguaios do Atlético Maldonado.

Dois jogadores semelhantes (um joga pela direita e outro pela esquerda) revelam pouca qualidade defensiva (mesmo a atacar são muito limitados) e já são erros de "casting" (o que se comprova pelas apostas das direções dos rivais da segunda circular em outros elementos), mesmo que o espaço temporal entre o momento da sua transação e a atualidade seja bastante reduzido (pouco mais de dois meses, quanto muito). E, há que admitir, causa alguma estranheza os plantéis de dois dos três "grandes" de Portugal só terem fechado o plantel perto do final do mercado (em teoria, tudo deveria estar decidido antes da reta final da janela de transferências). 

No entanto, estes não serão casos virgens pois, até ao fim da época, muitas mais surpresas desagradáveis surgiram, haverá mais erros de "casting" mas, seguramente e infelizmente, os clubes não aprenderão com os erros cometidos (pensava-se que não apareceria um "novo" Emerson no Benfica e veja-se o que sucedeu...).


4 comentários:

Thiago Rodrigo Pereira da Silva disse...

Isso é um pouco cedo para apontar, apesar de eu concordar e não ficar surpreso caso ambos não dessem certos. Mas ainda assim, é preciso dar mais tempo aos dois e sequência de jogo. Se não houver evolução, aí sim, os técnicos dos dois clubes podem e a diretoria, podem sacramentar o erro cometido.

sesesese disse...

os grandes flops são os mexicanos do Porto uns 20 milhões , para nem sequer serem titulares na equipa B

Fernando Martinho Machado disse...

Thiago Rodrigo Pereira da Silva,

Eu mencionei esses dois nomes porque os clubes pelo qual debutam já contrataram outros jogadores para as suas posições (Piris no Sporting e Siqueira no Benfica), revelando serem más opções de mercado.

Thiago Rodrigo Pereira da Silva disse...

É, tens razão.