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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O leão mais difícil de render


Muito se tem falado sobre a possível saída de Slimani. O Trabzonspor, numa primeira instância, e o Leicester City, num segundo momento, foram noticiados como os principais interessados no concurso do ponta de lança leonino.

Caso se confirme a transferência, seja para onde for, o Sporting pode perder o seu talismã da segunda volta do campeonato. Mais do que um pinheiro na frente de ataque, é um avançado que dá luta aos centrais, com qualidade no jogo aéreo, capaz de resolver jogos por quando as exibições coletivas deixam a desejar.

Ter qualidade no jogo aéreo não é sinónimo de ter 190 cm. É ter a capacidade de colocar a bola fora do alcance do guarda-redes, de ter rodar o pescoço, de dar potência a um cruzamento pouco tenso, de se antecipar aos opositores e sobretudo, ser eficaz. Superslim, como é carinhosamente tratado pelos adeptos leoninos, tem tudo isso. Não se pode comparar a Purovic, Janko, Delibasic ou outros pontas de lanças que passaram pelo português, que apenas exibiram centímetros, mas deixavam a desejar em qualidade.

Também tem uma frieza assinalável, que garante golos, tanto a FC Porto e Benfica, como a uma equipa que luta para não descer.

Olhando para o plantel leonino, é complicado encontrar alguém tão difícil de substituir. Rui Patrício, mesmo tendo salvado tantas e tantas vezes o conjunto de Alvalade, não deixa de exibir fraquezas. Cédric é banal. Maurício e Rojo têm as suas fragilidades, embora disfarçadas pela consistência do coletivo. Jefferson é dos melhores laterais em Portugal mas não é nenhum Roberto Carlos. William Carvalho tem todo o potencial do mundo mas ainda necessita de amadurecer. O patrão Adrien ainda há duas temporadas era assobiado em Alvalade. André Martins é irregular, e Carlos Mané, Carrillo e Capel têm desempenhos intermitentes. Montero dá outro tipo de opções à frente de ataque, mas sem marcar, pode sentar-se no banco.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Acabaram-se as desculpas, Mou


Se José Mourinho passou a temporada passada com um discurso que apontava para que o Chelsea não fosse candidato a qualquer título, este ano o caso muda de figura.

O técnico português já formalizou a candidatura à sua terceira Premier League e conta com uma série de reforços que lhe aumentam a qualidade do plantel, mas também a exigência.

Quis um homem-golo, chegou Diego Costa e ainda um dos seus meninos bonitos, Didier Drogba, que para além da função de fazer balançar as redes, será, juntamente com Petr Cech e John Terry, um dos donos das chaves do balneário.

A vinda do costa-marfinense, nesse sentido, pode será fulcral, até porque Frank Lampard e Ashley Cole abandonaram o clube e com o aval do treinador. Os dois atletas, históricos nos blues, estão em final de carreira e foram substituídos pelo sangue novo de Cesc Fàbregas e Filipe Luis nas respetivas posições.

José Mourinho quis e David Luiz, com quem tinha mostrado algumas incompatibilidades no final da época passada, rumou a outras paragens, fazendo os londrinos encaixar €50 milhões. A verba, para já, ainda não foi utilizada na compra de um outro central, ou até de um médio-defensivo, posição que o brasileiro ocupou em grande parte do tempo. Para o eixo defensivo deverá mesmo chegar uma nova opção, até porque só há cinco opções credíveis na defesa: Azpilicueta, Terry, Ivanovic, Cahill e Filipe Luis. Depois, restam vários internacionais sub-21 mas pouco rodados ao mais alto nível, como Zouma (França), Nathan Aké (Holanda), Andreas Christensen (Dinamarca) e Todd Kane (Inglaterra).

Para o ataque abundam soluções, tal como na baliza. Pela primeira vez em catorze anos de carreira, o special one poderá escolher entre dois guarda-redes de topo: Petr Cech e Thibaut Courtois.

Com um plantel à imagem do que sempre sonhou, aumenta a pressão para José Mourinho. Passou dois anos em branco, está com uma imagem desgastada pelas constantes farpas que lança em várias direções e tem o mais invejável dos currículos: duas Ligas dos Campeões, às quais se juntam duas ligas em quatro anos e meio em Inglaterra. É verdade que Arsène Wenger conseguiu três, mas está no Arsenal há quase duas décadas.

Seria necessária uma enorme dose de criatividade para o setubalense justificar, em maio de 2015, nova travessia no deserto. Acabaram-se as desculpas, Mou.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Mesut Ozil: O génio intermitente

fifa.com
Se há jogador que fica bem no resumo de qualquer jogo ou numa compilação de momentos é Mesut Ozil. Passes extraordinários, visão de jogo fantástica e pormenores de excelência.
               
No entanto, um jogo não se esgota num resumo. Uma compilação de momentos é apenas uma amostra enviesada da real capacidade de um jogador. O médio-ofensivo germânico é um exemplo clássico.

A sua imagem percecionada não é real. Trata-se de um jogador que se desliga durante muito tempo do jogo durante os 90 minutos, pouco se dá por ele e parece estar muito apagado. No entanto, em um, dois ou três raros momentos, faz um passe que jamais alguém imaginaria e entrega um golo feito a um colega. Cristiano Ronaldo e Olivier Giroud que o digam.

No final da temporada, coleciona assistências e poucos o superam no panorama europeu. Aí surge o dilema que tem acompanhado José Mourinho, Arsène Wenger e Joachim Low. Que fazer a um futebolista que deveria estar a ter muito mais influência no jogo e que as coisas não lhe estão a correr bem? Substitui-lo? E quando se trata de Ozil, que em 90 minutos pode ter apenas um bom momento, mas ser nesse lance que a partida se resolve?

