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domingo, 11 de abril de 2010

Conversas de Dragão: "El Tecla" certa



O FC Porto venceu em Vila do Conde, mas esteve longe de ser brilhante. Na minha óptica, a vitória foi justa, pois triunfou a equipa que mais procurou o golo. Mais uma vez, Jesualdo Ferreira precisou de recorrer ao salvador do costume, que tinha estado ausente da equipa durante alguns meses por lesão. Quem sabe esse factor não nos custou alguns pontos …

Penso que é indiscutível a importância que Farias tem na equipa portista. No Dragão, “El Tecla” nunca foi titular, mas tem-se revelado um suplente de luxo. O avançado é um jogador de área, embora contra o Rio Ave tenha demonstrado uma mobilidade acima do que lhe é habitual.

Na altura em que se falou da troca com o brasileiro Kleber, achei que se tratava de decisão precipitada da SAD azul e branca – seria mais uma esta época. O argentino pode não ser sempre titular, mas é o útil para resolver jogos complicados. Por outro lado, o avançado brasileiro teria de passar por um período de adaptação e poderia não se adaptar à equipa.

Neste encontro, além de Farias, destaco apenas Helton que efectuou algumas defesas de bom nível, permitindo segurar os três pontos. Hulk e Rúben Micael, que tinham estado bem nas últimas partidas, estiveram apagados, enquanto Tomás Costa foi uma nulidade.

Os dragões continuam ainda na luta pelo segundo lugar. Agora só resta vencer os jogos que faltam e no final fazer as contas.

terça-feira, 23 de março de 2010

Conversas de Dragão: Por onde anda o velho Porto?



O adepto de futebol pode ter alturas em que está decepcionado com a sua equipa, mas, lá no fundo, acredita sempre na vitória, por mais inesperadas que sejam as probabilidades. Eu sou assim: eu estou muito aborrecido com a época do FC Porto, mas, apesar das recentes exibições desastrosas, acreditei que o meu clube iria conquistar a Taça da Liga e o regresso de Fernando aos treinos deixou-me mais esperançado.

Comecei a perder as esperanças, quando soube que Varela não seria opção para o resto da época. E fiquei com vontade de desligar a televisão no momento do frango de Nuno. Mesmo assim, continuei a acreditar, porque o Porto costuma vender caras as derrotas. Não foi isso, porém, o que aconteceu. Aliás, salvo raras excepções, este dragão anda muito manso e é facilmente derrotado.

Contra o Benfica, o FC Porto voltou a andar perdido dentro de campo e as atitudes irracionais de Raul Meireles e Bruno Alves ao longo da partida são inexplicáveis. Com as saídas de Lucho e Pedro Emanuel, os adeptos contavam com este dois elementos para a continuação da famosa mística e serem vozes fortes no balneário. A verdade é que têm estado em claro sub-rendimento e têm tido atitudes pouco dignas de capitães. Aliás, até fiquei admirado pelo facto de estes dois internacionais terem acabado o jogo.

Do actual plantel, muito poucos são os elementos que merecem vestir a camisola azul e branca. Não há mística, nem empenho. E isso, frente a um rival, é imperdoável. O resultado de 3-0 acaba por ser lisongeiro, pois este super Benfica poderia ter marcado muito mais.

Também reconheço que as ausências de jogadores importantes têm sido nuclear para os recentes maus resultados. Esta época, Jesualdo Ferreira já se viu privado, por largos momentos, de Fucile, Fernando, Raul Meireles, Varela, Rodríguez, Mariano, Hulk e Farias. Deste todos, talvez o mal amado Mariano seja o jogador menos espectacular, mas já provou, por diversas alturas, que é um jogador útil. E neste momento o FC Porto só tem disponível um extremo: Cristian Rodríguez. Claro que isto não é desculpa para os maus resultados, antes pelo contrário, pois as segundas opções deveriam ter melhor qualidade, principalmente a meio-campo. A recente má fase dos dragões está directamente relacionada com a ausência de Fernando, um jogador sem rival no plantel.

