segunda-feira, 31 de março de 2014

Fernando, o herói silencioso


Não marca grandes golos, não faz grandes defesas, não faz fintas de levantar o estádio, mas discretamente, Fernando é, desde alguns anos para cá, um dos alicerces do FC Porto.

Tem um pulmão incrível e corre quilómetros a um ritmo estonteante durante os 90 minutos para estar no sítio certo. Se a equipa adversária ataca pela direita, lá vai ele para a direita encurtar espaço ao portador da bola, prevenir um desposicionamento, criar superioridade numérica ou cortar uma linha de passe. Se a equipa adversária ataca pela esquerda, idem.

Não tem a mesma qualidade técnica que William Carvalho, o dom de organizar a partir de uma posição tão recuada como Matic, ou a agressividade e capacidade no jogo aéreo que Javi García, mas no que concerne às características acima referidas, supera a concorrência.

Chamam-lhe o polvo, porque quando parece que um lance está perdido, a sua agilidade permite-lhe esticar a perna para fazer um corte, como se de um molúsculo se tratasse, a fazer uso do tentáculo.

A sua capacidade física e cultura tática conseguem segurar um meio-campo sozinho como poucos o fazem, por isso, não foi de estranhar que tenham relacionado uma possível saída de Fernando à inversão do triângulo do meio-campo portista esta época. A sua sucessão não implica um substituto, mas sim dois, e para jogar em simultâneo.

Até do ponto de vista técnico, tem crescido nas últimas temporadas, sobretudo com Vítor Pereira, e isso fê-lo estar mais próximo do último terço do terreno.

Silenciosamente, tem sido uma peça imprescindível nos azuis e brancos, mas foi talvez esse silêncio que o afastou do escrete. Agora, tem nacionalidade portuguesa e, isso já chegou aos ouvidos de Paulo Bento.

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