Quantas vezes foi visto a estar bem desde o pontapé de saída até ao apito final? A genialidade reconhecida vai disfarçando os seus sucessivos apagões, mas aos 25 anos, já se exige que apresente maior consistência e que apareça mais a assumir um papel fundamental na organização de jogo das equipas representa. Mas que não deixe de entregar golos feitos, claro.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Bola de Ouro para Neuer, sff!

fifa.com
Durante este ano, nomeadamente com a montra que é o Campeonato do Mundo, o alemão Manuel Neuer deixou de ser um candidato a melhor guarda-redes do planeta para se afirmar como o mais completo guardião à face da terra.
             
Nunca se ouviu tanto falar em 1x4x3x3 para se caracterizar uma equipa. Neuer é isso, o líbero que protege as costas da defesa com uma rapidez felina a sair da baliza e o primeiro homem da fase de construção, mostrando um à vontade impressionante a jogar com os pés.

Nas saídas aos cruzamentos exibe grande imponência em intercetar a bola no ar e agarrá-la com uma segurança de altíssimo nível. Quando é impossível agarrar o esférico, certifica-se que a soca para bem longe, não a deixando jogável para um adversário. É destemido nestas ações, e Higuaín que o diga.

É um líder nato, que comanda a sua defesa, e capaz de intervenções fantástica, fazendo lembrar um guarda-redes de andebol pelos reflexos ou até um jogador de voleibol pela forma acrobática com que impede que o esférico atinja o seu alvo.

Por muito ágeis e simpáticos que sejam Petr Cech, Gianluigi Buffon, Iker Casillas ou Thibaut Courtois, nenhum deles reúne todas estas características. Manuel Neuer é, por isso, o melhor e mais completo guarda-redes do mundo.

Tudo isto somado leva-nos a pensar há quanto tempo não se assistia a um guardião que primasse por roçar a perfeição em todos os aspetos, e de que forma se o pode condecorar para além da Luva de Ouro que recebeu no último Mundial.

Com o fracasso de Cristiano Ronaldo no Mundial, a intermitência de Lionel Messi e o problema disciplinar de Luis Suárez, será à altura ideal para devolver o prémio de melhor jogador do mundo a um guarda-redes?

Para além das exibições fantásticas, estamos a falar de um guardião que ganhou tudo em 2013/14 à exceção da supertaça alemã e da Liga dos Campeões e que, até confirmar o título germânico pelo Bayern, tinha apenas 13 golos sofridos em 26 jogos.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Muito mais do que Paulo Bento

fifa.com
Depois da dececionante campanha da seleção portuguesa, não faltou exigências para que Paulo Bento, o seu timoneiro, apresentasse a demissão. Mas será ele o verdadeiro culpado?
               

É verdade que podemos questionar as suas opções. Deixou de fora Ricardo Quaresma. Afinal, o mustangesteve em grande forma no final da época. Mas curiosamente, o FC Porto perdeu mais pontos desde a sua chegada. E há que realçar que Paulo Bento já foi seu colega, adversário e treinador. Há que lhe dar o benefício da dúvida.

Diz-se que não convocou um lateral-esquerdo de raiz para estar no banco. Entre todas as posições, afinal, era a única que não tinha duas opções descaradas. Pedia-se Antunes. Mas o selecionador convocou sensatamente André Almeida, por poder fazer os dois corredores. Numa triste coincidência, Fábio Coentrão lesionou-se e o próprio jogador do Benfica seguiu-lhe as pisadas.

As pessoas que pediam duas opções para cada posição fizeram ouvir o seu descontentamento, mas certamente se terão esquecido de outra triste coincidência. Só os guarda-redes e os pontas de lança apresentavam três galos para um poleiro. E não é que Rui Patrício e Beto, em determinados momentos se lesionaram? E não é que a Hélder Postiga e a Hugo Almeida aconteceu o mesmo?

As suas opções são questionáveis, mas não acredito que exista um lote consensual de 23. Salvo as devidas proporções, Paulo Bento fez o mesmo que Vicente del Bosque, que continuou a apostar numa geração que já tinha dado algumas alegrias. Não venceu nenhum Europeu nem nenhum Mundial, mas só se viu afastado da final do Euro-2012 nas grandes penalidades, o que para os recursos de um país pequeno e pobre à beira-mar plantado já tem um grande significado.

Na minha opinião, o principal problema da seleção nem foram as suas escolhas nem o local do estágio nem a chegada tardia ao Brasil. Falar nisso é tapar o sol com uma peneira.

O grande problema é um problema de base. Desde o Euro-2004, mas sobretudo a partir de 2008 e 2009, que os clubes portugueses de topo não têm apostado em jogadores… portugueses.

Benfica têm conseguido a proeza de começar jogos sem um único atleta luso em várias épocas e o FC Porto, sem João Moutinho, também o fez em 2013/14. O Sporting pós-Paulo Bento chegou a apresentar essa situação, que entretanto se contrariou com Bruno de Carvalho, mas que pode não durar para sempre, tendo em conta os reforços contratados.

A geração de ouro, que esteve a um passo da final do Euro-2000, era constituída pelo núcleo duro que tinha participado nas conquistas dos Mundiais de Sub-20 em 1989 e 1991, mas também por outros nomes que iam emergindo a cada temporada no futebol português: Quim, Pedro Espinha, Secretário, Rui Jorge, Dimas, Vidigal, Sérgio Conceição, Nuno Gomes e Sá Pinto são alguns exemplos.

Essa equipa, que até falhou o apuramento para o Mundial-1998, dava-se ao luxo de deixar de fora alguns atletas que até eram importantes nos três grandes, casos de Pedro Barbosa, Paulinho Santos, Calado ou Paulo Madeira.

Para este Campeonato do Mundo, foram chamados André Almeida e Rúben Amorim, habitualmente suplentes do Benfica, e até Éder, que não tem sido titular no SC Braga, sobretudo a partir da chegada de Rusescu. E atenção, estes três nomes até são, muito provavelmente, melhores do que quaisquer outros convocáveis para as funções que desempenham na seleção.

Os clubes portugueses procuram comprar barato no estrangeiro e tentar rentabilizar os ativos, e verdade seja dita, têm chegado longe nas competições europeias e surpreendendo a Europa do futebol pela sua posição no Ranking UEFA. É compreensível.