Contudo, no caso dos extremos e ponta-de-lanças, não havia muito mais a fazer. O gabinete de prospecção do FC Porto preveniu-se para estas situações de lesões ou castigos nestas posições, mas houve demasiado azar ao mesmo tempo. Também penso que devia ter sido contratado mais um extremo, em Janeiro, para prevenir o longo castigo de Hulk, que já era esperado. Talvez seja altura de apostar em jovens, como Alex e Caetano, embora o primeiro também esteja a contas com uma lesão.

Penso que a chave para a decisão da Taça da Liga esteve mesmo nas aquisições de Inverno e nas segundas opções. Rúben Micael teve um começo promissor no Porto, mas tem vindo a realizar exibições deprimentes. Enquanto os novos elementos do Benfica, Airton, Éder Luís e Alan Kardec, a demonstram ser opções viáveis. Também Carlos Martins e Rúben Amorim provaram ser excelentes alternativas aos habituais titulares.

Por último, queria lamentar os incidentes ocorridos antes do encontro, provocados por adeptos afectos ao FC Porto. Adeptos desses não são dignos da grandeza de um clube como o nosso e nem da arte que é o futebol.

terça-feira, 16 de março de 2010

Conversas de Dragão: Boa atitude



Depois de três exibições deprimentes, contra o Sporting, Olhanense e Arsenal, o FC Porto voltou às vitórias. Vencer é sempre bom e este triunfo tem o sabor ainda mais especial devido ao ciclo negativo que a equipa atravessava.

Fiquei feliz porque, para além da vitória, os portistas tiveram uma boa atitude ao longo de todo encontro, apesar de a exibição ter estado longe de encher os olhos dos adeptos. Nunca desistiram de procurar os três pontos e os jogadores mantiveram-se unidos, mesmo nos piores momentos.

Uma das chaves vitória esteve na colocação de Raul Meireles. O médio português deu outra coesão ao meio-campo e à defesa, bem como acelerou as transições para o ataque. Demonstrou também ser a melhor solução para substituir Fernando.

Outra boa exibição foi a de Cristian Rodriguez, premiada com o golo da vitória. O uruguaio, uma das figuras dos dragões na temporada passada, tem tido exibições intermitentes. O mau desempenho do FC Porto no campeonato também pode ser explicado pelos maus indicies físicos do extremo.

Uma nota ainda para Miguel Lopes. Fez, provavelmente, a melhor exibição com a camisola do FC Porto. Talvez se o lateral não tivesse sido afectado por uma longa lesão, estaria a jogar a outro nível neste momento.

A vitória frente a Académica é bom tónico para final da Taça da Liga. Os dragões têm contra um velho rival a hipótese de se alguma redenção e pedir desculpa aos adeptos pelas fraco desempenho ao longa temporada.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Conversas de Dragão: Humilhante



Gostava de escrever que o FC Porto foi eliminado, mas que saiu de cabeça erguida. Gostava de dizer que, apesar da eliminação, a equipa teve um bom desempenho em Londres. Contudo, como sabem, não foi isso que se passou. Aconteceu exactamente o contrário: uma humilhação. Ao longo de todo o encontro, Helton foi o único jogador portista que sabia o que estava a fazer dentro das quatro linhas.

Nem sei por onde começar a comentar esta triste noite. Ao contrário de muitos analistas, não considero que os portistas começaram a perder o jogo devido à escolha de Nuno André Coelho para trinco. Embora esse seja um dos motivos. O jovem luso, poucas vezes utilizado ao longo da época, nunca jogou naquela posição e duvido que esta adaptação tenha sido treinada antes do jogo. O central adaptado a médio andou perdido durante a primeira, não sabendo se se posicionava à frente da defesa ou no eixo.

Mas as deficiências de Nuno André Coelho a trinco seriam facilmente escondidas se outros jogadores tivessem ao nível a que nos habituaram, nomeadamente Fucile. O lateral-direito deve ter feito o pior jogo com a camisola do FC Porto, tendo culpa directa em quatro dos cinco golos sofridos.

Ainda há Rúben Micael habituado a ser a vedeta no Nacional e que somou mais uma prestação negativa.

Mais do que a má escolha do pivô defensivo, Jesualdo deveria ter optado por Cristian Rodríguez a titular em vez de Varela. Com o esquerdino em campo, os portistas teriam mais um homem no meio-campo, o que ajudaria às transições para o ataque.

