terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O "apagão" chamado Rodrigo




 Contratado em 2010 ao Real Madrid, Rodrigo rodou uma época no futebol inglês até fazer definitivamente parte do plantel encarnado.

 O valor que os responsáveis benfiquistas pagaram por ele (seis milhões de euros) demonstrou grande confiança no seu potencial, e os seus vinte anos de idade eram a altura certa para Jesus intervir e lapidar mais um diamante. Tudo correu mais rápido que o previsto, e a temporada 2011/2012 passou de temporada de adaptação para temporada de explosão, com o jovem espanhol a conseguir ser decisivo em vários jogos, incluindo na Champions.

 Depois de quatorze golos marcados, chegou o embate em São Petersburgo, frente ao Zenit, na primeira mão dos oitavos-de-final da Champions. Aí, a famosa entrada ríspida de Bruno Alves sobre o avançado, "afetou-o" até aos dias de hoje.

 O jogador nunca mais foi o mesmo, os golos começaram a escassear, o poder de explosão diminuiu, a velocidade não é a mesma, e todo o seu processo evolutivo parece que estagnou. É recorrente, tanto pela imprensa como pela generalidade dos adeptos, justificar este "apagão" com a falta violentíssima de Bruno Alves, como se o internacional português tivesse cometido uma infração de tamanha gravidade que afetou até ao presente a perna do espanhol. Bruno Alves tinha de ser bastante engenhoso para lesionar o seu adversário, de maneira a que ele continuasse a jogar e ao mesmo tempo ainda esteja a sofrer as consequências do tal "carrinho".

 O futebol português (desde a imprensa, dirigentes, jogadores e adeptos) tem a particularidade de justificar os assuntos, de maneira irracional e muito pouco coerente, não pensando realmente se algumas justificações fazem sentido. A imprensa precisa de vender jornais e os adeptos de um bode expiatório, e por isso nada melhor que o "falteiro" do defesa que era capitão do grande rival, para réu deste julgamento. Junta-se o útil ao agradável.

 Curioso é verificar a transformação que sucede quando representa a seleção sub-21 espanhola. O apagado vira máquina e o resultado são golos atrás de golos, tanto que está muito perto de ser o goleador recordista deste escalão espanhol. Se há uma mudança de rendimento tão grande entre clube e seleção, qual é então o verdadeiro problema de Rodrigo no Benfica? Obviamente que o fator mental está a pesar bastante. Depois da explosão no clube, o jovem não aguentou a pressão de ser uma das estrelas encarnadas, e isso afetou bastante o seu rendimento, os golos foram desaparecendo e os níveis de confiança desceram abruptamente, uma vez que a tenra idade do avançado é propícia a sensações extremas: quando as coisas correm bem sente-se o melhor do mundo, quando correm mal (que tem sido o caso), sente-se o pior do mundo. Depois das férias e da pré-época, onde as coisas pareciam estar reestabelecidas e os tentos voltaram a aparecer, chegou um homem chamado Lima, que se impôs rapidamente no onze principal e delegou o espanhol para segundo plano, afetando uma vez mais o seu rendimento e, consequentemente, os seus níveis de confiança.

 A qualidade técnica continua lá, mas Rodrigo só irá chegar ao patamar de excelência quando conseguir suportar toda a pressão a que um craque (principalmente de um clube grande como o Benfica) está sujeito. É aqui que entra Jorge Jesus. Cabe ao técnico português trabalhar os índices psicológicos do jogador, planificando bem a sua utilização, e fazê-lo crescer , pois nessa altura terá definitivamente dado o salto.


1 comentário:

Daniel Faria disse...

Análise bem redigida. Não percebo, também, o apagão de Rodrigo.

Neste momento não passa de um suplente de luxo. Espero que recupere rapidamente desse problema psicológico.

Força Rodrigo

http://www.benficaeternoscampeoes.blogspot.pt/