O que não é compreensível é a passividade da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga de Clubes, que perante este cenário, a única real medida que toma é impor a utilização de pelo menos dois (onde isto chegou…) portugueses na Taça da Liga. As equipas bês voltaram, só podem utilizar de cada vez três atletas com idade superior a 23 anos, mas escasseiam regulamentos relativamente às suas nacionalidades.

Por muito que se fale em renovação da seleção, só é possível fazer-se não olhando apenas para o valor dos futebolistas que integram as camadas jovens (nomeadamente os sub-21) mas sobretudo criar condições para que tenham o seu espaço ao mais alto nível, em Portugal. Sugere-se, portanto, uma regulamentação que proteja o jogador português. Se as entidades que regulam o futebol no nosso país tanto têm feito para fortalecer os principais clubes (introdução das equipas bês na II Liga), está na altura de exigir que esses emblemas deem algo pela federação, e mais concretamente, pela seleção nacional AA.

Impor a utilização de um número mínimo de jogadores portugueses numa equipa, tanto num jogo como em termos de inscrição, será o primeiro passo para uma renovação, até porque há Ivan Cavaleiro, João Mário, Tozé, Bernardo Silva, Tiago Ferreira e outros, com qualidade e sede de vencer, precisam de espaço. Se não se tomarem medidas imediatas, Portugal poderá ficar fora de uma grande competição, e aí, será tarde demais.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Os efeitos da análise SWOT de Louis Van Gaal

fifa.com
Um incidente violento num treino, entre os titulares Bruno Martins Indi e Arjen Robben, em articulação com uma não autorizada saída noturna de Dirk Kuyt, Nigel De Jong e Wesley Sneijder, faziam antever uma campanha desoladora no Mundial.

Aliada à rebeldia no seio da seleção holandesa estava também a inexperiência de grande parte dos seus jogadores, ilustres desconhecidos no panorama internacional, nomeadamente, no setor defensivo. Os nomes de maior cartel são os das posições de ataque, com os conceituados Sneijder, Robben e Van Persie à cabeça.

Mas não era só uma questão de nome ou de estatuto, a Holanda sempre nos habituou a dar mais garantias a atacar do que a defender.

Louis Van Gaal juntou dados, e à boa maneira de um gestor, fez uma autêntica análise SWOT ao que tinha à sua disposição.

Certamente terá identificado nos seus homens de ataque os pontos fortes e, nos da retaguarda, os mais fraco.

Praticar um futebol dígono da escola holandesa, patente desde os tempos do futebol total de Johan Cruijff, poderia ser uma ameaça. Pressionar alto, com um bloco subindo e estendido pelo terreno, e praticar um estilo de jogo aberto, dando ênfase à posse de bola, com constantes trocas posicionais, seria um risco com tais inexperientes individualidades.

Sacrificar uma ou outra unidade de cariz ofensivo para garantir equilíbrio defensivo, seria a oportunidade para o futuro treinador do Manchester United formar uma equipa consistente e que desse garantias nos quatro momentos do jogo.

O 4x3x3 ficou na gaveta, e começou a ser testado um 5x3x2 como nunca se viu no país das tulipas.

O ADN da laranja mecânica foi posto de lado, com três centrais a ocuparem bem os espaços à entrada da sua área, dois laterais que corressem tão ou mais depressa para trás do que para a frente, uma unidade no meio-campo com vocação para destruir jogo (De Jong), outro ligeiramente mais ofensivo, mas também acima de tudo consistente (De Guzmán) e por fim, um ‘10’ (Sneijder) nas costas de dois atacantes de classe mundial (Robben e Van Persie).

Momento defensivo com um bloco mais próximo da sua área, com cinco unidades na linha mais recuada, para não abrir tantos ‘buracos’ como no Euro-2012 e muita pressão a meio-campo, tentando reduzir os espaços ao adversário.

A posse, circulação e paciência que marcavam os momentos ofensivos foram substituídos pela verticalidade, velocidade e pragmatismo.

Contra a Espanha, o (ainda não consolidado) quinteto defensivo abriu espaços por diversas ocasiões. E em alguns desses lances, Diego Costa ganhou a grande penalidade que deu o 1-0 e David Silva esteve perto do 2-0. No entanto, notou-se uma melhoria nesse aspeto, e salvo as exceções já citadas e pouco mais, o ataque dos campeões europeus e mundiais foi neutralizado.

No aspeto ofensivo, cinco (ou até menos) passes bastaram para levar a bola de uma área à outra, e isso foi particularmente visível nas jogadas do 1-1 e 1-2.

Resultou. Mas se não tivesse resultado, a equipa permaneceria equilibrada atrás.

A progressão rápida e em poucos toques funcionou contra uma seleção claramente ofensiva e que defende em bloco alto, deixando espaço nas costas da linha mais recuada. Esse espaço foi aproveitado pela rapidez, frieza e eficiência de Van Persie no tento do empate, que conjugou perfeitamente o timing da sua desmarcação com do cruzamento de Blind.

A incógnita agora é perceber se a Holanda irá manter o estilo contra uma formação previsivelmente mais defensiva, como a Austrália, que é a próxima adversária. Voltará a ter sucesso dessa forma? Ou voltará a ser a laranja mecânica que «joga como nunca mas perde como sempre»?

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Diego Costa: O homem que escolheu o caminho mais difícil


São inúmeros os casos de futebolistas brasileiros que, perante a dificuldade para jogar pelo escrete, naturalizam-se por outros países, onde se podem tornar verdadeiramente relevantes. Deco, Pepe e Liedson fizeram-no para representar Portugal, assim como Marcos Senna o fez anteriormente por Espanha e Thiago Motta por Itália, entre outros.

Diego Costa é um caso diferente. Ele não optou pelo mais fácil. Podia ter evitado uma sempre polémica naturalização, mas não o fez. Como disse Luiz Felipe Scolari, «virou as costas ao sonho de milhões de brasileiros».