A meu ver, o FC Porto começou a ser eliminado já no Dragão, quando não aproveitou as diversas ausências na formação inglesa para construir um resultado mais robusto. Agora não vale pena chorar sobre o leite derramado. Os dragões ainda têm uma palavra a dizer na Taça da Liga e na Taça de Portugal. Embora a conquista dessas competições não atenue a temporada desastrosa.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Conversas de Dragão: Preservar o pódio



Depois da derrota em Alvalade, já eram poucas as hipóteses de chegar de chegar ao título e ao segundo lugar. Agora, após o empate ridículo em casa contra o Olhanense, o FC Porto só deve ter um objectivo neste momento, na Liga Sagres. Preservar o terceiro lugar. O Sporting ainda está a nove pontos, mas, tendo em conta a forma actual das duas equipas, podem ser facilmente recuperados.

Jesualdo Ferreira decidiu descansar alguns titulares e pagou cara essa gestão, principalmente nas escolhas de Maicon e Miguel Lopes, os culpados do primeiro golo adversário. Nunca pensei sentir falta de Rolando.

Depois há a velha questão do meio-campo. Tomás Costa não dá a mesma segurança que Fernando e Belluschi não é jogador para um esquema 4X3X3. Rúben Micael, depois de um início fantástico com a camisola do dragão, está em sub-rendimento e deveria ter descansado para Londres.

Valeu à equipa o incansável Falcao, como de costume, e Guarin, que deu outra dinâmica ao meio-campo.

Amanhã, o FC Porto joga uma cartada importante da época frente ao Arsenal. Com o título praticamente a uma miragem, resta agora apostar nas outras competições. Os dragões devem dar tudo em Londres, pois para o ano os portistas vão ver a Champions ... pela televisão.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Conversas de Dragão: Inacreditável



No passado domingo, defrontaram-se duas equipas que passam de bestiais a bestas num segundo. E mais uma vez isso aconteceu. O Sporting, que tem sido besta ao longo da época, tornou-se bestial após a vitória sobre o rival nortenho. Já antes era uma formação bestial, por ter eliminado o Everton. Por outro lado, o FC Porto, depois da convincente vitória sobre o SC Braga, voltou a ser besta.

Esta foi, sem dúvida, a pior exibição dos dragões esta época. Parece que, de uma semana para a outra, a equipa deixou de saber jogar bom futebol. Mas houve muito mérito do adversário, que soube pressionar e facturar nas alturas certas.

Dos 14 jogadores portistas que pisaram o campo, não destaco a exibição de nenhum. Os jogadores que os quais os adeptos contavam para fazer a diferença estiveram todos apagados, especialmente Rúben Micael e Varela.

Aliás, o único jogador que vou destacar nem pisou o relvado: Fernando. O trinco brasileiro fez muita falta e Tomás Costa, que até tinha dado boas indicações nos últimos jogos, não soube dar a mesma solidez defensiva. Foi por aí que o FC Porto começou a perder o jogo.

Com esta derrota, é escusado dizer que os azuis e brancos dizem adeus ao penta, bem como a um lugar na Liga dos Campeões. Só se acontecer um milagre é que o título fica na invicta. Pelos vistos, Benfica e SC Braga, pela regularidade que apresentam, não se deixaram apanhar pelo dragão e esse milagre não acontecerá.

P.S. Na semana passada, agradeci neste espaço o apoio que o FC Porto deu à Madeira, ao se disponibilizar a organizar um jogo de solidariedade. Também quero agradecer ao Sporting, por ter doado um euro por cada bilhete vendido. Não esqueço igualmente as iniciativas do SL Benfica e da Naval.
A Madeira agradece!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Conversas de Dragão: A fúria do dragão



No passado domingo, o FC Porto entrou em campo com o objectivo de continuar na luta e mostrar que a posição ocupada no campeonato não revela a verdadeira qualidade do plantel. Pela frente, tinha um intruso na luta pelo título.

A verdade é que no Dragão as duas formações tiveram atitudes diferentes das restantes épocas. Os portistas fizeram o seu melhor jogo da época no campeonato e o Braga, pelo contrário, esteve irreconhecível. Podemos constatar que desde a chegada de Rúben Micael, o meio-campo do FC Porto tem outro "lucho" e muito mais dinâmica. Os resultados têm provado isso mesmo.

A única excepção foi o empate em Olhão. Um resultado que, em minha opinião, se deveu à ausência de Álvaro Pereira. O lateral, o melhor na sua posição em Portugal, dá uma grande profundidade em Olhão, algo que Fucile foi incapaz de fazer no Algarve. Há muito tempo que o uruguaio merecia um golo.

Depois há Falcao, um avançado de categoria internacional. A quantidade de golos marcados na sua primeira época na Europa é notável. Ainda Raul Meireles que, num entendimento perfeito com Rúben Micael, voltou às grandes exibições.

Há que reconhecer que a distância pontual para os primeiros é significativa, mas estas exibições fazem-nos sonhar com o penta.

P.S. Como madeirense, queria agradecer ao FC Porto a disponibilidade para realizar um jogo de solidariedade e assim ajudar as vítimas do temporal que assolou a minha ilha.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Conversas de Dragão: Frios e calculistas



O FC Porto não rubricou uma exibição de gala, mas a vantagem obtida, apesar de mínima e perigosa, é muito importante para o jogo da segunda mão. É que os dragões tiveram (muita) sorte e deviam ter aproveitado o factor casa e as ausências de jogadores influentes na formação do Arsenal para construir um resultado mais tranquilo.

Os comandados de Jesualdo Ferreira tiveram uma entrada semelhante ao jogo da Taça de Portugal com o Sporting. E o cruzamento de Varela, que acabou no fundo baliza graças ao desastroso Fabianski, fazia os adeptos sonhar com um bom resultado para o jogo do Emirates. Só que aconteceu o impensável. A equipa adormeceu e deslumbrou-se com as facilidades concedidas. Os jogadores adormeceram e consentiram de forma infantil o empate. Os britânicos só não chegaram à vantagem, porque Rolando e Fernando estiveram irrepreensíveis nas marcações.

Depois, numa altura em que os ingleses até dominavam, surgiu o caso do encontro: o golo da vitória portista. É um golo muito estranho, pela forma como foi marcado o livre. Neste tipo de ocasiões, estamos habituados a ver os jogadores formarem a barreira na linha de baliza e o árbitro demorar algum até permitir que a falta seja marcada. Contudo, Rúben Micael aproveitou a troca de palavra entre Sol Campbell e o árbitro para assistir Falcao. O colombiano, claro, não desperdiçou.

Uma nota para o regresso de Hulk. O avançado brasileiro esteve longe da perfeição, notando-se alguma falta de ritmo. Mas mantém genialidade e, qualquer momento, pode decidir um encontro.

Vitória difícil e saborosa. Um resultado que me fez recordar o ano mágico de 2004, em que Costinha eliminou o colosso Manchester United. Espero, embora com menos sofrimento, que a história se repita. Quero ver um Porto novamente frio e calculista em Londres como foi no Dragão.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Conversas de Dragão: Erros que não se podem cometer!




Muitos afirmaram que este seria um jogo a feijões. As duas equipas já estavam qualificadas e, portanto, havia poucas contas a fazer. Mas não foi bem assim e notou-se pela intensidade da partida. No final, os blues garantiram o primeiro lugar do grupo, enquanto o FC Porto pode sair de cabeça erguida após dois confrontos em que jogou taco-a-taco com os britânicos.

O Chelsea é uma equipa de elite mundial, que aproveita o mínimo erro do adversário para "matar". Foi assim ontem. Os dragões dispuseram de duas boas oportunidades no primeiro tempo, mas não concretizaram, ao contrário do adversário.

Durante os primeiros 45 minutos, houve um jogador que se destacou no onze azul e branco: Belluschi. As principais do ataque portista passaram pelos seus pés e, aos 30 minutos, aquele remate à barra merecia melhor sorte. Só que no segundo tempo, as pilhas do argentino acabaram e a equipa ressentiu-se.

Por outro lado, o Dragão aplaude o regresso de Silvestre Varela, que tanta falta fez nos últimos jogos. O extremo português demonstrou que está aí para as curvas e o meio-campo perdeu alguma consistência quando foi substituído por Hulk.