Poderia ter optado pelo seu país, onde não existem opções tão fortes para o lugar de ponta-de-lança como no passado. Fred e Jô, avançados de Fluminense e Atlético Mineiro, respetivamente, jogam no competitivo campeonato brasileiro, mas que não tem a qualidade, intensidade e disciplina das principais ligas europeias. Diego Costa teria as portas da titularidade escancaradas, mas declinou a situação.

Curiosamente, escolheu a seleção espanhola, que pauta por jogar muitas vezes… sem ponta-de-lança. Fàbregas é por diversas ocasiões o falso 9, e não é de esperar que Vicente Del Bosque abdique tantas vezes quanto isso de uma escolha que já lhe deu imensos triunfos.

Poder-se-ia, eventualmente, criticar o avançado do Atlético Madrid por ter escolhido a equipa nacional que mais possibilidade terá de vencer o Mundial-2014. Mas a jogar em casa, depois da vitória na Taça das Confederações e pela potência futebolística que é, neste momento o Brasil é tão ou mais favorito que la roja.

A 13 de julho já saberemos se a decisão impopular e teoricamente desfavorável que Diego Costa tomou para si próprio, valeu ou não a pena.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Quantos carregarão o piano ‘rojo’?

uefa.com
A seleção espanhola é uma das candidatas a vencer o Mundial-2014, pelo histórico recente – venceu as três últimas grandes competições – e pela qualidade e quantidade de opções de que dispõe.

As dores de cabeça de Vicente Del Bosque, comparadas com as de outros selecionadores, são bem mais saudáveis. Escolher entre Fàbregas como falso ponta-de-lança ou Diego Costa como referência do ataque é algo que muitos desejavam. Optar pela verticalidade de Pedro ou pelo jogo interior de David Silva é daquelas dúvidas que Paulo Bento, por exemplo, não se importaria de ter.

Entre as questões complicadas mas que não tiram o sono está o triângulo do meio-campo. Um ou dois trincos? Os todo-poderosos Barcelona e Real Madrid, que constituem grande parte dos 23 convocados, atualmente jogam apenas com um. No entanto, a fórmula que deu sucesso no último Campeonato da Europa foi juntar Xabi Alonso e Busquets atrás de Xavi, David Silva, Iniesta e Fàbregas/Torres/Negredo.

No fundo, Alonso e Busquets funcionavam como carregadores de um piano tocado pelos médios e atacantes acima referidos. São eles os responsáveis pelo trabalho invisível, de garantia de equilíbrios defensivos que permitia libertar os artistas para a zona de decisão.

Mas dois anos depois, as coisas mudaram. Os merengues, com Carlo Ancelotti, passou a dispor-se em 4x3x3, com Xabi Alonso a habituar-se a jogar sozinho à frente da defesa, algo que Busquets já fazia há várias temporadas nos blaugrana. Del Bosque tem testado esse sistema, até porque é aquele em que os jogadores estão mais rotinados, mas há uma nuance importante relativamente à equipa que ganhou o Euro-2012. Arbeloa, um lateral posicional e que se aventurava pouco no ataque, era titular no lado direito da defesa, mas não estará no Mundial. Estarão sim os mais ofensivos Juanfran e sobretudo Azpilicueta, que deverá ser o titular.

Caberá ao selecionador decidir entre fazer o transfer do que os seus futebolistas trabalham diariamente nos clubes ou manter o equilíbrio que tem dado frutos em la roja. Até o poderá fazer em função do adversário. Certamente terá pela frente os que lhe colocam um autocarro à frente, mas também enfrentará oponentes ousados, a querer discutir o jogo taco-a-taco.

domingo, 8 de junho de 2014

Marco Silva: O homem certo?

maisfutebol.iol.pt
As opiniões dividem-se sobre o novo treinador do Sporting. Uns afirmam que será um novo Paulo Fonseca, outros baseiam-se no bom trabalho que desenvolveu no Estoril para lhe projetar um bom futuro.

Parece que um caso raro no futebol português se tornou num padrão para analisar contratações. Jorge Jesus também nunca tinha treinado um grande antes de chegar ao Benfica e Leonardo Jardim também foi progredindo na carreira e há muitas outras coisas a olhar além dos resultados.

O Paços de Ferreira de Paulo Fonseca terminou o campeonato português no pódio, o que é bastante assinalável, mas era um autêntico carro de combate. O Estoril – que em 2013/14 até conquistou os mesmos 54 pontos que os castores em 2012/13 – respirava um futebol mais perfumado e romântico.

Havia um gosto pela circulação de bola e por tentar jogar sempre rente ao solo, com critério e objetividade que não existia em mais nenhuma equipa que não lutasse pelo título. É verdade que apostava sobretudo em ataque rápido e que em Alvalade encontrará adversários menos expostos no momento defensivo, mas o que fica de Marco Silva é a imagem de um treinador que não se esgota nos (ótimos) resultados.

Há que reconhecer competência a quem pega numa equipa nos últimos lugares da II Liga sem nunca ter tido experiência no comando técnico de alguma formação, consegue subir de divisão e faz com que os seus jogadores acreditem num modelo de jogo que em nada é típico de um recém-promovido.

Há que reconhecer versatilidade e capacidade motivacional para quem perde vários jogadores importantes como Steven Vitória, Jefferson, Carlos Eduardo ou Licá depois de ter ficado em 5º, não se queixa, e na temporada seguinte ainda melhora a classificação e a pontuação.

Além dos três grandes e dos intrusos Boavista e Sp. Braga, lembram-se do último clube a ficar duas épocas seguidas no Top 5? Temos de recuar quase duas décadas. Vitória de Guimarães, em 1996/97 e 1997/98.

Um feito difícil de obter, com um orçamento baixo e ainda por cima com um futebol arrojado. É o mesmo que se pede agora a Marco Silva no Sporting.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Policiamento no futebol ou… a falta dele


Bem ou mal, o policiamento é um tema que tem passado na sombra de outros, no que ao desporto em geral e ao futebol em particular diz respeito.