Última nota para Beto. O internacional teve uma estreia positiva na Liga dos Campeões, apesar de ter tido pouco trabalho. Em minha opinião, Helton continua a ser o melhor guarda-redes do plantel portista, mas tem, sem dúvida, um suplente à altura.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Conversas de Dragão: Entre os 16 melhores da Europa



Após o empate caseiro com o Belenenses, que, por razões profissionais, não comentei neste espaço, devo confessar que não tinha muitas esperanças de uma vitória portista neste encontro.

A forma como equipa entrou em campo logo fez-me mudar de ideias. Foi um FC Porto determinado aquele que jogou em Nicósia, à procura de selar as contas do apuramento para a fase seguinte.

Só que, mais uma vez, os dragões voltaram a demonstrar claras dificuldades para finalizar. Hulk fez um jogo muito bom do ponto de vista colectivo, mas pecou individualmente. O avançado brasileiro é daqueles de quem se espera um momento inesperado de magia. Nos últimos tempos, Hulk tem jogado mais para a equipa, o que é bom. Mas, nos momentos em que o pode decidir, não o faz, como aconteceu aos 30 minutos, em que não conseguiu dobrar o guardião Chiotis.

Outro problema deste FC Porto é o meio-campo. Sem Lucho e com Raul Meireles em péssima forma, há uma clara falta de criatividade na linha intermédia portista. Isso poderia ser resolvido com Belluschi, mas as prestações deste argentino são demasiado oscilantes. Contudo, gostei da prestação de Guarin e depois da entrada em campo de Tomás Costa, que permitiu a aceleração das transições da defesa para o ataque.

Na etapa complementar, a entrada de Farias em jogo permitiu aos dragões um futebol mais directo, conseguindo o tão ambicionado golo por Falcao.

A principal nota a tirar deste jogo é a vitória e a presença nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, pelo quarto ano consecutivo. Nos dois jogos que restam, embora ainda esteja em aberto a luta pelo primeiro lugar, Jesualdo Ferreira pode testar e alternativas para o onze e concentrar-se, até Fevereiro, exclusivamente nas competições nacionais.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Conversas de Dragão: Dificuldades inesperadas




Esta Académica já não é a mesma equipa frágil que iniciou a época. Aos poucos, começa-se a notar o dedo do jovem André Vilas-Boas nesta formação. Mas, mesmo assim, não esperava que os tetracampeões nacionais tivessem tantas dificuldades para vencer os estudantes.

Pensei que a partir do primeiro golo, tudo estaria controlado e, com o surgimento do segundo tento, pensei que o jogo estava decidido. Contudo, os dragões voltaram a demonstrar dificuldades em segurar a bola a meio-campo, permitindo uma reacção perigosa do adversário.

Raul Meireles continua irreconhecível, ao passo que Mariano González não é solução para jogar no meio-campo. O argentino melhorou quando passou para a ala e acabou por ter um contributo decisivo para a vitória portista.

E foi preciso recorrer ao talismã do costume: Farias. "El Tecla" entrou bem no jogo, marcou dois golos e teve uma importância decisiva para o tento que inaugurou o marcador. O caso Farias faz-me lembrar Jankauskas no tempo de Mourinho, que também era a arma secreta para vencer os jogos complicados. Contudo, hoje li uma notícia que me deixou triste: Farias está disposto a sair se não jogar mais. Se tal acontecer, penso que é mau para o FC Porto. É verdade que este avançado não é primeira opção, mas tem mostrado a média de golos mostra a qualidade que poucos avançados têm em Portugal.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Conversas de Dragão: Gosto em complicar



Ao longo da semana, ouvi colegas e amigos, muitos deles portistas, dizer: "Contra o Apoel, já está ganho." Eu alertava: "Não os subestimes." E parece que eu tinha razão. Tinha visto estes cipriotas realizarem bons jogos frente ao Atlético e ao Chelsea e sabia que não seriam um adversário fácil. Ao dragão valeu sobretudo a maior experiência na Liga dos Campeões.

Mas a verdade é que o FC Porto também complicou. Entrou mal no encontro e permitiu que o adversário ganhasse confiança, chegando a uma vantagem sem realizar um único remate. A sorte é que o Apoel, limitado em termos de qualidade e com ausências importantes na defesa, cometeu dois erros infantis que permitiram ao endiabrado Hulk virar o resultado.

Faltou criatividade ao meio-campo azul e branco - notou-se a falta do Belluschi -, e foi um erro colocar Mariano como interior direito. Este mesmo jogador que, através de um acto irracional, tornou uma vitória que podia ser confortável, num triunfo sofrido. Sinceramente não percebo este erro repetido de Jesualdo Ferreira, quando tem tão boas alternativas para aquele lugar. Se virmos bem, as transições de bola melhoram quando Cristián Rodríguez passou para o meio-campo e depois mais tarde com a entrada de Guarín.

O que fica para a história é a vitória portista e mais um grande passo caminho aos quartos-de-final. Sobretudo depois da goleada do Chelsea frente ao Atlético de Madrid. Penso que bastará apenas mais um triunfo para selar a qualificação.

Só que o jogo em Nicósia será bem mais complicado que este. Equipas como o Apoel são muito mais fortes a jogar contra o seu público e o Porto não poderá cometer os mesmos erros que cometeu no Dragão.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Conversas de Dragão: O Costume



Muda-se o cenário, mas a história repete-se. Pela terceira o Porto defrontou o Sertanense na Taça de Portugal, desta feita no Dragão, e o resultado foi o do costume: 4-0, com Farias novamente a bisar.

Com apenas dez minutos, os dragões afastaram qualquer hipótese de surpresa. Jesualdo Ferreira optou por um misto de titulares e de segundas opções, incluindo ainda um júnior no onze. Sei que este não é o melhor jogo para analisar os jogadores que se estrearam, mas gostei da prestação de Nuno André Coelho, Maicon, Prediger, Valeri e Sérgio Oliveira. O último mostrou ser uma opção para o futuro.

O técnico azul e branco optou por um 3X4x3, utilizado nos tempos de Adrianse, que poderá ser uma alternativa para alguns jogos em casa.

Uma última nota para Farias. A qualidade de "El Tecla" é inquestionável. É um goleador nato e a sua média de golos comprova-o. Tem tido algum azar com os concorrentes que tem para essa posição (Lisandro e Falcão), e também não soube aproveitar oportunidades em alguns momentos decisivos.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Conversas de Dragão: Falcao sabe voar



É difícil não encontrar semelhanças entre Falcao e Jardel, nomeadamente após visionar o jogo de ontem. Como muitas vezes acontecia com Super Mário, o colombiano andou muitas vezes ausente durante grande parte do encontro, mas estava no sítio certo para finalizar. São poucas as palavras para descrever a qualidade deste avançado, que se revela até ao momento como a melhor contratação do FC Porto para esta época.

Também há outro jogador que, aos poucos, começava-se a encaixar no xadrez do dragão. Belluschi, quando chegou às Antas, tinha a difícil missão de fazer esquecer Lucho Gonzalez, o melhor jogador a actuar em Portugal nos últimos quatro anos. Embora tenha características diferentes do seu compatriota, o médio argentino tem dado um excelente contributo para os bons resultados da sua equipa. É curioso constatar que o FC Porto perdeu os dois jogos em que Belluschi não foi titular.

Outro jogador que está igualmente a dar nas vistas é o Alvaro Pereira. O uruguaio é claramente o melhor lateral esquerdo a jogar no nosso campeonato e ontem, exceptuando o facto que devia ter sido expulso no primeiro tempo, fez um jogo perfeito.

Nesta vitória em Olhão houve duas grandes injustiças: a primeira foi o resultado (demasiado pesado para a formação algarvia) e o Hulk ter ficado a zeros. Quando as coisas correm bem, o atacante brasileiro evidencia-se. Fez a assistência para o terceiro tento do encontro e só o poste, por duas vezes, impediu que marcasse.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Conversas de Dragão: Estofo europeu



Desde ontem, devo ter revisto - sem exagero - a jogada do primeiro golo do FC Porto mais de cem vezes. Toda a jogada é deliciosa. A fantástica visão de jogo de Raul Meireles, o primeiro remate de Hulk e depois o passe final para Falcao concluir de calcanhar. É impossível não encontrar semelhanças com o golo de Madger na final de Viena. Tal como a 27 de Maio de 1987, foi um calcanhar vagabundo que ajudou os portistas a resolverem um jogo complicado e alcançarem uma vitória que abre boas perspectivas para a qualificação.