Em teoria, vivemos num país civilizado e em que as pessoas têm uma mentalidade ocidental. Já ninguém resolve nada à força e os crimes acontecem apenas aos outros, em recantos do nosso pequeno Portugal. Somos todos bem comportados, futuristas e racionais.

Retirar o policiamento do futebol, em jogos de menor relevo comparativamente aos grandes derbies e clássicos, é algo visto com alguma naturalidade. A harmonia reina. As notícias sobre violência em recintos desportivos que se lê de tempos a tempos nos jornais jamais justificariam um investimento em efetivos da PSP ou GNR em partidas de caráter distrital e logo nas camadas jovens.

Tudo isto pode ser visto com normalidade, mas nada disto corresponde à realidade.

As aparências iludem e as decisões são tomadas longe dos intérpretes desportivos. Os adeptos mais extremistas podem não estar nesses de risco reduzido, mas está a fação que, quem anda no futebol, trata por ‘paizinhos’. Os temíveis e incómodos ‘paizinhos’.

Esses, que pagam mensalidades para ver os seus ‘Ronaldos’, são a ameaça que assombra o futebol juvenil, sobretudo em campos em que a distância entre adeptos e os intérpretes - jogadores, árbitros e treinadores - é reduzida, sem que haja, por vezes, uma vedação, muro ou qualquer tipo de barreira que impeça o contacto físico de acontecer.

A luta começa durante a semana, nos treinos. Os ‘paizinhos’ vão assistir aos ensaios dos filhos, que curiosamente, são os melhores da sua equipa. Merecem ser convocados para sábado ou domingo. Se não são, é hora de confrontar os treinadores ou de iniciar teorias da conspiração, que em alguns casos até podem bater certo. Filhos de progenitores com profissão x, estatuto y, cargo z… há muito em jogo. Dava tema para um outro artigo.

Aos fins-de-semana, os nervos estão à flor da pele. Qualquer decisão contrária à equipa do ‘mini-Ronaldo’ é incompetência do árbitro, se perdem e o descendente joga pouco tempo é culpa do treinador e, na melhor das hipóteses, as coisas ficam por aí.

Na pior, treinadores com pistolas apontadas à cabeça pelos ‘paizinhos’ como recentemente num encontro de infantis no Montijo, e árbitros intimidados, ameaçados e até mesmo agredidos. Se a polícia está presente, a probabilidade de isto acontecer é menor. Se não está, aconteça o que acontecer, há o risco de os criminosos não serem sequer identificados, quanto mais levados à esquadra e devidamente julgados.

Quando tanto se fala na importância do futebol de formação e em verdade desportiva, pergunto-me se serei o único a considerar que a segurança tem um papel essencial.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

A luta que Beto reacendeu

uefa.com
A final da Liga Europa foi o expositor mediático para que, em Portugal e no mundo, se pudesse constatar a grande época que Beto está a realizar.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

‘Small is beautiful’: Repensar o futebol português


Muito se fala no número de equipas que devem atuar na nossa I Liga. Haverá um alargamento de dezasseis para dezoito clubes, e até há quem defenda ainda que se deveria estender a vinte, como nos principais campeonatos europeus.

A fórmula do sucesso e da competitividade, não se restringe, como é óbvio, ao número de emblemas no primeiro escalão. Questões financeiras, sociais e geográficas desses países são impossíveis de replicar no nosso país, pobre, pequeno e na periferia europeia, em que apenas três clubes têm um número significativo de adeptos.

O Ranking da UEFA acaba por nos iludir. As boas prestações de algumas das nossas equipas têm excedido as expetativas e, juntas, conseguiram colocar Portugal em 4º lugar, mas isso não significa que tenhamos o quarto melhor campeonato. Temos, aliás, um campeonato oligarca, em que há um fosso enorme das equipas que dão pontos ao nosso país para as restantes.

O FC Porto, antes desta dececionante temporada, fora do normal, tinha perdido apenas uma vez nos últimos três campeonatos. O Benfica leva, para já, uma derrota em cada época, contando apenas com esta e a última. Até o Sporting, no ano do seu renascimento, apenas perdeu para dragões e águias.

Mérito dos grandes? Também. Mas essencialmente muito demérito da segunda (e terceira) linha de clubes, que já não consegue fazer dos seus campos as chamadas «deslocações tradicionalmente complicadas».

Nas últimas cinco temporadas, apenas tivemos três equipas diferentes na fase de grupos da Liga dos Campeões: FC Porto, Benfica e Braga. Muito abaixo de Espanha (oito), Alemanha (sete), França (sete), Inglaterra (seis) e Itália (seis), e ainda com um registo inferior a Roménia, Rússia e Turquia (todas com quatro). Estamos empatados com Bélgica e Holanda no 9º lugar.

Temos uma oligarquia implantada no nosso campeonato, e que mesmo tendo constantemente duas vagas diretas para a fase de grupos da Champions e ainda outra para o Play-Off, temos sido superados por ligas com menor número de vagas.

A competitividade é pouca, e isso deve-se a uma fraca segunda linha de clubes, como o Paços de Ferreira – que foi goleado por duas vezes contra o Zenit esta época -, e como outras que nunca conseguiram passar da fase de grupos da Liga Europa, e acabam por ser superadas por modestas formações de campeonatos que muitos consideram inferiores ao nosso.

Essa segunda linha do futebol português, que constitui o núcleo duro de candidatos às competições europeias, necessita de ser fortalecida. Para tal, a solução pode passar pela redução e não pelo alargamento da I Liga. Doze seria o número ideal.

Para um país de reduzidos recursos e dimensões geográficas, poder concentrar num menor número de equipas os melhores jogadores e treinadores fortaleceria esses tais emblemas secundários. O talento, em vez de distribuído por dezasseis ou dezoito clubes, estaria em doze.

Temos demasiados clubes há muito tempo na I Liga, completamente estáveis, mas sem causar grandes sobressaltos no primeiro terço da classificação. Quase sempre também são os mesmos a lutar pela despromoção. É preciso reequilibrar as contas.