Sem poder contar com Fernando, castigado, e com Prediger fora dos eleitos para Champions, Jesualdo Ferreira optou por colocar Tomás Costa a trinco. O argentino cumpriu no geral, mas foi com a sua saída que a equipa melhorou. Com a entrada de Guarin, Raul Meireles recuou para o lugar mais recuado do meio-campo, permitindo que as transições fossem mais rápidas.

Hulk foi uma autêntica dor de cabeça para os defesas adversários e Rolando, que fez mais um jogo de grande nível, voltou a mostrar dotes de finalizador.

Apesar dos calafrios que o Atlético de Madrid, um adversário mais forte na teoria que na prática, causou à linha mais recuada azul e branca, acredito que o resultado podia ser mais dilatado. Por isso, há que dar mérito ao jovem De Gea, a quem auguro um excelente futuro.

domingo, 27 de setembro de 2009

Conversas de Dragão: A história do costume




Antes deste encontro, dizer que o FC Porto estava em crise não era de todo mentira. Os dragões vinham de duas derrotas consecutivas, embora contra duas grandes equipas, e este jogo com o Sporting era importante para retomar a confiança. E a verdade é que acabou por acontecer aquilo que é costume desde que Jesualdo Ferreira é treinador. Pode haver uma crise de resultados, mas safa-se sempre contra os principais rivais. Foi assim, por exemplo, no ano passado, depois da goleada sofrida contra o Arsenal.

Nesta partida, o Porto entrou à Porto: procurou desde o primeiro minuto o golo e aos 3' já Falcao marcava o seu quinto tento na Liga. A vantagem madrugadora deu tranquilidade à equipa e só não foi aumentada porque Rui Patrício foi um obstáculo quase intransponível. Também na segunda parte, logo a seguir à expulsão de Polga, os portistas tiveram excelentes oportunidades para resolver de vez o jogo, mas o guarda-redes sportinguista estava numa noite inspirada.

Penso que os tretacampeões nacionais tiveram sempre o controlo da partida, mesmo nos momentos de maior pressão do adversário, que pôs por diversas vezes Helton à prova.

Belluschi recuperou a titularidade em boa hora - é sem dúvida o homem mais adequado para jogar meio-campo azul e branco - e Hulk voltou a aprender que o futebol é um jogo colectivo e assim causou desequilíbrios.

domingo, 20 de setembro de 2009

Conversas de Dragão: Um dia infeliz



A derrota do FC Porto em Braga só veio constatar duas coisas: um conjunto portista menos consistente que na época anterior, enquanto os arsenalistas devem ser encarados como sérios candidatos ao título. É verdade que ainda vamos na quinta jornada, mas, pela regularidade demonstrada, penso que os bracarenses têm condições para sonhar ....

No que diz respeito ao FC Porto, a equipa mostrou-se visivelmente cansada, uma vez que teve um jogo desgastante a meio da semana, em Londres. Isso, contudo, não pode servir de desculpa para a fraca exibição efectuada. Se alguns jogadores estavam cansados, Jesualdo Ferreira devia ter apostado em outras opções, como Tomás Costa ou Belluschi. Os melhores jogadores em Stamford Bridge, Helton e Guarin, podiam ter feito muito melhor neste encontro. O guardião não fica isento de culpas no golo de Alan, ao passo que o colombiano perdeu muitas bolas a meio-campo.

Ainda houve outros elementos portistas que estiveram em subrendimento. Raul Meireles esteve discreto, Varela não desequilibrou e Falcao foi presa fácil para os defesas adversários.

No segundo tempo, Cristian Rodríguez trouxe outra dinâmica ao ataque portista, mas foi insuficiente para alterar o rumo da partida.

Uma última nota para Hulk. Neste início de campeonato, o atacante brasileiro tem-me feito Ricardo Quaresma. Ambos são jogadores geniais, não há dúvida. No entanto, quando as coisas não correm bem, têm tendência para inventar muito e mal.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Conversas de Dragão: De cabeça erguida



A tradição ainda é o que era. É o que se pode dizer de mais um jogo do FC Porto em Inglaterra. Apesar da derrota, penso que os adeptos portistas devem estar agradados com esta exibição, que deixa boas indicações para o futuro.

Jesualdo Ferreira decidiu mudar as peças do seu xadrez. O técnico português sabia que ia enfrentar uma equipa que gosta de ter o controlo da bola e que sabe acelerar o jogo. Por isso, decidiu colocar na frente de ataque dois elementos que equilibram o meio-campo - Mariano e Cristian Rodríguez. Mas a grande surpresa foi a inclusão de Guarin. O colombiano, que ainda não tinha jogado esta época, foi importante para impedir as transições de bola adversárias e, nos minutos finais, empurrou a equipa para o ataque. Foi o melhor portista em campo.

A estratégia azul e branca resultou durante a primeira-parte, embora faltasse alguma dinâmica no ataque, devido à lentidão de Mariano em trocar a bola e a Hulk estar jogar no centro e não na ala, como ele gosta.

Com o golo do Chelsea, num lance em que a desatenção da defesa é imperdoável, a estratégia montada por Jesualdo foi deitada por terra e a vantagem dos londrinos só não foi alargada graças a Helton, que, com um punhado de grandes defesas, se redimiu do frango sofrido há três épocas, naquele mesmo estádio.

O técnico portista foi obrigado a mudar a estratégia e a equipa melhorou. Hulk, a jogar na ala esquerda,causou alguns calafrios. Varela entrou muito bem no jogo e dispôs de uma excelente oportunidade para empatar a partida. Os portugueses encostaram os ingleses às cordas, mas a pressão foi insuficiente.

Se o resultado só por si não fosse mau, no final do encontro Fernando, pêndulo do meio-campo, foi expulso e criou um outro problema para o treinador portista. Sem o médio brasileiro, a opção óbvia para aquela posição seria Prediger. Mas pouco se sabe ainda sobre as verdadeiras capacidades deste argentino e Jesualdo poderá procurar outras soluções, como Tomás Costa ou Raul Meireles.

domingo, 13 de setembro de 2009

Conversas de Dragão: Senhor de si



Antes do início da época, muito se questionou sobre qual seria a reacção do FC Porto à saída dos seus principais elementos nas últimas épocas: Lucho e Lisandro. A verdade é que, até ao momento, os tetracampeões nacionais têm dado boa conta de si. O jogo com o Leixões foi um claro exemplo disso.

O dragão apenas precisou de tempo para resolver o jogo. A diferença de quatro golos ao intervalo permitiu ao técnico portista poupar jogadores para o confronto de terça-feira, com o Chelsea. Esse, sim, será o primeiro verdadeiro teste à capacidade dos pupilos de Jesualdo Ferreira.

Já não há o tango de Lisandro e Lucho, mas continua a haver magia sul-americana. Hulk esteve em bom plano no seu regresso à equipa e Álvaro Pereira, que tinha estado ao serviço da sua selecção a meio da semana, fez uma primeira parte fantástica, estando envolvido em três golos. Em relação a Falcao, os números falam por si: quatro golos em outros tantos jogos!

Depois a principal revelação no conjunto azul e branco: Silvestre Varela. Havia muitas dúvidas sobre se o avançado português teria qualidade para jogar no FC Porto. Contudo, o jogador tem vindo a provar que foi uma boa contratação e é uma aposta válida para o onze. A excelente forma de Varela deixa Jesualdo com uma dor de cabeça agradável. Por um lado, o português dá irreverência ao ataque, mas, por outro lado, Cristian Rodríguez dá uma maior consistência ao meio-campo, o que é importante nos jogos da Liga dos Campeões.

Uma última nota para Rolando. O internacional luso demonstra uma maior maturidade esta época e, agora, revela também dotes de goleador. Este central nunca foi dos meus jogadores preferidos - tal como não eram Bruno Alves, Raul Meireles e Bosingwa - e eu era daqueles que acreditava que ele seria claramente ultrapassado por Maicon ou Nuno André Coelho no onze. No entanto, Rolando tem melhorado a olhos vistos e começa a demonstrar para ser o titular no eixo da defesa, ao lado de Bruno Alves.