Esta ideia das doze equipas seguiria o modelo da extinta III Divisão: Duas voltas e posteriormente, dois Play-Offs, um para apurar campeão e a composição da zona europeia (entre os seis primeiros), e outro para decidir quem se mantém no primeiro escalão (entre os seis últimos).

Este Play-Off visiva também combater o precário número de espetadores do nosso campeonato. É verdade que existem dificuldades financeiras na população, mas é igualmente verdade que as massas aderem aos jogos importantes. Esta segunda fase possibilitaria que os três grandes se voltassem a defrontar, em casa e fora, sem que os clássicos saíssem banalizados, já que todos, pelo reduzido número de equipas nesse Play-Off, teriam um caráter decisivo.

Poder enfrentar durante mais dez jornadas apenas as melhores equipas da Liga permitiria, ao futebolista, estar presente, semana sim, semana sim, em confrontos intensos e tornar-se mais competitivo.

A fórmula aqui sugerida tem semelhanças com a que tem sido praticada na Bélgica, nos últimos anos, e curiosamente, aí têm emergido recentemente futebolistas muito competitivos e de grande qualidade recentemente.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Onde estão os críticos de Jesus?

Na ressaca dos três troféus perdidos no final da temporada passada, muitos não hesitaram em pedir a demissão de Jorge Jesus. Os argumentos eram vários, fosse pela arrogância demonstrada, pela pouca capacidade de gerir o esforço dos jogadores, pela parca aposta em futebolistas portugueses ou até pelo alegado sportinguismo.

Mas havia a outra face da moeda. A capacidade de Jesus em potenciar jogadores, em adaptar de forma absolutamente bem sucedida atletas a determinadas posições, e a “nota artística” que introduzia em grande parte das partidas, o seu cunho pessoal a um Benfica, que para muitos, jogava finalmente… à Benfica.

E mais, que treinador estaria à altura para o substituir? Que português disponível, com estofo e que garantisse um melhor serviço que JJ poderia orientar os encarnados? E que estrangeiro teria conhecimento necessário sobre as águias e o futebol português para vingar de imediato?

Quando algo vai mal num clube, nem sempre a solução é a drástica mudança de treinador. Quando uma equipa perde três competições nos últimos jogos é porque disputou as três frentes até ao fim. Existe um mérito por detrás do fracasso, mesmo que isso se tenha verificado várias vezes durante três anos.

Há quanto tempo o emblema da Luz não chegava a uma final europeia, ou só mesmo a uma meia-final? Com Jesus, o mínimo foi sempre os quartos-de-final, incluindo na Liga dos Campeões, em 2011/12. Há quanto tempo o Benfica não perdia apenas um jogo no campeonato? Há quanto tempo os encarnados não mantinham uma consistência exibicional? Quando é que antes se tinha assistido a um encaixe financeiro tão volumoso na história das águias?

JJ conseguiu marcos históricos, e nos primeiros três anos, conquistou mais títulos que a formação lisboeta nos treze anteriores. Razões mais do que suficientes para continuar? Acreditei que sim, que Luís Filipe Vieira também.

Afinal, mais do que uma mudança de treinador, urgia sobretudo alterar a filosofia de jogo, tornando o até então extremamente atrativo, ofensivo e vertical futebol do SLB, num modelo mais calculista, sereno e pragmático.

Os resultados estão à vista. O campeonato já está garantido matematicamente. Até há data, faltando disputar apenas duas jornadas, os encarnados têm 56 golos marcados. O pior registo do Benfica de Jesus neste aspeto foram os 61 apontados em 2010/11. Se mantiver a média (dois por jogo), chegará aos 60. Muito longe dos registos de 2009/10 (78) e 2012/13 (77) ou até de 2011/12 (66). De certa forma, prova o pragmatismo de 2013/14, que trava no 1-0 ou 2-0 para depois apenas gerir.

Também no número de golos sofridos é visível os encarnados estão a arriscar menos. Apenas 15 tentos consentidos até à 28ª jornada, e a menos que um imprevisto os faça sofrer mais cinco nos dois encontros que restam, este será o Benfica de Jesus com o melhor registo defensivo. O recorde é de 20, em 2009/10 e 2012/13.

Mas não foi só pela versatilidade que JJ silenciou os críticos. A cada época, uma nova adversidade: Na temporada de estreia, não havia um lateral-esquerdo de raiz que desse garantias. Em 2010/11, não houve ninguém que substituísse de um momento para o outro a capacidade todo-o-terreno de Ramires ou a magia de Di María. E em janeiro, partiu David Luiz, uma das referências. Em 2011/12, nem Emerson nem Capdevila renderam eficientemente Fábio Coentrão e a profundidade que este dava ao corredor esquerdo, muitas vezes o mais desequilibrador dos encarnados, mesmo partindo a tantos metros da baliza adversária. E quando em 2012/13, mesmo em cima do fecho do mercado, Javi García e Witsel foram transferidos e deixaram o plantel com escassez de médios? E mesmo este ano, quando Matic, considerado por muitos como o elemento-chave da equipa, foi vendido no mercado de inverno?

Com improviso e muito labor, o Benfica de Jesus já atuou em 4x4x2, 4x1x3x2, 4x2x3x1 e 4x3x3. Com pontas-de-lança móveis ou posicionais, com laterais ofensivos ou apenas consistentes defensivamente, com um ‘10’ puro ou com um segundo avançado e com extremos a procurarem verticalizar ou a explorarem diagonais, a qualidade do jogo foi sempre uma constante.

Antes de adaptações bem sucedidas ou de trabalho intensivo, Fábio Coentrão era apenas um extremo que tardava em afirmar-se e que passava por sucessivos empréstimos, Matic um trinco bom de bola mas fraco no posicionamento e Enzo Pérez um ala sem espaço no onze. Hoje, são futebolistas de topo nas suas posições.

O antigo técnico de clubes como os Vitórias, Belenenses e Braga, para além do campeonato conquistado esta época, ainda conseguiu um triunfo bastante pessoal, apesar da máxima descrição. No início da temporada, quando as coisas pareciam não caminhar no rumo certo, a sua autoridade foi posta em causa, quando Cardozo, depois do incidente no Jamor em maio de 2013, foi reintegrado no plantel. Se no começo ainda marcou vários golos, foi quando o paraguaio se lesionou e praticamente não mais voltou como titular que os encarnados encavalitarem rumo ao título. Foi o ano com pior registo do Tacuara, com JJ ao leme. Apenas sete golos marcados na Liga, contra os 26, 12, 20 e 17 do antecedente. E mesmo em termos de jogos, até há data Cardozo soma apenas catorze, dos quais somente cinco enquanto titular. Também aqui, o pior registo do sul-americano.

Das pequenas vitórias pessoais aos títulos conquistados, com passagem pelos recordes batidos e adaptações bem sucedidas, os críticos não ficaram com outro remédio que não seja renderem-se às evidências. E a época ainda não acabou. Depois do que aconteceu há um ano, é de duvidar que o Benfica seja negligente no Jamor e deixe escapar a dobradinha. E mesmo na Liga Europa, o discurso humilde perante a força da Juventus deixa transparecer que a eliminação será vista com normalidade. Tudo o que vier por acréscimo, será bem-vindo.

E se em julho/agosto poucos acreditavam numa temporada assim, agora até se fala insistentemente em início de um novo ciclo no futebol português, contrariando a hegemonia do FC Porto no pós-25 de abril. É caso para perguntar: Onde estão os críticos de Jorge Jesus?


domingo, 20 de abril de 2014

Taça de Portugal: Que formato?


Recentemente tem havido alguma discussão em torno do formato das meias-finais da Taça de Portugal, disputadas a duas mãos, ao contrário do que acontece nas restantes eliminatórias, e também do que ocorria em anos anteriores a 2009.
             
Num debate entre apocalípticos e integrados, os primeiros criticam o atual modelo, afirmando que agora se torna difícil verificar-se o ‘fator surpresa’ que celebrizou a competição. Os integrados, nos quais me incluo, defendem que duas mãos só ajudam a credibilizar os finalistas, que serão os mais legítimos possíveis, podendo corrigir um acidente de percurso na primeira mão, com uma reviravolta na segunda.

Numa prova com tantos anos de história, e que garante um lugar nas competições europeias, é imprescindível que os seus finalistas sejam os mais credíveis possíveis, para manter o prestígio e embelezar o encontro decisivo.

Há seis anos que FC Porto e Sporting não se defrontam numa final. Há dez que águias e dragões não disputam o troféu no Jamor. E mais gritante, há dezoito (!) que não temos o grande derby de Lisboa no Estádio Nacional. Sobretudo os últimos dois vencedores, apesar do engenho, beneficiaram de vários acidentes de percurso sem que uma correção fosse possível.

Em Espanha, em que as eliminatórias são disputadas a duas mãos, assistimos a Real Madrid – Barcelona nas últimas quatro edições, sendo que dois desses duelos foram na final. Protege-se o mérito, mas não se invalida as surpresas.

No nosso país, em que tanto se diz que há o gosto de ver o clube da província contra um grande numa tarde de sol, e esperar que a surpresa aconteça, até se protege os clubes de maior dimensão. Os da Segunda Liga entram em cena apenas na 2ª eliminatória, e os da Primeira Liga na 3ª. Basicamente, duas rondas em que os tão desejados tomba-gigantes não podem aparecer.

Soluções? Seguir o modelo brasileiro. As equipas entram todas em ação desde o início da competição (à exceção das que participam na Copa Libertadores). Todas as rondas são a duas mãos, mas as primeiras duas têm um aliciante especial: O sorteio não é puro, há cabeças de série, e obriga a que os grandes visitem os pequenos na primeira mão. No entanto, se os clubes teoricamente mais fortes cumprirem com o seu favoritismo e vencerem por dois ou mais golos, evitam jogar em casa o jogo da segunda mão.

Obrigar-se-ia os maiores clubes a visitarem os de reduzidíssima dimensão, o que poderia originar surpresas, mas a duas mãos (se necessário, tal como o modelo brasileiro), para que o vencedor da eliminatória fosse o mais justo possível. É lindo de imaginar uma equipa dos distritais, apenas com jogadores amadores, a tentar adiar a decisão para um Estádio da Luz, Alvalade ou Dragão. Seguindo a lógica dos jogos em casa e fora, esta temporada, por exemplo, teríamos assistido a mais um Sporting – Benfica.

Onde encontrar espaço no calendário? Acabar com a Taça da Liga, que para além do pouco esforço federativo e dos participantes em ser credibilizada, tem o condão de trazer imensas ocorrências problemáticas.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O pinheiro que Paulo Sérgio pedia

«São todos muito parecidos uns com os outros e o que quero é um atacante diferente. Temos caudal ofensivo, mas falta um pinheiro com 1,90 metros, que lhe possamos acertar com a bola na cabeça e ela vá para dentro da baliza». A frase é de Paulo Sérgio e remonta ao verão de 2010, a poucos dias do fecho do mercado, quando era treinador do Sporting.

Nessa temporada, os leões ficaram conhecidos pelo excesso de pontaria. À 8ª jornada, o conjunto orientado pelo ex-Vit. Guimarães e Paços de Ferreira tinha enviado por nove vezes (!) a bola ao poste.

Se o ferro fosse rede, estariam por essa altura a três pontos de um FC Porto que viria a vencer campeonato, taça e Liga Europa nessa época. Mas como não é, estavam a dez, a meio da tabela. Curiosamente, os lisboetas tinham até aí sete golos marcados.

Com o título mais longe, o pouco afortunado Sporting caminhou para mais uma época nada memorável.

Coincidência ou não, o tal pinheiro que Paulo Sérgio pediu nunca apareceu. Pretendia-se um jogador com características parecidas a Mário Jardel, que em Alvalade só conheceu as péssimas réplicas de Milan Purovic (2007/08) e Sebastián Ribas (2011/12), e a de um William Owusu que é candidato a ser recordista de empréstimos.

Em vez disso, continuaram os avançados móveis a que o antigo técnico leonino chamou de “muito parecidos”, como Liedson, Yannick Djaló e Hélder Postiga, e até Ricky Van Wolfswinkel que foi contratado na temporada seguinte.

Ao longo de vários anos, foi faltando um possante avançado na área adversária, que mais do que engenho e arte, trouxesse centímetros e presença física, para lhe acertarem com bola na cabeça.

Finalmente, esta época, apareceu Islam Slimani, que parece ter trazido consigo a ‘estrelinha da sorte’ da bandeira verde e branca da Argélia, que tanto tem faltado ao emblema verde e branco de Alvalade.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Fernando, o herói silencioso


Não marca grandes golos, não faz grandes defesas, não faz fintas de levantar o estádio, mas discretamente, Fernando é, desde alguns anos para cá, um dos alicerces do FC Porto.

Tem um pulmão incrível e corre quilómetros a um ritmo estonteante durante os 90 minutos para estar no sítio certo. Se a equipa adversária ataca pela direita, lá vai ele para a direita encurtar espaço ao portador da bola, prevenir um desposicionamento, criar superioridade numérica ou cortar uma linha de passe. Se a equipa adversária ataca pela esquerda, idem.

Não tem a mesma qualidade técnica que William Carvalho, o dom de organizar a partir de uma posição tão recuada como Matic, ou a agressividade e capacidade no jogo aéreo que Javi García, mas no que concerne às características acima referidas, supera a concorrência.

Chamam-lhe o polvo, porque quando parece que um lance está perdido, a sua agilidade permite-lhe esticar a perna para fazer um corte, como se de um molúsculo se tratasse, a fazer uso do tentáculo.

A sua capacidade física e cultura tática conseguem segurar um meio-campo sozinho como poucos o fazem, por isso, não foi de estranhar que tenham relacionado uma possível saída de Fernando à inversão do triângulo do meio-campo portista esta época. A sua sucessão não implica um substituto, mas sim dois, e para jogar em simultâneo.

Até do ponto de vista técnico, tem crescido nas últimas temporadas, sobretudo com Vítor Pereira, e isso fê-lo estar mais próximo do último terço do terreno.

Silenciosamente, tem sido uma peça imprescindível nos azuis e brancos, mas foi talvez esse silêncio que o afastou do escrete. Agora, tem nacionalidade portuguesa e, isso já chegou aos ouvidos de Paulo Bento.

sábado, 29 de março de 2014

Sorteio? Não, obrigado!


Na sequência de algum descontentamento relativamente às nomeações dos árbitros para determinados jogos, criou-se a ideia de que um sorteio, em detrimento da nomeação, poderia ser a solução.

Diz-se que esta medida poderia trazer mais isenção e transparência ao futebol português. Fico incrédulo.

Partamos da potencial ideia de um sorteio puro, algo que parece posto de parte pela comunidade. Afinal, não se imagina um clássico sem um árbitro internacional, ou um árbitro oriundo de uma categoria inferior apitar uma equipa grande num dos seus primeiros jogos na Liga.

Não havendo um sorteio puro, há um sorteio com condicionantes. E aí, quais seriam os critérios? Árbitros internacionais sempre para os três grandes? Limite de jogos por clube numa época? Intervalo de jornadas sem repetir equipas?

E se assim fosse, quando teriam os não internacionais a oportunidade de apitar em grandes ambientes e adquirir esse tipo de experiência? Sendo sorteio e havendo tais condicionantes, qual seria o cenário para as últimas jornadas, em que por acaso, há um FC Porto – Benfica nesta temporada?

O que fazer para evitar os possíveis erros acima referidos? Introduzir ainda mais condicionantes? Isso seria, no fundo, dar razão às nomeações, que obedecem a critérios, no que concerne ao historial dos juízes com clubes, o pulsar do campeonato e a oportunidade de aqui e ali lançar alguém a realizar um bom trabalho.

Marco Ferreira foi o árbitro do último Benfica – Sporting e realizou um bom trabalho. Já tinha superado com nota positiva o derby de Alvalade em 2012/2013. Não é o nome mais sonante da arbitragem portuguesa, o que poderia lançar algumas dúvidas, mas mostrou enorme competência. Uma boa escolha de Vítor Pereira e companhia, que olharam para o historial dos derbies e dos seus árbitros antes da toma de decisão.

Outra situação que tem merecido contestação é o low-profile concedido a Pedro Proença. Deveria o melhor árbitro do mundo de 2012 e o representante português no Mundial do Brasil ter tido maior protagonismo na primeira volta do campeonato? Há quem diga que sim, e eu entendo, mas também entendo a postura do conselho de arbitragem.

Proença, previsivelmente, irá apitar o FC Porto – Benfica da jornada 30. Quando maio chegar, terá como plano de fundo a sua presença no Mundial, os jogos importantes que apitou na Liga dos Campeões e a frescura de quem não passou por momentos polémicos no presente campeonato. É sem dúvida, com uma imagem forte, que o juiz lisboeta chegará ao Estádio do Dragão.

Ainda assim, convém relembrar os mais esquecidos que PP apitou o Estoril – Sporting, numa jornada em que os leões até perderam a liderança da Liga ZON Sagres.

As nomeações, como se conclui, são escolhas criteriosas, feitas por entidades e pessoas competentes.

Aludindo a uma realidade paralela, pergunto, se passa pela cabeça do público que os convocados para o Mundial, em vez de serem escolhidos por Paulo Bento, fossem sorteados? Mesmo tendo em conta que o sorteio não fosse puro e houvesse condicionantes como o número de jogos realizados ou a equipa que representam, faria sentido?

E se cada onze de Benfica, FC Porto e Sporting pudesse ser sorteado em cada jornada? Os treinadores é que estão lá para escolher os melhores para cada jogo em particular, não é? Os conselhos de arbitragem também.